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NERVIR defende estratégia regional para Trás-os-Montes e Alto Douro com discriminação positiva para o Interior

Mulher a apresentar mapas e gráficos numa mesa ao ar livre com paisagem de vinhas e rio ao fundo.

A liderança associativa empresarial defende uma estratégia à escala regional, com discriminação positiva para o Interior, a criação de uma agência dedicada à captação de novos investidores e um envolvimento mais ativo da diáspora.

A Região de Trás-os-Montes e Alto Douro vive uma fase decisiva do seu percurso económico e social. Com a NERVIR – Associação Empresarial de Vila Real a coordenar o processo, está a ser preparada uma nova linha de ação para aproximar empresas e autarquias e fazê-las atuar em conjunto. A ambição passa por atrair investimento, gerar emprego qualificado e estancar a saída de jovens com competências.

Este compromisso estará no centro do II Fórum Empresarial do Douro, marcado para quarta-feira, 20 de maio de 2026, na Casa de Mateus. O dia termina com uma gala empresarial em Alijó.

Estratégia regional da NERVIR para o Interior

Mário Rodrigues, presidente da NERVIR, descreve o momento como urgente e sustenta que a região “não tem mais margem de erro ou de espera”. Na sua perspetiva, o futuro do território depende de colocar o investimento privado no centro da equação, sublinhando que “têm de ser as empresas, o investimento privado a alavancar a região”. A abordagem pretende reduzir a dependência exclusiva de subsídios ou de iniciativas do Estado e reforçar a capacidade produtiva instalada.

Fragmentação institucional

Entre os obstáculos identificados surge a fragmentação institucional. Embora recuse a ideia de que municípios e empresas estejam “de costas voltadas”, reconhece que o “trabalho em rede” ainda está aquém do necessário.

Para responder a essa falha, está a avançar a constituição de uma agência de investimento regional, que irá juntar, numa primeira fase, sete municípios: Vila Real, Vila Pouca de Aguiar, Murça, Alijó, Sabrosa, Santa Marta de Penaguião e Peso da Régua. O objetivo é ganhar escala e consistência, porque “não faz sentido cada um por si estar a fazer um trabalho de atração de novas empresas” quando uma estratégia coletiva tende a ser mais robusta e duradoura.

Neste contexto, as autarquias são vistas como determinantes na criação de condições de base, desde processos de licenciamento mais rápidos até à disponibilização de áreas industriais adequadas. Ainda assim, o esforço local precisa de suporte ao nível nacional. A NERVIR defende políticas públicas de discriminação positiva que atribuam “vantagens competitivas relevantes” ao Interior. Medidas isoladas, como a redução de portagens, são consideradas úteis, mas insuficientes se não fizerem parte de um “plano estratégico” mais amplo que torne Vila Real ou Alijó opções mais atrativas para o capital do que outras zonas do país.

Diáspora, fileiras e necessidade de cluster

A associação empresarial aponta a diáspora duriense e transmontana como um recurso “importantíssimo”. Para a NERVIR, estes naturais da região, hoje espalhados pelo Mundo, podem funcionar como embaixadores do território e como canais de contactos e conhecimento. Há, além disso, quem queira regressar, mas esse retorno exige oportunidades concretas, viáveis e com continuidade.

Quanto às apostas setoriais, mantém-se o foco na fileira agroalimentar - vinho, azeite e fumeiro - e no turismo de qualidade. Ainda assim, Mário Rodrigues salienta que é indispensável diversificar e promover a verticalização das indústrias.

A região, acrescenta, precisa de um “cluster instalado” e de empresas de serviços de suporte, como vidro, rótulos e embalagens. A inexistência de uma rede de fornecedores sólida em torno das maiores indústrias torna o tecido económico mais vulnerável: “se amanhã uma grande empresa sair daqui, não fica nada à volta”.

A logística continua a ser um constrangimento, agravado pela falta de escala empresarial, que aumenta os custos de transporte, sobretudo na distribuição com temperatura controlada. A isto soma-se uma “barreira psicológica” associada ao Marão. Apesar de a região ficar a menos de uma hora de centros como Porto ou Braga, essa proximidade ainda não é plenamente interiorizada, o que reforça a necessidade de melhorar, com urgência, a comunicação regional.

O resultado desta estratégia será avaliado pela evolução dos indicadores demográficos ao longo dos próximos dez anos, com a fixação de jovens talentos assumida como prioridade.

Conferência vai perspetivar próxima década

O II Fórum Empresarial do Douro realiza-se quarta-feira, 20 de maio, na Casa de Mateus, em Vila Real, e terá como mote “50 anos do Poder Local - Empresas, Municípios, Economia”. O arranque está previsto para as 9.30 horas, com intervenções de Mário Rodrigues, presidente da NERVIR, Alexandre Favaios, presidente da Câmara de Vila Real, e Rafael Barbosa, diretor do JN.

A iniciativa reúne autarcas, empresários, responsáveis institucionais e representantes da diáspora, com o objetivo de discutir a coesão territorial e a mobilização de talento e investimento para a região. Silvério Regalado, secretário de Estado da Administração Local, Álvaro Beleza, presidente da SEDES, e Álvaro Santos, presidente da CCDR-N, estão entre os nomes de maior projeção supramunicipal.

Entre os tópicos em evidência contam-se a competitividade na próxima década, o papel das empresas no desenvolvimento regional e o contributo da diáspora. O encerramento está apontado para as 16.30 horas, seguindo-se, às 21 horas, a Gala Empresarial, no Teatro Auditório Municipal de Alijó.

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