Baixar o preço dos elétricos na União Europeia (UE) pode não passar por inventar um novo tipo de carro. Para o Grupo Renault, o problema está menos na falta de uma “nova categoria” e mais no impacto de regras que mudam constantemente - sobretudo nos modelos mais pequenos, onde cada euro conta.
Por isso, a proposta do grupo francês vai noutra direção: em vez de seguir a ideia da Comissão Europeia (CE) de criar um “carro do povo” elétrico europeu inspirado nos kei car japoneses, a Renault defende uma solução mais direta - congelar as regras atuais para os modelos mais pequenos.
Estes modelos poderiam abdicar de parte dos atuais equipamentos de segurança e tecnologia obrigatórios, simplificando a produção e reduzindo custos. O objetivo é claro: tornar o automóvel elétrico acessível a milhões de europeus, sem pôr em causa a sustentabilidade. Mais detalhes deverão ser revelados a 10 de dezembro, data apontada pelo Comissário Europeu Stéphane Séjourné.
Grupo Renault tem outra solução
O Grupo Renault, no entanto, prefere um caminho diferente: suspender temporariamente a entrada em vigor de novas regulamentações para os automóveis dos segmentos dos citadinos e utilitários. Isto daria às marcas margem para refinar os modelos já existentes, cortar custos de fabrico e, por arrasto, baixar os preços.
“Não peço a remoção de regulamentações. Peço apenas um período de 10 ou 15 anos sem novas regulamentações”, afirmou François Provost, diretor-executivo do Grupo. “Atualmente, a Europa planeia implementar 107 novas regulamentações para o setor até 2030”, acrescentou.
Segundo o responsável, a entrada sucessiva de novas normas obriga as marcas a reavaliar continuamente o desenvolvimento dos veículos, o que aumenta custos e atrasa projetos.
Uma pausa regulatória, acredita Provost, permitiria às marcas otimizar os modelos existentes, reduzir custos de produção e, no fim, baixar o preço para o cliente. “Podemos perder tempo a aprimorar os carros que existem atualmente no mercado e diminuir os custos, (o que significa) um preço mais baixo para o cliente”, adicionou.
Para o executivo, o futuro “carro do povo” europeu deverá medir menos de 4,1 m, ter uma pegada de carbono inferior a 15 toneladas de CO₂ ao longo do ciclo de vida e ser produzido com forte conteúdo local.
Fabrice Cambolive, diretor-executivo da marca Renault, acompanha a mesma lógica: “O importante é ajudar-nos a tornar o carro mais acessível. Para isso, existem duas soluções: ou se cria uma nova categoria, com menos restrições, menos recursos, menos ADAS e por aí diante, ou paralisa-se a regulamentação”.
Um mercado em retração
A subida dos preços dos automóveis nos últimos anos - em grande parte para responder às exigências da UE - tem travado a procura. As vendas na Europa continuam cerca de dois milhões de unidades abaixo dos níveis pré-pandemia, segundo dados do setor. Uma realidade que inquieta construtores e governos.
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