Chegou ao fim "Rabo de Peixe", uma das obras mais marcantes da ficção portuguesa dos últimos anos.
O adeus na terceira e última temporada de "Rabo de Peixe"
A terceira e última temporada de "Rabo de Peixe" entrega um desfecho digno e respeitoso a uma série que colocou Portugal num patamar a que nenhuma produção nacional tinha chegado. A rebeldia cresceu, a narrativa também, e o sonho americano que fascinava Eduardo no primeiro episódio acabou por se perder nas ondas. "A América que se f*da. A minha América é aqui", diz ele já perto do fim, ao lado dos amigos de sempre, a bordo de um barco onde imaginavam como teriam sido as suas vidas se Deus não tivesse vontades.
Ali, frente a um vulcão a chorar lava e com o Atlântico a impor-se em redor - numa das imagens mais belas de uma série cheia de imagens bonitas - surgem as vidas que não chegaram a viver: a de cantor vitorioso e amante livre; a de mulher de negócios poderosa e gestora de carreiras; a de lenda do Santa Clara que colocaria o Pauleta no banco; e a mais improvável de todas - a de quem voltaria atrás para um lugar onde os braços do pai ainda estariam abertos.
O que ficou: lealdade, amizade e raiz
Continuando a explorar o impacto do narcotráfico numa das comunidades mais pobres e periféricas do país, enquanto insiste na ideia de um destino inevitável, "Rabo de Peixe" encontra a sua verdade maior não no que se perdeu, mas no que permaneceu. Na lealdade que aguentou, na amizade protetora e incondicional, e na nova missão dos justiceiros da noite que, antes famintos pela fuga, são agora guardiões de uma ilha que tanto é prisão como abrigo. Raiz.
Um final sem redenção fácil
Com um núcleo herói cada vez mais coeso e uma estética visual autêntica e arrebatadora, "Rabo de Peixe" despede-se sem prometer redenção e com a aceitação serena de que nem todos os sonhos se cumprem. Ao recusar finais fáceis e preferir a ambiguidade de quem aprendeu a viver com o que não controla, fica uma história em que o mar levou muito, mas nunca conseguiu levar tudo.
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