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Consumidor de energia número dois após o aquecimento: Este aparelho surpreende na fatura.

Casal jovem a ajustar um termoacumulador de águas doméstico numa cozinha com documentos e isolamento térmico.

Muita gente, quando ouve falar de facturas de energia elevadas, pensa logo no aquecimento. E faz sentido: em especial os sistemas de aquecimento eléctricos podem fazer disparar os custos. No entanto, logo a seguir existe um equipamento que, em muitas casas, consome electricidade de forma quase invisível - e que, sobretudo no inverno, pode gastar mais do que frigorífico, televisão e forno juntos.

O aquecimento lidera - mas outro consumidor aproxima-se rapidamente

Os dados oficiais de França, que são facilmente comparáveis a situações semelhantes noutros países europeus (incluindo a Alemanha), mostram o seguinte: em habitações com aquecimento eléctrico, várias milhares de quilowatt-hora por ano são consumidas apenas para manter as divisões quentes. Numa moradia unifamiliar com aquecimento eléctrico, os valores situam-se na ordem de pouco mais de 4300 kWh por ano.

Ainda assim, olhar apenas para o aquecimento é insuficiente. Entre cozinha, casa de banho e sala, há muitos equipamentos a trabalhar todos os dias que, em conjunto, fazem a contagem do contador subir - e alguns gastam bem mais do que a maioria imagina.

O consumo anual real de electrodomésticos comuns

A agência ambiental francesa ADEME publicou valores típicos de consumo anual que podem servir de referência. De forma aproximada, as grandezas mais comuns são:

  • Placa (vitrocerâmica): com cerca de 400 utilizações/ano, perto de 160 kWh
  • Forno eléctrico: quase 150 kWh com utilização quase diária
  • Frigorífico combinado com congelador: cerca de 350 kWh/ano
  • Arca congeladora adicional: mais de 300 kWh/ano
  • Máquina de lavar loiça: cerca de 190 kWh com mais de 150 lavagens
  • Televisão: com quase sete horas diárias de funcionamento, aproximadamente 190 kWh
  • Router de internet: em funcionamento contínuo, cerca de 100 kWh/ano
  • Computador de secretária (desktop): com quatro horas/dia, pouco mais de 120 kWh

Tudo isto pesa - mas há um equipamento que ultrapassa todos com grande facilidade.

O campeão discreto: o depósito eléctrico de água quente

Directamente a seguir ao aquecimento, o depósito de água quente é o que mais pesa na factura de electricidade - muitas vezes bem acima de 1600 kWh por ano.

Em muitos lares, o maior “devorador” de electricidade depois do aquecimento é o boiler eléctrico, ou seja, o depósito/acumulador de água quente típico instalado na cave ou na casa de banho. Um modelo comum com cerca de 200 litros de capacidade atinge, segundo a ADEME, cerca de 1676 kWh por ano.

No exemplo francês, isso representa perto de 300 euros por ano - e, com os preços actuais da electricidade na Alemanha, o valor fica num patamar semelhante. Assim, o boiler joga numa categoria completamente diferente da do frigorífico ou da máquina de lavar loiça.

Porque é que a água quente fica especialmente cara no inverno

Há várias razões para este consumo elevado:

  • Disponibilidade permanente: o acumulador mantém a água à temperatura 24 horas por dia - mesmo quando ninguém toma banho.
  • Perdas térmicas: através de paredes e tubagens mal isoladas, a energia vai-se perdendo de forma constante.
  • Ambiente mais frio no inverno: quanto mais baixa for a temperatura à volta do depósito, mais electricidade é necessária para manter a água quente.
  • Banhos mais longos: quando está frio lá fora, é comum prolongar o duche, aumentar a temperatura e até fazer banhos de imersão.

Há ainda um ponto crítico: de acordo com a ADEME, cerca de um terço da energia utilizada perde-se simplesmente. Ou seja, cada terceiro euro gasto no boiler desaparece literalmente sob a forma de perdas de calor.

Com alguns ajustes, é possível poupar muito dinheiro

A parte positiva é que, ao optimizar o sistema de água quente, é frequente reduzir a factura de electricidade de forma clara sem abdicar do conforto. Na prática, trata-se menos de “cortar” e mais de configurar melhor e eliminar desperdícios.

Temperatura ideal: nem demasiado alta, nem demasiado baixa

Quem baixa o depósito de 60 para 50 a 55 graus reduz as perdas de forma significativa - sem ter de recear duches frios.

Muitos depósitos de água quente saem de fábrica com 60 °C como definição padrão. Para a maioria das famílias, é mais do que o necessário. Os especialistas apontam, em geral, para um intervalo entre 50 e 55 °C, porque:

  • diminui as perdas de calor através das paredes do depósito
  • assegura uma temperatura confortável, fácil de misturar com água fria
  • reduz a probabilidade de depósitos de calcário no equipamento

Importante: ao baixar a temperatura, em caso de dúvida, é prudente pedir aconselhamento ao instalador para cumprir requisitos de higiene, por exemplo relativamente à Legionella. Alguns sistemas sobem automaticamente a temperatura por curtos períodos, de forma regular, precisamente para evitar esse risco.

Isolamento: um “casaco” para o grande consumidor

Muitos depósitos estão expostos em caves frias ou arrecadações, sem protecção térmica adequada. Uma capa isolante específica - muitas vezes vendida como “casaco térmico” - pode cortar as perdas de forma notória. Os dados franceses indicam poupanças na ordem de 20 euros por ano; conforme o equipamento e o preço da electricidade, o valor pode ser superior.

Além disso, vale a pena observar as tubagens: canos de água quente sem isolamento perdem muita energia ao atravessar a cave. Isolamentos simples em espuma, facilmente encontrados em lojas de bricolage, costumam ser fáceis de instalar posteriormente.

Menos água, menos electricidade: poupança nas torneiras e no duche

A electricidade gasta com água quente não depende apenas do depósito - depende também da quantidade de água quente efectivamente usada. É aqui que pequenas intervenções podem ter um impacto relevante.

Arejadores e chuveiros eficientes fazem diferença

Caudais reduzidos no duche e na torneira baixam o consumo de água quente e de electricidade em valores perceptíveis - sem choque de conforto.

Os arejadores (reguladores de caudal) nas torneiras e os chuveiros económicos misturam ar na água e limitam o caudal. A ADEME estima que o potencial de poupança apenas com estes redutores seja de cerca de 40 euros por ano.

Se, além disso, houver atenção a banhos mais curtos ou a uma ligeira redução da temperatura, a poupança aumenta. Em casas com várias pessoas, estes efeitos acumulam-se muito depressa.

Manutenção e desempenho: quando o depósito perde eficiência, o consumo sobe

Muitos acumuladores funcionam durante décadas sem manutenção séria. Mais cedo ou mais tarde, isso costuma reflectir-se - muitas vezes de forma discreta - na factura de electricidade.

Verificação regular por um profissional

Numa manutenção, um instalador pode, por exemplo:

  • verificar a acumulação de calcário no interior e descalcificar se necessário
  • confirmar o correcto funcionamento das resistências
  • optimizar a regulação do termóstato
  • inspeccionar válvulas de segurança e vedantes

Uma resistência com calcário necessita de muito mais energia para aquecer a mesma quantidade de água. Em regiões com água dura, uma inspecção periódica compensa - tanto nos custos de electricidade como na durabilidade do equipamento.

Quando vale a pena substituir - e que alternativas existem

Muitos boilers antigos foram instalados numa altura em que a electricidade era muito mais barata. Frequentemente têm isolamento fraco (ou inexistente) e termóstatos simples e pouco precisos. Nesses casos, trocar por um depósito moderno, melhor isolado, pode trazer uma poupança perceptível.

Em algumas casas, também pode fazer sentido ponderar abandonar o funcionamento exclusivamente eléctrico. Entre as opções possíveis estão:

  • Bomba de calor com depósito de água quente: aproveita calor do ambiente e precisa de muito menos electricidade
  • Solar térmico no telhado: apoio ao aquecimento e produção de água quente com colectores solares
  • Esquentador eléctrico instantâneo: aquece apenas quando necessário e evita perdas do depósito - mas depende muito do perfil de consumo

A escolha certa varia bastante consoante o edifício, o sistema de aquecimento existente e o orçamento. Uma auditoria/consultoria energética pode indicar, com detalhe, onde é que o investimento tende a compensar a longo prazo.

Porque é que faz sentido olhar para o acumulador de água quente agora

A cada inverno, cresce a preocupação com a próxima factura de electricidade. Enquanto muitos já investem em termóstatos inteligentes e em melhor isolamento de janelas, o depósito de água quente fica muitas vezes esquecido - apesar de, depois do aquecimento, ser geralmente a segunda maior parcela do consumo doméstico.

Quem verificar já a temperatura, reforçar o isolamento e avaliar criticamente os seus hábitos de utilização de água quente consegue, precisamente aqui, algumas das poupanças mais rápidas e mais consistentes. Não é uma medida vistosa, mas é extremamente eficaz - e nota-se mês após mês na factura.

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