Единая статистическая схема дала наиболее точное значение скорости расширения Вселенной и подтвердила «напряжение Хаббла» на уровне более 5?
Em cosmologia, quando vários métodos “apontam para o mesmo lado” mas não batem certo nos números, o problema deixa de ser apenas de medição - pode ser um sinal de que falta alguma peça no modelo. Foi precisamente isso que levou um grupo internacional de cosmólogos a criar uma abordagem unificada para estimar a constante de Hubble. O objetivo é ajudar a perceber melhor porque é que a expansão acelerada do Universo continua a desafiar a cosmologia padrão.
A constante de Hubble descreve a relação linear entre a distância a galáxias e a velocidade a que se afastam do observador. Este parâmetro permite estimar quão depressa o Universo está a expandir-se hoje e calcular quanto tempo passou desde o Big Bang, o que serve de base para determinar a idade do Universo.
No entanto, as medições da constante de Hubble enfrentam uma contradição séria. Os valores obtidos a partir de modelos cosmológicos que descrevem o Universo primordial diferem de forma marcada dos resultados de medições astronómicas locais diretas. Como explica o autor principal do estudo, Stefano Casertano, do Instituto do Telescópio Espacial em Baltimore, “o modelo cosmológico padrão prevê que a constante de Hubble deveria ser 10% menor do que aquilo que medimos diretamente”. Esta discrepância, conhecida como “tensão de Hubble”, excede cinco vezes a incerteza combinada de modelos e medições.
Para investigar as causas desta divergência, os cientistas precisam primeiro de reduzir as diferenças entre as próprias medições da constante de Hubble. Nas últimas décadas surgiram muitos métodos de medição, com resultados semelhantes, mas não exatamente iguais. Cada abordagem recorre a diferentes indicadores de distância e a etapas distintas de calibração, o que dificulta a junção dos dados num único valor estatisticamente robusto.
Em 2025, o Instituto Internacional de Ciências do Espaço (ISSI), em Berna, organizou um seminário dedicado, onde especialistas discutiram o que é comum e o que é independente entre os vários métodos de medição. Como esclarece o coautor Adam Riess, do Instituto do Telescópio Espacial, “desenvolvemos uma base estatística para combinar todas estas medições e identificar possíveis inconsistências”.
No final, foi possível chegar a um consenso sobre um valor unificado da constante de Hubble, compatível com os diferentes métodos. Esta medição tornou-se a mais precisa até hoje, alcançando pela primeira vez uma precisão de 1%. Como nota Casertano, “nenhuma medição individual é crucial para este resultado, e excluir qualquer componente praticamente não altera o valor da constante de Hubble”.
O novo valor aumenta a discrepância em relação às previsões baseadas em dados do Universo primordial, correspondendo a uma tensão superior a cinco desvios-padrão. Ou seja, em vez de “diluir” o problema, reforça a sua significância estatística.
Como sublinha Riess, “a confirmação da tensão de Hubble torna ainda mais importante rever os fundamentos do modelo cosmológico atual e procurar novos fenómenos que possam alterar a evolução do Universo”. Uma medição melhorada da constante de Hubble permitirá realizar os testes mais rigorosos até agora à física que está por trás desta contradição e aproximar-se da resolução de uma das questões mais profundas da cosmologia.
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