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Liberdade de imprensa em 2026 atinge mínimo de 25 anos, diz RSF; Portugal cai para 10.º

Mulher jovem a ler jornal num café, com computador portátil e documentos na mesa, em ambiente urbano.

A liberdade de imprensa no mundo atingiu em 2026 o ponto mais baixo dos últimos 25 anos, sobretudo devido à crescente criminalização do jornalismo, informou esta quinta-feira a Repórteres Sem Fronteiras (RSF). Neste cenário, Portugal desceu dois lugares e passou a ocupar o 10.º posto.

O retrato global da liberdade de imprensa em 2026

Na classificação da RSF referente a 2026, a organização sublinha que a pontuação média dos 180 países avaliados nunca tinha sido tão reduzida ao longo do último quarto de século.

De acordo com a RSF, menos de 1% da população mundial vive num contexto que a organização considera "boa" em matéria de liberdade de imprensa - um recuo acentuado face a 2002, quando esse valor era de 20%. No polo oposto, 52,2% dos países encontram-se hoje classificados como "difícil" ou "muito difícil".

Portugal na RSF: descida para 10.º com classificação "satisfatório"

No caso de Portugal, em termos relativos, registou-se uma queda de dois lugares: do 8.º para o 10.º. Ainda assim, o país mantém a menção de "satisfatório", com 83,71 em 100.

Liderança do ranking e países no fundo da tabela

Pelo segundo ano consecutivo, a Noruega volta a liderar e é o único país com avaliação "excelente" (92,72 em 100). A seguir surgem os Países Baixos, a Estónia, a Dinamarca, a Suécia e a Finlândia.

No extremo inferior do ranking, a lista termina com a Arábia Saudita (176.º lugar), o Irão (177.º), a China (178.º), a Coreia do Norte (179.º) e a Eritreia (180.º).

Entre os regimes descritos como mais fechados à imprensa figura também a Rússia (172.º), apontada como "especialista no uso de leis contra o terrorismo, o separatismo ou o extremismo" para limitar a margem de manobra dos media.

Principais movimentos: do Sahel à Síria

A maior descida em 2026 é atribuída ao Níger, que perde 37 posições de uma só vez e cai para o 120.º lugar. Para a RSF, este caso ilustra a degradação da liberdade de imprensa que se vem acumulando há anos no Sahel, associada a ataques de diferentes grupos armados e à atuação das juntas militares no poder.

No sentido inverso, a queda do regime ditatorial de Bashar al-Assad na Síria permitiu ao país subir da 177.ª para a 144.ª posição.

Países latino-americanos pioram classificação

Na América Latina, uma parte significativa dos países perdeu lugares no ranking. O Equador destaca-se pela negativa: num contexto de forte recrudescimento da criminalidade organizada, caiu 31 posições e ficou no 125.º lugar, após os assassínios dos jornalistas Darwin Baque e Patricio Aguilar. Também o Peru foi marcado, no último ano, pelo assassínio de quatro jornalistas e desceu 14 posições, para o 144.º lugar.

A RSF também fez recuar de forma expressiva a Argentina (11 posições, para o 98.º) e El Salvador (oito, para o 143.º), atribuindo esse recuo à atuação dos respetivos líderes, Javier Miley e Nayib Bukele, na linha do Presidente norte-americano, Donald Trump, com hostilidade e pressões sobre a imprensa.

Apesar de alguns ganhos, três países da região continuam no fim da classificação mundial da liberdade de imprensa. A Venezuela sobe ligeiramente para 159.º (face a 160.º), num quadro de incerteza quanto às garantias para a imprensa, apesar da libertação de jornalistas no início de 2026. Cuba passa para 160.º (contra 165.º), num contexto em que "a crise profunda obriga os poucos jornalistas independentes a operar cada vez mais na clandestinidade". Já a Nicarágua é colocada no 168.º lugar (antes 172.º), num "panorama mediático em ruínas, caracterizado por uma repressão sistemática".

A Colômbia contraria a tendência regional ao avançar 13 posições, embora apenas até um 102.º lugar, ainda pouco relevante. Quanto ao Brasil, o país melhora, subindo de 63.º em 2025 para 52.º este ano.

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