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*Tylosaurus rex*: o novo mosassauro gigante do Texas

Esqueleto de um réptil pré-histórico em exposição num aquário de museu com mandíbula destacada e livro aberto.

O registo fóssil já está repleto de predadores gigantes com nomes lendários. Ainda assim, os cientistas defendem agora que um dos répteis marinhos mais letais de sempre merece um título tão intimidador quanto Tyrannosaurus rex.

Uma equipa de investigadores descreveu uma nova espécie de mosassauro, baptizada Tylosaurus rex, um réptil marinho de grandes dimensões que percorreu mares antigos que cobriam partes da América do Norte há cerca de 80 milhões de anos.

O animal podia atingir aproximadamente 13 metros de comprimento e, ao que tudo indica, terá estado entre os caçadores mais temíveis do seu tempo.

A identificação resulta do estudo de fósseis recolhidos sobretudo no Texas, incluindo vários exemplares de museu que passaram décadas catalogados com um nome incorrecto.

O trabalho foi conduzido por investigadores do Museu Americano de História Natural, do Museu Perot da Natureza e Ciência e da Universidade Metodista do Sul.

Fósseis de museu revelam um mistério

O ponto de partida não foi uma escavação recente e mediática, mas sim as colecções de museus.

Amelia Zietlow, que liderou o estudo, reparou que um fóssil de mosassauro no Museu Americano de História Natural apresentava características fora do comum.

Esse exemplar estava identificado como Tylosaurus proriger, uma espécie conhecida pela ciência há mais de um século.

No entanto, alguns pormenores não batiam certo. O crânio parecia maior e mais robusto, e os dentes exibiam serrilhas finas - um traço pouco frequente em mosassauros.

Também a idade e a proveniência dos fósseis não coincidiam com as amostras clássicas de T. proriger. Isso levou a equipa a reavaliar fósseis semelhantes guardados em museus de várias zonas do país.

Fósseis do Texas revelam uma nova espécie

À medida que os cientistas comparavam os exemplares, começou a delinear-se um padrão. A maioria dos fósseis atribuídos a T. proriger vem do Kansas e data de cerca de 84 milhões de anos.

Já os fósseis agora reexaminados provinham sobretudo do Texas e eram alguns milhões de anos mais recentes. Além disso, os animais texanos pareciam significativamente mais corpulentos.

“Tudo é maior no Texas e isso inclui os mosassauros, ao que parece”, afirmou Amelia Zietlow, autora principal do estudo.

Com base no conjunto de diferenças, a equipa concluiu que os fósseis do Texas correspondiam, na realidade, a uma espécie distinta.

Tylosaurus rex era enorme

Os mosassauros já figuravam entre os répteis marinhos mais perigosos do Cretácico Superior. Caçavam peixes, amonites, aves marinhas e, muito provavelmente, outros répteis marinhos.

No caso de Tylosaurus rex, essas capacidades predatórias parecem ter ido ainda mais longe.

Os investigadores encontraram indícios de músculos de mandíbula e de pescoço invulgarmente fortes, o que sugere uma mordida poderosa e a força necessária para dominar presas em luta em mar aberto.

No tamanho máximo, este réptil poderá ter chegado a medir o dobro do comprimento dos maiores tubarões-brancos que existem actualmente.

O espécime de referência oficial da espécie encontra-se hoje no Museu Perot da Natureza e Ciência, em Dallas. O fóssil foi descoberto em 1979, perto de uma albufeira nos arredores da cidade.

Sinais de agressividade

Um aspecto, em particular, chamou de imediato a atenção dos investigadores.

Vários fósseis exibiam lesões compatíveis com confrontos violentos entre indivíduos da mesma espécie.

Um exemplar conhecido como “O Cavaleiro Negro” apresenta danos graves na face e na mandíbula. Falta-lhe parte do focinho, e a mandíbula inferior mostra sinais de fracturas importantes.

Segundo a equipa, é provável que outro Tylosaurus rex tenha sido o responsável por esses ferimentos.

Ferimentos apontam para lutas brutais

Ron Tykoski, co-autor do estudo, é vice-presidente de ciência e curador de paleontologia de vertebrados no Museu Perot.

“Além de ser enorme, com aproximadamente o dobro do comprimento dos maiores tubarões-brancos, T. rex parecia ser um animal muito mais agressivo do que outros mosassauros”, disse Tyloski.

“Através do nosso estudo e da análise de fósseis bem preservados recolhidos em toda a região do norte do Texas, temos evidência de violência dentro desta espécie a um grau nunca antes observado noutros exemplares de Tylosaurus.”

Estes resultados sugerem encontros agressivos que podem ter envolvido disputas territoriais ou concorrência por alimento.

Fósseis famosos ganham uma nova identidade

A investigação também reatribui a espécie de vários fósseis bem conhecidos.

Um exemplar apelidado de “Bunker”, na Universidade do Kansas, e outro chamado “Sophie”, no Museu Peabody de Yale, tinham sido anteriormente identificados como Tylosaurus proriger.

Agora, os investigadores consideram que ambos pertencem à espécie recém-baptizada Tylosaurus rex.

O próprio nome inclui uma referência à história científica. Nos anos 1960, o paleontólogo John Thurmond notou que alguns Tylosaurus do Texas eram invulgarmente grandes.

De forma informal, chamou-lhes “tiranos do mar”, mas a proposta não chegou a tornar-se uma descrição oficial de espécie nessa altura.

O novo estudo atribui, finalmente, reconhecimento formal a esses gigantes.

Surgem questões maiores

O impacto da descoberta vai além da atribuição de um novo nome.

Os investigadores reconstruíram também um conjunto de dados importante, usado para estudar a evolução dos mosassauros - um recurso que permanecera, em grande parte, inalterado durante décadas.

Com a análise actualizada, a equipa indica que poderá ser necessário rever as relações evolutivas entre muitas espécies de mosassauros.

“Esta descoberta não é apenas sobre dar nome a uma nova espécie”, disse Zietlow.

“Ela sublinha a necessidade de revisitar pressupostos antigos sobre a evolução dos mosassauros e de modernizar as ferramentas que usamos para estudar estes répteis marinhos emblemáticos.”

Quando Tylosaurus rex dominava os mares

Os resultados colocam ainda o Texas no centro de um esforço crescente para compreender os ecossistemas marinhos da era dos dinossauros.

Há milhões de anos, grande parte da região encontrava-se sob um vasto mar interior, habitado por tubarões, peixes gigantes, amonites e répteis marinhos.

Predadores como Tylosaurus rex dominavam essas águas muito antes do evento de extinção que eliminou os dinossauros.

“Estes resultados remodelam tanto a imagem física como a evolutiva dos mosassauros, destacando o Texas como uma região-chave para compreender ecossistemas marinhos antigos e assinalando uma nova era de investigação sobre a história evolutiva destes formidáveis predadores”, concluiu o co-autor Michael Polcyn, da Universidade Metodista do Sul.

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