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Imagens confirmam Mirage 2000-5 ucranianos a operar mísseis ar-ar MICA fornecidos por França

Avião militar a jato descolando num campo verde com casas e floresta ao fundo.

Imagens indicam o emprego operacional do MICA nos Dassault Mirage 2000-5

Imagens divulgadas recentemente sugerem um novo patamar de maturidade do sistema de armas e de adaptação da Força Aérea Ucraniana a equipamento ocidental. Nelas, é possível observar um Dassault Mirage 2000-5 ucraniano a transportar, nos suportes sob as asas, um míssil ar-ar MICA, o que aponta para o início da seu uso em missões operacionais e assinala um marco na integração de armamento avançado na frota incorporada.

Do Matra Magic II ao MICA: a evolução do armamento ar-ar

Até aqui, os Mirage 2000-5 da Ucrânia tinham sido vistos exclusivamente com os mísseis infravermelhos Matra Magic II, utilizados com elevada eficácia contra drones e mísseis de cruzeiro russos. Segundo informações divulgadas no final de 2025, a Força Aérea de Ucrânia reportava uma taxa de efectividade próxima de 98% nas intercepções com este tipo de armamento.

Ainda assim, as próprias tripulações admitiam a necessidade de dispor de mísseis com maior alcance para responder a ameaças aéreas mais exigentes, o que tornava previsível a introdução do MICA como um desenvolvimento natural do sistema de armas.

O míssil MICA (MBDA): alcance, guiamento e variantes

O MICA (Missile d’Interception, de Combat et d’Auto-défense), desenvolvido pela MBDA, é um míssil ar-ar de curto e médio alcance concebido para os Dassault Mirage 2000-5 e Rafale. Com um alcance estimado entre 60 e 80 quilómetros, o sistema existe em duas versões de guiamento: o MICA EM, equipado com radar de guiamento activo, e o MICA IR, que recorre a um sensor de busca por infravermelhos.

As duas variantes partilham a mesma arquitectura, facilitando a sua integração em diferentes plataformas. O motor de combustível sólido, aliado ao controlo vectorial do empuxo, confere-lhe elevada manobrabilidade, permitindo o emprego tanto em combate para lá do alcance visual (BVR) como em confrontos a curta distância (WVR).

Variante em serviço e efeito na defesa aérea da Ucrânia

Não existe, para já, confirmação oficial sobre qual a variante do MICA em uso na Ucrânia. Porém, as imagens disponíveis indicam que poderá tratar-se do modelo com guiamento por radar, montado nos pilones internos do Mirage 2000-5.

Também não é inequívoco se estes mísseis foram entregues juntamente com as aeronaves em 2025 ou se fazem parte de um pacote de fornecimentos mais recente por parte de França. Em qualquer dos cenários, a entrada do MICA em serviço aumenta de forma significativa as capacidades de defesa aérea ucranianas, sobretudo perante o uso crescente, por parte da Rússia, de mísseis de cruzeiro Kh-101 e drones Shahed.

O processo de incorporação dos Mirage 2000-5 teve início em Fevereiro de 2025, quando o Ministério da Defesa francês anunciou a entrega das primeiras unidades à Força Aérea Ucraniana. Um mês depois, a nova frota registou a sua primeira intercepção confirmada ao abater um míssil Kh-101 durante um ataque russo de grande escala.

Desde então, os Mirage têm sido empregues em missões de defesa aérea e, de acordo com reportes, também em incursões de ataque com armamento guiado, na sequência de modificações efectuadas por técnicos franceses antes da entrega.

A passagem para o MICA constitui um passo determinante na maturação operacional dos Mirage ucranianos. Face ao Magic II, o salto tecnológico não só amplia o alcance e a precisão do sistema, como também aproxima as capacidades da Ucrânia das de outras forças aéreas europeias que operam estes caças.

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