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Tesla torna realidade o processo de elétrodo seco nas baterias 4680

Homem de bata branca analisa material têxtil numa mesa num laboratório com equipamentos industriais ao fundo.

Em 2020, no “Battery Day”, a Tesla apresentou com grande destaque uma inovação tecnológica pensada para acelerar o fabrico de baterias e, em simultâneo, baixar o seu custo.

O avanço em causa é o processo de elétrodo seco (ânodo e cátodo), frequentemente visto como uma espécie de Santo Graal na produção de baterias da Tesla. Ao dispensar solventes químicos e várias etapas do processo industrial que exigem consumos energéticos muito elevados, esta abordagem permite reduzir o custo do kWh até 20%.

Da promessa no “Battery Day” ao cátodo seco da Tesla

Apesar do potencial, chegar à viabilidade comercial revelou-se um percurso longo e complexo. Embora a Tesla já tivesse conseguido implementar o processo no ânodo, aplicar o mesmo princípio ao cátodo foi consideravelmente mais difícil, uma vez que este recorre a materiais muito mais rígidos do ponto de vista químico e estrutural.

Quase seis anos depois, a Tesla conseguiu finalmente fabricar estas células de forma totalmente “seca”, deixando para trás a dependência de métodos tradicionais - mais demorados e mais caros - para produzir o cátodo.

Cátodo seco vs. cátodo molhado: o que muda no fabrico?

No processo convencional de produção de células, os materiais ativos do cátodo são combinados com um solvente líquido para formar uma espécie de “lama”. Essa mistura é depois aplicada em folhas metálicas, que seguem para secagem em forno. Este método implica fornos de secagem de grandes dimensões, bem como sistemas dispendiosos de filtragem e de recuperação de solventes - e, naturalmente, um consumo de energia muito elevado.

Já no processo “a seco”, os materiais ativos são combinados sob a forma de pó seco com um aglutinante polimérico (plástico). Em seguida, são prensados, criando uma película fina e sólida diretamente sobre o coletor de corrente. Com isto, deixa de ser necessário recorrer a fornos e a sistemas de recuperação de solventes, reduzindo 70–80% da energia utilizada e cortando até 20% do custo por kWh.

A Tesla conseguiu também baixar a utilização de aglutinante para menos de 3%, o que aumenta a proporção de material ativo e, por consequência, a autonomia da bateria.

O impacto deste feito foi destacado pelo próprio Elon Musk na rede social X, onde o empresário felicitou as equipas por esta conquista.

"Fazer com que o processo de elétrodo seco funcione à escala, o que representa um grande avanço na tecnologia de produção de baterias de lítio, foi incrivelmente difícil.

Parabéns às equipas de engenharia, produção e cadeia de abastecimento da @Tesla e aos nossos fornecedores parceiros estratégicos por este excelente…"
- Elon Musk (@elonmusk) 1 de fevereiro de 2026

Processo de elétrodo a seco nas baterias 4680 já está em produção

O processo de elétrodo a seco (ânodo e cátodo) já está a ser aplicado na produção em série das baterias 4680 da Tesla. Ao que tudo indica, a Cybertruck é o primeiro modelo da marca a recebê-las. Além disso, algumas versões do Model Y fabricado na Gigafábrica do Texas também estão a ser equipadas com baterias 4680.


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