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Inquérito da Nickelodeon no Reino Unido: maturidade emocional aos 32 vs 43

Homem a escolher programa na TV enquanto mulher lê livro e bebe chá no sofá numa sala iluminada.

Uma sondagem muito citada deixa no ar uma resposta provocadora.

Para a maioria das pessoas, ser adulto associa-se a trabalho, casa e, talvez, filhos. Mas isso diz pouco sobre o grau de maturidade interior de cada um. Há anos que um inquérito britânico alimenta o debate por defender uma diferença clara entre homens e mulheres na maturidade emocional - e muitos casais acabam por se reconhecer, com surpresa, no retrato.

O que significa, afinal, maturidade emocional

A maturidade emocional tem pouco a ver com rugas ou com o saldo da conta bancária. O conceito descreve, sobretudo, a forma como alguém lida com emoções, conflitos e responsabilidades. Entre os sinais mais comuns estão:

  • assumir responsabilidade pelo próprio comportamento
  • conseguir ouvir críticas sem atacar de imediato nem fechar-se
  • tomar decisões a pensar nas consequências
  • falar sobre problemas em vez de os ir adiando
  • respeitar os limites da outra pessoa

"Ser emocionalmente maduro não é deixar de se divertir - é continuar a ser fiável apesar da diversão."

É precisamente aqui que, muitas vezes, as perceções de homens e mulheres se afastam. Foi isso que evidenciou um inquérito realizado no Reino Unido em 2013, encomendado pelo canal de televisão Nickelodeon, que entretanto ganhou vida própria e continua a gerar manchetes.

O estudo que põe os casais à beira de um ataque de nervos

No inquérito, homens e mulheres britânicos foram questionados sobre a sua perceção de maturidade emocional - a própria e a do parceiro. As respostas variaram de forma marcada consoante o género. Muitas mulheres relataram um desequilíbrio muito presente no dia a dia: sentiam-se muito mais responsáveis por planear, manter a casa a funcionar e gerir temas emocionais do que o companheiro.

Pontos típicos referidos por mulheres:

  • decisões importantes acabam por ficar do lado delas
  • o parceiro foge a conversas sérias
  • carregam grande parte da organização mental do quotidiano
  • sentem-se mais como "gestora" ou "mãe de substituição" do que como companheira

Já muitos homens admitiram que, por dentro, se sentem frequentemente mais novos do que a idade no cartão de cidadão e que não gostam de abdicar de certos comportamentos - por exemplo, jogar até altas horas ou empurrar assuntos desagradáveis para debaixo do tapete.

O choque dos números: mulheres no início dos 30, homens muito depois

O inquérito avançou mesmo com idades concretas. De acordo com os resultados, as mulheres atingem, em média, a maturidade emocional plena por volta dos 32 anos. No caso dos homens, o momento de viragem foi colocado bastante mais tarde: só à volta dos 43 anos é que um homem seria visto como verdadeiramente adulto do ponto de vista emocional.

"Onze anos de diferença - para muitas mulheres, isto confirma mais o instinto do que qualquer estatística científica."

Do mesmo inquérito saíram ainda outros números que chamaram a atenção:

  • cerca de oito em cada dez mulheres consideraram que os homens mantêm sempre um lado infantil
  • aproximadamente um em cada quatro homens descreveu-se a si próprio, sem rodeios, como imaturo
  • quase um quarto das mulheres disse sentir-se deixada sozinha em decisões importantes
  • três em cada dez mulheres já terminaram uma relação por falta de maturidade do parceiro
  • quase uma em cada duas mulheres sentiu, a dada altura, que era mais figura materna do que companheira

Para muitos casais, isto é explosivo: quando uma parte planeia, estrutura e antecipa, enquanto a outra bloqueia ou adia para "mais tarde", a frustração instala-se rapidamente. O que era amor transforma-se em cansaço.

Sinais típicos de imaturidade emocional no quotidiano

A recolha de respostas incluiu vários exemplos através dos quais as pessoas identificam falta de maturidade. Entre eles:

  • conversas sérias são desviadas com piadas ou empurradas para outro dia
  • conflitos acabam em silêncio, portas a bater ou afastamento repentino
  • a responsabilidade em casa é minimizada ou passada para o parceiro
  • decisões financeiras são evitadas até a situação rebentar
  • os erros são sistematicamente atribuídos aos outros

Numa relação, isto gera facilmente um desequilíbrio. Uma pessoa trata das contas, dos compromissos, dos contactos familiares e dos temas da relação. A outra deixa andar. E a parceria pode virar, sem dar por isso, uma espécie de miniempresa familiar com gestão de um lado só.

Porque é que este estudo não é uma lei da natureza

A intenção inicial do inquérito era ser mais entretenimento do que ciência rigorosa. A amostra era limitada, o foco incidia em participantes britânicos e o desenho do estudo não veio da investigação académica. Por isso, os resultados não são uma verdade universal - são, isso sim, um retrato claro de perceções.

Ainda assim, tocam num ponto sensível: muitos casais descrevem vivências semelhantes, independentemente de origem ou nível de escolaridade. E a neurociência acrescenta elementos interessantes à conversa.

O que a investigação do cérebro diz sobre maturidade

Investigadores da Universidade de Cambridge referem que o cérebro humano só atinge a maturidade funcional completa nos primeiros anos da casa dos 30. Áreas essenciais para planeamento, controlo de impulsos e regulação emocional continuam a desenvolver-se até cerca dos 32 anos.

"Do ponto de vista neurológico, em muitas pessoas, até aos 30 e poucos ainda decorre um processo de remodelação rumo a um 'cérebro adulto'."

Isto significa que, mesmo quem aos 20 e muitos aparenta ter tudo controlado - emprego, casa, relação - pode continuar a transportar no cérebro alguma espontaneidade juvenil, mas também impulsividade. O género, por si só, não explica tudo. A biologia define apenas o enquadramento. A forma como cada pessoa usa esse potencial depende da educação, das experiências, da cultura e da disponibilidade para mudar.

Como os casais podem lidar com níveis diferentes de maturidade

Em muitas relações, uma pessoa sente que está "mais avançada" do que a outra. Isso não tem de significar, automaticamente, o fim. Podem ajudar alguns passos práticos:

Área problemática Abordagem possível
Responsabilidade no dia a dia divisão clara e por escrito de tarefas, em vez de expectativas vagas
Gestão de conflitos horários fixos para conversar e regras (deixar o outro terminar, sem telemóvel, sem insultos)
Carga emocional dizer abertamente o que está, em concreto, a ser demais ("Eu já não aguento X sozinho/a")
Disponibilidade para mudar definir objetivos em conjunto: o que deve mudar de forma visível nos próximos 6 meses?

Quem percebe que tem dificuldades de maturidade pode agir de forma consciente: levar o feedback a sério, entrar em conversas desconfortáveis e não fugir à responsabilidade por reflexo. Por vezes, também ajuda um olhar neutro de fora, como aconselhamento ou coaching.

Porque "manter um lado infantil" não é necessariamente mau

O lado infantil que tantas vezes é atribuído aos homens também pode ter vantagens: curiosidade, humor e vontade de brincar. Numa relação, isso pode trazer leveza - desde que não seja usado como desculpa para escapar às responsabilidades.

O que conta é o equilíbrio: quem consegue brincar depois de um dia difícil, mas aparece no dia seguinte, de forma fiável, na reunião de pais, tende a ser visto como emocionalmente maduro. Torna-se problemático quando a diversão tem sempre prioridade sobre a fiabilidade e um dos parceiros acaba por carregar sozinho, de forma permanente, a parte séria da vida.

No dia a dia, vale a pena afinar conceitos: "maturidade emocional" não significa estar sempre sério e controlado. Significa conhecer as próprias emoções, conseguir nomeá-las e, ainda assim, manter capacidade de agir. "Imaturo" não é limpar as lágrimas num filme; é, por exemplo, ficar semanas a fazer birra em silêncio em vez de conversar sobre o problema.

Quem entende estas diferenças consegue interpretar de outra forma os conflitos na relação. A pergunta interessante passa a ser menos: "Qual de nós é mais maduro?" E mais: "Em que situações mostramos os dois um lado adulto - e em quais ainda reagimos como adolescentes?" É aí que pode estar a oportunidade de crescer por dentro em conjunto, seja aos 28, aos 32 ou aos 43.


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