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A maior cidade do mundo: como vivem 37 milhões de pessoas em Tóquio

Multidão de pessoas com máscara a atravessar passadeira numa zona urbana com edifícios altos ao fundo.

Mais de 8,3 mil milhões de pessoas partilham o mesmo planeta - e uma fatia cada vez maior concentra-se em megacidades. Na linha da frente está Tóquio. Ainda assim, a metrópole japonesa é apenas o rosto mais visível de uma tendência que está a transformar continentes inteiros e a redefinir a forma como entendemos a vida urbana.

Recorde mundial num oceano de edifícios: Tóquio como mega-metrópole

Tóquio é, neste momento, considerada a maior cidade do mundo. Quase 37 milhões de pessoas vivem na sua área metropolitana, que se estende por cerca de 8231 quilómetros quadrados. É uma dimensão superior à do estado alemão de Hessen - e acolhe uma população comparável à de quase metade da Alemanha.

"Tóquio é uma cidade de extremos: tecnologia futurista, templos históricos, multidões densas - e, ao mesmo tempo, um país cuja população total está a diminuir."

A capital japonesa funciona como uma antevisão do futuro: letreiros de néon por toda a parte, robôs a desempenhar funções de atendimento, casas de banho de alta tecnologia e linhas ferroviárias com frequências de minuto a minuto. Em paralelo, santuários, templos e bairros tradicionais surgem a poucos passos de torres de escritórios envidraçadas.

No início, Tóquio era apenas uma aldeia piscatória pouco relevante chamada Edo. Quando, em 1868, o imperador transferiu para lá a sua sede a partir de Quioto, a cidade ganhou o nome actual e, em poucas gerações, tornou-se um centro global de economia, cultura e tecnologia.

Idílio no betão em Tóquio: Fuji e cerejeiras em flor

Apesar da escala colossal, dentro e nos arredores de Tóquio existem momentos de natureza que parecem quase irreais. As cerejeiras em flor na primavera são um símbolo desse contraste: no Parque Ueno, mais de mil árvores abrem as flores ao mesmo tempo; os habitantes locais instalam-se lado a lado sob um “tecto” rosa e celebram piqueniques de hanami.

A cerca de 100 quilómetros a oeste, o Monte Fuji eleva-se no horizonte. O estratovulcão, com 3776 metros de altitude, aparece em inúmeros postais com a linha do céu de Tóquio e, em dias limpos, pode ser visto a olho nu. Para muitos japoneses, representa uma força sagrada da natureza, um chamado kami. Trilhos de peregrinação, santuários e miradouros juntam espiritualidade e grandes multidões.

Ao mesmo tempo, Tóquio enfrenta um ponto de viragem: a população do Japão está a diminuir e a sociedade envelhece. Investigadores urbanos admitem que, a longo prazo, Tóquio poderá perder habitantes - e, com isso, ceder a liderança a outras megacidades.

As 10 maiores cidades do mundo em resumo

As Nações Unidas monitorizam regularmente as maiores regiões metropolitanas do planeta. A base de cálculo não são apenas os limites administrativos da cidade, mas sim todo o aglomerado urbano. A partir de 2025, a lista das 10 primeiras apresenta, aproximadamente, o seguinte quadro:

  • Tóquio (Japão) – cerca de 36,95 milhões de habitantes
  • Delhi (Índia) – cerca de 35,52 milhões de habitantes
  • Xangai (China) – cerca de 31,05 milhões de habitantes
  • Daca (Bangladesh) – cerca de 25,36 milhões de habitantes
  • Cairo (Egipto) – cerca de 23,53 milhões de habitantes
  • São Paulo (Brasil) – cerca de 23,17 milhões de habitantes
  • Cidade do México (México) – cerca de 23,02 milhões de habitantes
  • Pequim (China) – cerca de 22,98 milhões de habitantes
  • Mumbai (Índia) – cerca de 22,54 milhões de habitantes
  • Osaka (Japão) – cerca de 18,87 milhões de habitantes

"Mais de 250 milhões de pessoas vivem só nestes dez aglomerados urbanos - o que corresponde, em termos gerais, à população total da Europa Ocidental."

Por trás destes números está um fenómeno de grande escala: a população mundial aumenta cerca de 80 milhões de pessoas por ano. Uma parte substancial desse crescimento instala-se em cidades - sobretudo na Ásia e em África. As regiões rurais perdem peso relativo, enquanto as megacidades passam a ditar infra-estruturas, força económica e impacto climático.

Delhi: crescimento sem pausa para respirar

Com pouco mais de 35,5 milhões de habitantes, Delhi ocupa o segundo lugar. A metrópole divide-se, de forma geral, entre a histórica Old Delhi e a planeada New Delhi. Esta última funciona como sede do governo e mantém, até hoje, marcas claras da arquitectura colonial britânica.

A cidade está perto do limite em quase tudo. As projecções apontam para cerca de 43 milhões de habitantes em 2035. Todos os anos, centenas de milhares de pessoas chegam de regiões rurais pobres, na expectativa de encontrar emprego, acesso a educação e cuidados de saúde.

O reverso é evidente: congestionamentos intermináveis, smog denso e transportes públicos lotados. Muitos bairros são compostos por assentamentos informais e zonas de lata, onde o abastecimento de água limpa, electricidade e instalações sanitárias funciona de forma insuficiente. As autoridades tentam responder, por exemplo com autocarros e tuk-tuks movidos a gás, mas a velocidade da migração continua a superar qualquer reforma.

Xangai e Pequim: a dupla potência urbana da China

Xangai - de vila piscatória a motor financeiro

Xangai é a maior cidade da China, com mais de 31 milhões de habitantes. No século XIX, era um pequeno porto; após a abertura ao comércio estrangeiro, cresceu a um ritmo acelerado. No século XX, consolidou-se como um dos principais centros financeiros da Ásia.

A paisagem urbana, marcada por arranha-céus futuristas, fachadas de vidro e centros comerciais, reflecte essa trajectória. Ao mesmo tempo, entre os edifícios altos escondem-se templos e jardins da dinastia Ming, ruelas estreitas e bairros residenciais tradicionais - uma convivência entre antigo e novo construída em poucas décadas.

Pequim - centro de poder com um historial de smog

Pequim, com quase 23 milhões de habitantes, fica apenas um pouco atrás de Xangai. Ainda assim, em termos políticos e culturais, a capital é o núcleo do país. É aqui que se encontram a liderança do partido e do Estado e onde se tomam muitas das decisões estruturantes da política chinesa.

Do ponto de vista histórico, Pequim está entre as grandes cidades mais antigas do mundo com ocupação contínua. Provas desse passado incluem a Cidade Proibida, templos imperiais e as antigas ruelas hutong - além, claro, da proximidade à Grande Muralha da China, que atravessa o território por milhares de quilómetros.

Durante muito tempo, Pequim foi sinónimo de poluição atmosférica: camadas pesadas de smog, escolas encerradas, uso obrigatório de máscara antes de o mundo falar de Covid. Com medidas intensas contra centrais a carvão e indústria pesada, o governo reduziu de forma significativa os níveis de partículas finas. Ainda assim, equilibrar crescimento, tráfego e qualidade do ar continua a ser um desafio diário.

Daca, Mumbai, Cidade do México: quando as megacidades chegam ao limite

Daca - megacidade em zona de cheias

Daca, capital do Bangladesh, conta com pouco mais de 25 milhões de habitantes e está entre as cidades mais densamente povoadas do mundo. O sector financeiro, a indústria têxtil e o comércio alimentam um crescimento rápido. Em contrapartida, a cidade situa-se numa região que sofre regularmente com chuvas de monção intensas.

As inundações atingem repetidamente os bairros mais pobres, muitas vezes sem protecções adequadas ou planeamento de emergência. Para o urbanismo e a adaptação climática, Daca é um caso extremo: mostra de forma clara como riscos climáticos e expansão descontrolada podem reforçar-se mutuamente.

Mumbai - Bollywood e bairros de lata

Mumbai, anteriormente Bombaim, é o coração económico da Índia e a capital do estado de Maharashtra. A cidade começou por ser um conjunto de ilhas; no século XIX, os britânicos aterram áreas entre elas e criaram a actual faixa costeira.

Hoje, aí se concentram bancos, empresas de TI, a principal bolsa do país - e, ao mesmo tempo, enormes zonas de lata. Estimativas indicam que mais de metade da população vive em assentamentos informais. Arranha-céus com apartamentos de luxo erguem-se lado a lado com telhados de chapa ondulada; pelo meio, ruelas apertadas, redes eléctricas improvisadas e canalizações de água.

Mumbai é também o berço de Bollywood, a gigantesca indústria cinematográfica indiana. Estúdios, cinemas e produtoras garantem dezenas de milhares de empregos - e criam um contrapeso cultural às duras realidades do quotidiano de muitos residentes.

Cidade do México - metrópole num corredor sísmico

A Cidade do México ergue-se sobre os vestígios de Tenochtitlán, a capital asteca, num planalto rodeado de вулcões. O cenário é impressionante, mas implica riscos: sismos e nuvens de cinzas fazem parte do dia a dia do planeamento urbano.

Cerca de 23 milhões de pessoas vivem na área metropolitana, muitas em zonas periféricas sem infra-estruturas estáveis. Com frequência, o volume de lixo ultrapassa a capacidade dos serviços municipais. Uma parte dos resíduos é separada por recolhedores privados, que dependem da venda de materiais reutilizáveis como fonte de rendimento.

Cairo, São Paulo, Osaka: três gigantes em três continentes

Com mais de 23,5 milhões de habitantes, o Cairo é a maior cidade de África e do mundo árabe. Entre mesquitas, bazares e edifícios altos, as pirâmides de Gizé erguem-se do deserto - um contraste que atrai milhões de visitantes todos os anos.

São Paulo, no Brasil, é o centro industrial da América Latina. Cresceu historicamente com o comércio do café e, desde o século XIX, tem atraído trabalhadores de todo o mundo, incluindo uma comunidade japonesa particularmente numerosa. Hoje, serviços financeiros, indústria e eventos culturais moldam a cidade.

Já Osaka, a segunda maior metrópole do Japão, é vista como a capital do comércio e da gastronomia do país. Foi aqui que se formaram estruturas bursáteis importantes e onde surgiram pratos e técnicas culinárias que hoje se encontram em todo o Japão. Ao mesmo tempo, Osaka enfrenta problemas de poluição do ar e subsidência do solo devido ao elevado consumo de água.

O que as megacidades significam para o dia a dia de milhares de milhões de pessoas

As megacidades impulsionam a economia mundial, mas também concentram problemas essenciais. Algumas oportunidades e riscos típicos são fáceis de identificar:

  • Economia: elevada concentração de empresas, melhores hipóteses de emprego, mas também concorrência intensa.
  • Infra-estrutura: é possível criar sistemas eficientes de transporte público, porém o congestionamento e a sobrecarga consomem tempo e energia todos os dias.
  • Habitação: rendas altas, maior densidade e crescimento de bairros de lata de um lado; apartamentos de luxo do outro.
  • Ambiente: poluição do ar, resíduos e escassez de água - e, em simultâneo, potencial para soluções energeticamente eficientes.
  • Social: diversidade cultural e inovação convivem com desigualdade, criminalidade e riscos para a saúde.

É sobretudo nas maiores cidades que se decide até que ponto protecção do clima, justiça social e crescimento económico conseguem coexistir. Tóquio, Delhi, Daca ou São Paulo: todas enfrentam perguntas semelhantes - apenas com graus de dureza diferentes.

Para quem viaja ou observa, estas metrópoles oferecem uma janela para possíveis futuros da vida urbana. Quem já esteve numa linha de metro de uma cidade com 30 milhões de habitantes, ficou preso no trânsito ou atravessou à noite corredores de néon percebe depressa: a cidade deixou de ser apenas um lugar. Tornou-se um modo de vida próprio, que vai marcar o nosso século.

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