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DS Nº4: preços, motorizações e equipamento em Portugal

Automóvel branco DS 4 exposto em sala moderna com janelas grandes e placa com inscrição Portugal.

Os automóveis modernos são frequentemente acusados de estarem cada vez mais parecidos. É precisamente nesse contexto - num segmento onde a previsibilidade manda - que o novo DS Nº4 tenta destacar-se com uma proposta menos óbvia. E há um pormenor importante para Portugal: os preços começam nos 37 680 euros, mas a campanha atualmente em vigor permite comprar um DS Nº4 por 31 500 euros ou, no caso de empresas, por desde 390 euros por mês, com IVA incluído.

Este patamar coloca o DS Nº4 no centro do segmento C de gama alta, onde a compra raramente é emocional. Aqui, a escolha costuma ser racional e depende sobretudo do perfil de utilização.

Para lá do estilo, o DS Nº4 chega com uma oferta multienergia que abrange híbridos ligeiros, híbridos recarregáveis, versões 100% elétricas e ainda uma opção a gasóleo. Num mercado como o português, esta variedade continua a pesar na decisão.

Quem não consegue carregar com regularidade dificilmente aproveita um elétrico. Nessa situação, o DS Nº4 HÍBRIDO apresenta-se como o caminho mais direto, porque não obriga a mudar hábitos. Já o híbrido recarregável só compensa quando existe consistência no carregamento; caso contrário, perde grande parte do seu interesse.

Convém ainda ter presente que, para empresas, o enquadramento fiscal das versões totalmente elétricas continua a ser determinante na conta final - muitas vezes com mais impacto do que a diferença de preço à partida.

Escola de design francês

Na dianteira, o DS Nº4 adota uma assinatura luminosa inspirada no protótipo DS E-TENSE Performance, com módulos LED mais estreitos e elementos verticais que reforçam a presença na estrada. O logótipo iluminado na grelha funciona, acima de tudo, como afirmação de identidade.

Atrás, as óticas com padrão gravado a laser e acabamento em Cromado Escuro são dos detalhes mais marcantes do conjunto. Num segmento em que é difícil ser diferente, este tipo de pormenor ajuda a sustentar o posicionamento da DS.

Os materiais fazem parte da experiência

Em vez de apostar apenas em superfícies minimalistas e totalmente digitais, o DS Nº4 dá prioridade aos materiais e a uma montagem com ambição premium. Conforme a versão, surgem combinações de Alcantara, couro Nappa e madeira. As costuras “ponto pérola” criam um relevo visível e exigem um processo de fabrico mais minucioso.

Os bancos merecem destaque, até porque são o principal ponto de contacto entre o condutor - e os passageiros - e o automóvel. Por isso, a DS recorreu a estruturas multicamada, espumas com densidades diferentes e, nos níveis mais altos, funções de aquecimento, ventilação e massagem. Em viagens longas, são estes detalhes que se fazem sentir.

Do lado da tecnologia, o novo Sistema DS IRIS concentra as funções principais num ecrã tátil com interface personalizável. Inclui comandos por voz e integração de ChatGPT, o que permite ao sistema responder melhor e manter-se atualizado.

Nas versões eletrificadas, a navegação acrescenta uma função de planeamento de rota para elétricos, ajustando o percurso consoante a autonomia e os pontos de carregamento, para evitar imprevistos. E, no destino, a função veículo-para-carga (V2L) permite usar o DS Nº4 como uma bateria externa para alimentar dispositivos eletrónicos.

Em estrada sempre o conforto

A tradição francesa no acerto de suspensão orientado para o conforto mantém-se, e o Nº4 segue a mesma linha. De acordo com a marca, a suspensão foi afinada para absorver irregularidades sem comprometer a estabilidade.

O híbrido de 145 cv assume o papel de versão de entrada e, ao mesmo tempo, de escolha mais racional. Acelera dos 0 aos 100 km/h em menos de 10 segundos e anuncia consumos na ordem dos 5,2 l/100 km, o que o torna uma opção equilibrada para quem procura reduzir custos de utilização sem alterar rotinas.

Já o DS Nº4 híbrido recarregável de 240 cv marca uma diferença evidente no desempenho (ver tabela). Ainda assim, o mais relevante é a possibilidade de percorrer até 80 km em modo 100% elétrico, suficiente para a maioria dos trajetos do dia a dia. Faz sobretudo sentido com acesso regular a carregamento; sem essa disciplina, perde grande parte da vantagem.

Quanto ao 100% elétrico, o DS Nº4 E-TENSE de 213 cv posiciona-se como o mais consistente na resposta e muito adequado ao uso em cidade. A autonomia até cerca de 450 km (ciclo combinado WLTP) permite uma utilização abrangente, desde que exista acesso a infraestrutura de carregamento.

A opção a gasóleo, com motor de 1,5 litros e 130 cv, é a única do DS Nº4 sem eletrificação. Ainda assim, graças ao depósito com 53 litros, reclama uma autonomia em torno dos 1000 quilómetros - um número que pode fazer dela a solução certa para quem percorre muitos quilómetros por dia e não quer depender de carregamentos.

Qual o nível de equipamento que devo escolher?

A versão Pallas entrega o essencial em conectividade, ajudas à condução e conforto. A Étoile eleva o nível de tecnologia e de materiais, incluindo visor projetado no para-brisas e sistemas de iluminação mais evoluídos.

A Linha Performance acrescenta uma configuração estética própria, com acabamentos escurecidos e apontamentos dourados inspirados na Fórmula E. Não mexe na base técnica, mas altera a forma como o modelo se posiciona dentro da gama. No fundo, a escolha tende a depender de três variáveis: utilização, acesso a carregamento e enquadramento fiscal.

Para deslocações regulares entre casa e trabalho, sem facilidade de carregamento, os híbridos ligeiros continuam a ser a solução mais prática. Para quem consegue carregar com frequência, o híbrido recarregável permite baixar custos no quotidiano, sobretudo em contexto empresarial. Já as versões elétricas tornam-se mais lógicas quando há acesso a carregamento e um padrão de utilização previsível.

Com um preço de entrada nos 37 680 euros, o DS Nº4 não quer ser a opção óbvia. Mas num segmento em que quase tudo segue a mesma receita, essa diferença pode ser precisamente o que basta para justificar a escolha.


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