Saltar para o conteúdo

Regra das 19h45 com cortinas térmicas para poupar no aquecimento

Mulher a abrir cortinas numa sala com neve visível no exterior, relógio na parede e chá quente numa mesa.

Com a chegada da primavera, muita gente hesita em baixar o aquecimento, mesmo quando o tempo lá fora já está mais ameno. Mal anoitece, a casa arrefece e o termóstato volta a ligar. Há, no entanto, um hábito surpreendentemente simples por volta das 19h45 que ataca precisamente este problema - sem trocar o sistema de aquecimento, sem gadgets de casa inteligente e sem obras.

Porque é que olhar para o relógio passa a fazer diferença

Em março, os dias alongam-se: o sol fica mais tempo no céu e ajuda a aquecer as divisões. As janelas funcionam quase como uma lupa: deixam entrar a radiação solar, o ar interior aquece, mas os vidros acabam por devolver esse calor para o exterior quando a temperatura cai.

"Se fechar as cortinas a tempo ao fim do dia, trava de forma clara a perda de calor pelas janelas e poupa energia."

Por volta das 19h45, em muitas zonas, o sol põe-se. A partir daí, o efeito inverte-se: o vidro arrefece e o calor acumulado começa a escapar. Se as cortinas ficam abertas, é como se estivesse a “aquecer” a rua.

A ideia é simples: deixar o sol trabalhar durante o dia e, ao fim da tarde, vedar a tempo. Assim, o calor gratuito do dia permanece mais tempo na divisão - e o aquecimento liga mais tarde ou nem chega a voltar a ligar.

Quanto é que isto pesa, na prática, na fatura do aquecimento?

As janelas são, frequentemente, um dos pontos mais vulneráveis do isolamento de uma casa. Mesmo com vidros atuais, a perda de calor para o exterior é claramente superior à de uma parede bem isolada. As cortinas não substituem um isolamento a sério, mas funcionam como uma camada extra de ar.

Essa camada de ar tem efeitos mensuráveis:

  • A temperatura de superfície junto à janela desce mais devagar.
  • O “cair” do ar frio ao longo do vidro é atenuado.
  • A divisão parece mais quente, mesmo que o termómetro quase não suba.

Bastar sentir mais um a dois graus de “temperatura de conforto” pode ser suficiente para reduzir ligeiramente o termóstato. E cada grau a menos poupa, em média, cerca de seis por cento de energia de aquecimento. Ao longo de um mês, isto pode traduzir-se rapidamente em algumas dezenas de euros - e, numa casa mal isolada, em valores significativamente superiores.

A diferença grande: cortinas normais vs. cortinas térmicas

Nem todos os tecidos à frente de uma janela fazem o mesmo trabalho. Cortinas decorativas finas podem ser bonitas, mas retêm pouco calor. Já as cortinas térmicas são pensadas de propósito para manter o calor dentro de casa (ou, no verão, para travar o calor de fora).

Tipo de cortina Material típico Efeito de proteção térmica
Cortina decorativa leve Algodão fino, voile Quase impercetível
Cortina de tecido pesado Mistura espessa de algodão ou poliéster Corte de correntes de ar mais notório
Cortina térmica Multicamadas, muitas vezes com fleece ou camada térmica Perda de calor bastante menor

As cortinas térmicas costumam ter várias camadas e, por vezes, um revestimento ou um forro de fleece ou lã. Selam com mais força a zona da janela, tanto visual como termicamente - algo que se nota sobretudo em janelas antigas, com isolamento fraco.

Custos e potencial de poupança no dia a dia

Um par de cortinas térmicas de boa qualidade pode aproximar-se rapidamente dos 100 euros. À primeira vista parece caro, mas o custo ganha outra escala quando se considera quanto tempo duram.

  • Duração: vários anos, muitas vezes bem mais tempo do que um sistema de aquecimento se mantém inalterado
  • Utilização: faz sentido todos os dias do ano - no inverno para reter calor, no verão para bloquear a entrada de calor
  • Poupança: menos horas de aquecimento, menos uso de aparelhos de arrefecimento

Em muitos casos, esta barreira extra chega para dispensar completamente o aquecimento durante a noite no quarto. Mantendo esse hábito ao longo de uma época de aquecimento, o investimento vai sendo recuperado gradualmente através dos quilowatt-hora poupados.

Como aplicar a regra das 19h45 no quotidiano

O resultado depende muito da consistência. Se só fecha as cortinas quando já está húmido e frio, perde parte do potencial. O mais eficaz é criar um ritual alinhado com o pôr do sol.

  • Durante o dia, abrir bem as cortinas para deixar entrar o máximo de sol.
  • Ao fim da tarde, manter a hora debaixo de olho - em março, muitas vezes por volta das 19h45.
  • O mais tardar ao anoitecer, fechar todas as cortinas e, se existirem, os estores.
  • Se fizer sentido, baixar ligeiramente o aquecimento e confirmar se a temperatura de conforto se mantém.

Quem vive num apartamento sem estores tende a beneficiar ainda mais de cortinas grossas. Em casas com vidro triplo moderno, o efeito é menor, mas continua a notar-se - sobretudo em divisões com janelas grandes.

Bónus no verão: barrar o calor em vez de o arrefecer

As cortinas térmicas não servem apenas para o inverno. Em muitos modelos, no verão o efeito é quase o inverso: ajudam a manter o calor do lado de fora. O princípio é semelhante, apenas muda o momento.

"De manhã, ventile por pouco tempo e depois feche as cortinas - assim, o calor do meio-dia fica fora durante muito mais tempo."

Se arejar bem cedo, quando o ar ainda está fresco, e depois fechar janelas e cortinas, evita que paredes e mobiliário acumulem demasiado calor ao longo do dia. Isso reduz a necessidade de ventoinhas ou de aparelhos de ar condicionado portáteis. Também aqui a cortina contribui, de forma indireta, para a conta da eletricidade.

Erros típicos que anulam o efeito

Muitas casas têm cortinas, mas usam-nas de forma pouco eficiente do ponto de vista energético. Há alguns deslizes comuns que são fáceis de evitar:

  • Tapar radiadores com cortinas até ao chão - o calor fica “preso” entre a cortina e a janela.
  • Deixar as cortinas abertas quando lá fora já está escuro e mais frio.
  • Usar cortinas curtas e estreitas, que não cobrem toda a área do vidro.
  • Manter a janela sempre entreaberta e, ao mesmo tempo, esperar grande proteção térmica.

O ideal é uma cortina que cubra todo o vão, sobreponha ligeiramente o caixilho, termine pouco acima do peitoril e possa ficar solta à frente do radiador sem o ocultar por completo.

Como estimar, por alto, a sua poupança

Quem quiser perceber o impacto pode começar com um teste simples: em duas noites igualmente frias, num dia deixar as cortinas abertas e, no outro, fechá-las religiosamente ao pôr do sol. Com um termómetro ambiente económico ou um termóstato inteligente, dá para observar a velocidade a que a temperatura desce.

Se com as cortinas fechadas a queda for mais lenta, o passo seguinte é reduzir um pouco mais o aquecimento. Se a temperatura de conforto se mantiver, o efeito no consumo torna-se evidente - sobretudo nas divisões onde se passa mais tempo ao fim do dia, como a sala de estar ou o quarto das crianças.

Porque é que março é o momento ideal para mudar

O período em torno do início da primavera é perfeito para ganhar este hábito. Lá fora, as temperaturas suavizam; cá dentro, muitas vezes basta uma proteção térmica leve para dispensar o aquecimento no máximo. Quem interioriza agora a regra das 19h45 beneficia quase automaticamente no próximo outono.

A combinação de mais luz natural, ainda existir época de aquecimento e temperaturas exteriores moderadas transforma um gesto aparentemente banal numa alavanca eficaz contra a subida dos preços da energia. Um par de cortinas térmicas e um olhar para o relógio - é o suficiente para transformar calor solar em desconto real na próxima fatura.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário