"É quase como um robô. Talvez seja preciso ir lá uma vez por ano para programar alguma coisa, mas as observações vão ser controladas a partir de Portugal", explicou o engenheiro físico Alexandre Cabral, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.
POET: instalação no Observatório do Paranal, no Deserto do Atacama
A equipa - formada por especialistas do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, com elementos das universidades de Lisboa e do Porto - parte no sábado, 14 de março, rumo ao Observatório do Paranal, no Deserto do Atacama. No local, ficará três semanas a instalar o novo telescópio, apresentado como um instrumento com um nível de detalhe sem precedentes.
O equipamento chama-se POET (Telescópio Solar EXPRESSO do Paranal) e foi parcialmente construído nos laboratórios de ciências da Universidade de Lisboa.
"As coisas foram testadas em Portugal, e parte da estrutura foi fabricada em Itália", revelou a mesma fonte.
Operação remota a partir de Portugal
Segundo Alexandre Cabral, o funcionamento do sistema estará, na prática, muito automatizado e a operação diária será feita à distância, a partir de Portugal, com deslocações pontuais para intervenções específicas.
Recolha de dados
Os cientistas contam que o telescópio comece a recolher os primeiros dados a 8 de abril, ajudando a compreender melhor o que se passa em estrelas, exoplanetas e sistemas estelares semelhantes ao da Terra.
"Vamos conhecer melhor o nosso Sol e vamos conseguir estudar melhor alguns exoplanetas", indicou Alexandre Cabral, que integrará a missão.
De acordo com o investigador, o objetivo imediato não passa tanto por encontrar novos exoplanetas, mas por aprofundar o conhecimento sobre os já identificados: "Neste momento, já foram detetados quase 6 000 exoplanetas na nossa galáxia. O que pretendemos agora não é tanto descobrir mais, mas estudar os que são mais semelhantes à Terra, onde há uma maior probabilidade de existir vida."
Compreender as estrelas
O telescópio desenvolvido em Portugal será instalado a uma altitude de 2 600 metros, num dos maiores observatórios astronómicos do mundo.
Conforme explicou o investigador, os restantes telescópios do Observatório do Paranal estão preparados para observar galáxias e estrelas durante a noite.
"É muito difícil compreender algumas coisas que acontecem nas estrelas porque há muito ruído causado pelo próprio planeta. Basicamente, é quase como usar o Sol como uma cobaia para outras estrelas", acrescentou, ao descrever as funções do instrumento.
"Vamos conhecer melhor o nosso Sol e vamos conseguir estudar melhor alguns exoplanetas. Todos estes desenvolvimentos são sempre um passo em frente em relação ao que já existe. Mais tarde, traz sempre muitos resultados", afirmou o engenheiro.
O investigador sublinhou ainda que este será o único telescópio capaz de observar a luz solar com este grau de precisão.
"Neste momento, não existe nenhum instrumento capaz de fazer o mesmo."
Alexandre Cabral deu como exemplo que o desenvolvimento de muitas câmaras de telemóvel começou na astronomia, através do investimento em sensores que acabaram por se tornar tecnologia comum.
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