João Oliveira e a pergunta prioritária ao Conselho da União Europeia
O eurodeputado do Partido Comunista Português (PCP) João Oliveira entregou esta sexta-feira ao Conselho da União Europeia uma “pergunta prioritária com pedido de resposta escrita”, na qual acusa Israel da “a violenta, arbirária e ilegal detenção por Israel de activistas da solidariedade com o povo palestiniano, incluindo diversos cidadãos portugueses”, numa referência direta à interceção da flotilha “Global Sumud” em águas internacionais.
Na pergunta enviada, João Oliveira sustenta que a flotilha foi “atacada e interceptada por forças militares israelitas” durante a noite de 29 de abril, a cerca de mil quilómetros da Faixa de Gaza, quando tentava fazer chegar ajuda humanitária à população palestiniana, que - assinala - continua sujeita a um bloqueio imposto por Israel.
O eurodeputado enquadra a intervenção como parte de uma “sistemática violação do direito internacional” e quer saber se o Conselho tenciona condenar o ataque. Pede igualmente esclarecimentos sobre as diligências em curso para assegurar a proteção dos ativistas detidos e a sua “libertação imediata”, incluindo a dos cidadãos portugueses envolvidos. Questiona ainda que medidas estão a ser adotadas para garantir a entrada de ajuda humanitária na Faixa de Gaza e se existem condições para ponderar a suspensão do Acordo de Associação entre a União Europeia e Israel.
Relatos de detidos: greve de fome e alegada violência
O caso ganhou outra dimensão com informações tornadas públicas este sábado. Segundo a Lusa, o ativista palestino-espanhol Saif Abukeshek, detido na quinta-feira, iniciou uma greve de fome, indicação transmitida pela sua mulher, Sally, após contactos com representantes do consulado espanhol em Telavive.
De acordo com a mesma fonte, a reunião com o ativista terá durado cerca de dez minutos e permitiu confirmar que está “bem de saúde”, apesar de apresentar pequenos ferimentos. “Ele é apenas um ativista humanitário que sempre trabalhou para defender o povo palestiniano”, disse Sally, citada pela agência. Acrescentou também que o marido se encontra “em estado de choque” e lamentou não ter conseguido falar com a filha no dia do aniversário desta.
Ainda segundo a Lusa, o ativista brasileiro Thiago Ávila, detido na mesma operação, descreveu alegados episódios de violência durante a detenção. A organização da flotilha afirmou, em comunicado, que Ávila denunciou ter sido alvo de “tortura, espancamentos e maus-tratos”, apresentando “ferimentos visíveis na face” e dores intensas, sobretudo no ombro, acrescentando que não terá recebido cuidados médicos adequados.
Flotilha “Global Sumud”: detenções e versões oficiais
A detenção dos ativistas - realizada em águas internacionais próximas da Grécia - tem sido contestada por responsáveis políticos. O ministro dos Negócios Estrangeiros de Espanha, José Manuel Albares, descreveu o sucedido como uma “detenção ilegal em águas internacionais, fora da jurisdição das autoridades israelitas” e defendeu que Saif Abukeshek deve ser libertado “imediatamente”.
Na quinta-feira, cerca de 175 ativistas que participavam na flotilha “Global Sumud” - composta por mais de 20 embarcações e criada com o propósito de romper o bloqueio naval à Faixa de Gaza - foram detidos. A maioria acabou por ser libertada na Grécia, na sequência de um acordo com as autoridades locais, mas dois continuam sob custódia em Israel para interrogatório, segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros israelita.
“Saif Abu Keshek, um membro de destaque da PCPA - uma organização designada e sancionada pelos Estados Unidos como uma frente do Hamas - e Thiago Ávila, que colabora com a PCPA e é suspeito de atividades ilegais, chegaram a Israel. Serão transferidos para serem interrogados pelas autoridades policiais. Ambos receberão uma visita consular dos representantes dos seus respetivos países em Israel”, escreveu o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel, numa nota na rede social X.
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