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Estudo revela: Caminhar nestes 3 horários do dia tem o maior efeito

Mulher a caminhar na calçada com telemóvel na mão, ao lado de café com mesas e cadeiras.

Muitos se desdobram no ginásio, mas basta muitas vezes olhar para o armário dos sapatos: caminhar pode fazer mais do que a maioria imagina.

Quem passa horas sentado acaba por sentir, mais cedo ou mais tarde, a lombar, a circulação e o cansaço. Mas, em vez de planos de treino complicados, chega muitas vezes um hábito simples: levantar-se com regularidade e sair a andar. Uma nova investigação mostra que três momentos específicos do dia ajudam de forma especial a baixar a glicemia e a pôr o metabolismo em movimento.

Porque a caminhada lenta é um verdadeiro trunfo para a saúde

Muita gente associa “desporto” a treinos que fazem suar, halteres pesados ou treino de alta intensidade. Quem se vê como pouco atlético tende a ficar intimidado por isso e prefere manter-se no sofá - com consequências bem conhecidas: maior risco de doenças cardiovasculares, excesso de peso e problemas com a glicemia.

É precisamente aqui que entra o estudo, agora muito citado, da Universidade de Limerick, na Irlanda. Os investigadores observaram adultos que passam grande parte do dia sentados - ou seja, essencialmente trabalhadores de escritório, estudantes ou jogadores de videojogos. O objetivo era perceber o que acontece quando estas pessoas interrompem regularmente os períodos sentadas com pequenas fases de caminhada leve.

O foco não esteve, de forma alguma, no jogging nem no power walking, mas sim na caminhada de baixa intensidade. Isto é, o ritmo com que se acompanha uma colega, se passeia pelo supermercado ou se dá uma pequena volta com o cão.

"Mesmo pequenas fases de caminhada ligeira entre longos períodos sentados reduzem de forma significativa a glicemia e aliviam o coração e a circulação, segundo o estudo."

Os dados analisados sobre a saúde cardiometabólica - ou seja, coração, circulação, tensão arterial e metabolismo do açúcar - mostram-no claramente: quem se levanta com regularidade e anda durante alguns minutos está melhor do que quem passa horas praticamente sem se mexer.

Três momentos ideais: depois de cada refeição principal

Os resultados sobre a glicemia são particularmente interessantes. O que foi medido sobretudo foi a chamada glicemia pós-prandial, isto é, o valor após uma refeição. Quando sobe demasiado, a longo prazo isso sobrecarrega os vasos sanguíneos, o coração e o pâncreas.

A análise deixa uma recomendação clara: mexer-se depois de comer compensa. As caminhadas curtas mais eficazes são as que se fazem depois das três refeições principais do dia:

  • depois do pequeno-almoço
  • depois do almoço
  • depois do jantar

Segundo o estudo, quem anda um pouco após cada refeição reduz, em média, a glicemia cerca de 17 por cento em comparação com estar sentado sem interrupções. O fator decisivo é menos a duração de uma única caminhada e mais a repetição ao longo de todo o dia.

"Três caminhadas curtas por dia - sempre após as refeições - têm mais efeito na glicemia do que uma única sessão de exercício longa e contínua."

As pessoas com maior risco de diabetes tipo 2, ou com valores de açúcar já ligeiramente alterados, podem beneficiar especialmente desta prática. Mas mesmo quem é saudável consegue, assim, estabilizar o metabolismo e aliviar o pâncreas.

A meta dos 30 minutos: pequenos blocos em vez de maratona

Os investigadores irlandeses propõem um objetivo muito fácil de integrar no quotidiano: cerca de 30 minutos de caminhada distribuídos ao longo do dia. Importa sublinhar: não de uma só vez, mas divididos em várias pausas curtas.

Um possível esquema seria este:

  • 5–10 minutos de caminhada tranquila após o pequeno-almoço
  • 10–15 minutos de passeio após o almoço
  • 5–10 minutos de volta após o jantar

Desta forma, atinge-se cerca de meia hora de movimento sem que pareça “treino”. A frequência cardíaca sobe apenas ligeiramente, é possível conversar sem dificuldade e nem sequer é preciso roupa desportiva.

A vantagem desta estratégia é que encaixa também em dias muito preenchidos. Quem trabalha a partir de casa pode simplesmente sair a andar pelo bairro depois da refeição. No escritório, muitas vezes basta dar uma volta ao quarteirão ou subir e descer as escadas em vez de usar o elevador.

O que acontece no corpo quando se caminha logo depois de comer

Porque é que esta atividade curta após a refeição tem um efeito tão forte na glicemia? Quando se caminha, os músculos trabalham - e precisam de energia. Essa energia é retirada preferencialmente do açúcar que está a circular no sangue.

O resultado é o seguinte:

  • a glicemia após a refeição sobe de forma mais lenta e menos acentuada
  • as células ficam mais sensíveis à insulina
  • o pâncreas tem de libertar menos insulina
  • os vasos estão sob menos stress e os danos a longo prazo tornam-se menos prováveis

Quem fica sentado depois de comer, ou até se deita no sofá, perde esse efeito. O açúcar dispara mais depressa para cima e o corpo tem de reagir com mais força. Com o tempo, isso pode abrir caminho a um metabolismo do açúcar alterado.

Como integrar a caminhada num dia cheio

Uma coisa é a teoria, outra é a rotina agitada. Muitas pessoas perguntam-se: quando é que eu vou conseguir fazer isto? Alguns truques simples ajudam a encaixar os minutos de caminhada de forma natural.

Situação Ideia prática para caminhar
Trabalho em casa Definir um temporizador para 7 minutos depois de comer e sair logo a andar - à volta do prédio, pelas escadas, até à esquina mais próxima e voltar.
Trabalho de escritório Reservar 10 minutos da pausa de almoço para uma volta ao quarteirão e usar o resto para comer.
Vida familiar Depois do jantar, fazer com as crianças uma pequena “volta das lanternas” ou um passeio com o cão.
Compras / recados Sair uma paragem antes e fazer o resto a pé.
Noite de videojogos ou séries Entre dois episódios, ou depois de uma sessão de jogo, andar 5 minutos pelo prédio ou à volta de casa.

Muitas destas pequenas deslocações já fazem parte do dia. Quando são colocadas conscientemente logo após as refeições, o mesmo esforço passa a ser muito mais eficaz.

Para quem as caminhadas curtas são especialmente valiosas

O estudo irlandês concentrou-se sobretudo em pessoas que passam muito tempo sentadas. É precisamente este grupo que mais beneficia. Nele incluem-se, por exemplo:

  • trabalhadores de escritório
  • operadores de call center
  • programadores e programadoras
  • condutores de longo curso
  • estudantes em períodos de exames

Também as pessoas que lutam com excesso de peso, lidam com hipertensão ou têm casos de diabetes na família ganham com este novo padrão de movimento. Afinal, caminhar sobrecarrega menos as articulações do que correr, não exige equipamento caro e pode ser feito em quase todo o lado.

Riscos, limites e complementos úteis

A caminhada é considerada uma das formas de movimento mais seguras. Ainda assim, quem tiver problemas cardíacos graves, dores agudas ou doenças vasculares severas deve combinar primeiro o plano com uma médica ou um médico. Quem, por exemplo, sofre de tonturas fortes pode optar por percursos planos e conhecidos.

Quem quiser evoluir pode ajustar alguns pontos:

  • aumentar ligeiramente o ritmo, de forma a ainda conseguir falar, mas já não conversar descontraidamente
  • incluir pequenas subidas, como um declive ou um lanço de escadas
  • acrescentar, de vez em quando, caminhadas mais longas ao fim de semana

Também funciona bem combinar a caminhada com outras atividades suaves: treino de força leve com o peso do corpo, ciclismo ou natação. Assim, o corpo ganha massa muscular, que por sua vez consome mais energia em repouso e apoia igualmente o metabolismo do açúcar.

Porque é que pequenos passos podem mudar tanto

Muitos planos de saúde falham porque são demasiado grandes e demasiado radicais. Três caminhadas curtas por dia parecem pouco impressionantes - mas é precisamente isso que as torna tão poderosas. Não exigem passado desportivo, nem equipamento especial, nem inscrição no ginásio.

O essencial é a rotina. Quem cria o hábito de andar pelo menos alguns minutos depois de cada refeição vai, com o tempo, construindo uma proteção sólida para o coração, os vasos sanguíneos e o metabolismo. Um simples gesto de pegar nos sapatos pode, assim, tornar-se na decisão de saúde mais eficaz do dia.

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