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Guarda Revolucionária do Irão desafia Estados Unidos entre "operação militar impossível" e "mau acordo"

Homens em fato e militar ao redor de mesa com mapa e maquetes de navios, janela mostra porto e navio ao fundo.

Impasse após o cessar-fogo de 8 de abril

A relação entre o Irão e os Estados Unidos continua bloqueada desde a entrada em vigor de um cessar-fogo a 8 de abril, depois de quase 40 dias de ataques aéreos israelitas e norte-americanos contra o Irão e de operações de retaliação de Teerão em vários pontos do Médio Oriente.

As tentativas diplomáticas para reabrir um canal de conversações diretas não tiveram resultados, na sequência do encontro sem avanços realizado em Islamabade a 11 de abril. As diferenças mantêm-se profundas, abrangendo desde o estreito de Ormuz até à questão nuclear iraniana.

Mensagem da Guarda Revolucionária do Irão aos Estados Unidos

A Guarda Revolucionária do Irão desafiou este domingo os Estados Unidos a optarem entre uma ação militar que classifica de "impossível" e um "mau acordo" no âmbito do conflito no Médio Oriente.

Num comunicado do serviço de informações da Guarda Revolucionária Islâmica, divulgado pela televisão estatal, foi defendido que "A margem de manobra dos Estados Unidos na tomada de decisões diminuiu" e que o presidente norte-americano, "tem de escolher entre uma operação militar impossível ou um mau acordo com a República Islâmica".

De acordo com a mesma estrutura, a leitura iraniana do momento inclui, entre outros elementos, um "ultimato" de Teerão ligado ao bloqueio norte-americano aos portos do país e ainda uma alegada "mudança de tom" da China, da Rússia e da Europa em relação a Washington.

Nesta escalada verbal, Mohsen Rezaei, antigo comandante-chefe da Guarda Revolucionária e nomeado em março como conselheiro militar do novo líder supremo Mojtaba Khamenei, escreveu na rede social X: "Os Estados Unidos são os únicos piratas do mundo com porta-aviões. A nossa capacidade de enfrentar piratas não é menor do que a nossa capacidade de afundar navios de guerra. Preparem-se para ver os vossos porta-aviões e as vossas forças acabarem no cemitério de navios".

Plano de 14 pontos e exigências de Teerão

Do lado norte-americano, o presidente dos EUA afirmou no sábado, na rede social Truth Social, que "vai estudar em breve um plano que o Irão" tinha acabado de apresentar, embora tenha demonstrado grande ceticismo quanto ao conteúdo.

Segundo as agências de notícias iranianas, Teerão fez chegar a Washington, através do Paquistão, um plano de 14 pontos com o propósito de pôr termo ao conflito num prazo de 30 dias.

Conforme avançou a agência noticiosa Tasnim, o Irão coloca como exigências a retirada das forças norte-americanas das zonas próximas do Irão, o fim do bloqueio aos portos iranianos e do congelamento dos ativos iranianos, o pagamento de reparações, o levantamento das sanções, um "mecanismo" relativo ao estreito de Ormuz e "o fim da guerra em todas as frentes, incluindo no Líbano".

Impacto do conflito no Médio Oriente

O conflito já provocou milhares de mortos, sobretudo no Irão e no Líbano, e os seus efeitos continuam a fazer-se sentir na economia global, com os preços do petróleo a atingirem níveis que não se verificavam desde 2022.

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