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Citação do dia de Albert Einstein: O ser humano faz parte de um Todo, que chamamos de Universo.

Jovem a pensar e olhar para o céu enquanto estuda astronomia numa esplanada ao pôr do sol.

O elétrico ia cheio, toda a gente de olhos postos em retângulos luminosos, cada um fechado no seu pequeno universo. Um adolescente à minha frente passava vídeo atrás de vídeo, com o polegar a mover-se tão depressa que parecia automático. Uma mulher de casaco azul-marinho segurava um saco de compras, perdida nos pensamentos, sem realmente ver nada para lá da janela. Eu não estava melhor, alternando entre e-mails e uma conversa deixada a meio.

Então ergui os olhos e reparei no céu. Uma enorme mancha de luz laranja derramava-se sobre os prédios, absurda e suave, como se estivesse a bater no vidro para dizer: “Ei, olha para cima.”

Foi aí que me voltou à memória a frase de Einstein: “Um ser humano é parte de um todo, a que chamamos Universo.”

Por um instante, o elétrico pareceu outra coisa completamente diferente.

“Parte de um todo”: o que Einstein estava realmente a dizer

Quase se consegue ouvir Einstein a suspirar quando fala do ser humano como parte de um todo. Não estava apenas a ser poético. Estava a dar nome a uma sensação que raramente admitimos em voz alta: esta solidão discreta que coexistente com a noção de estarmos ligados a algo maior.

Passamos os dias a defender a pequena bolha chamada “eu”. O meu trabalho, o meu feed, os meus problemas. E, no entanto, sempre que um desconhecido segura a porta, ou um amigo manda mensagem exatamente no momento em que precisávamos, abre-se uma pequena fissura nessa bolha. E algo de partilhado entra por ali.

Normalmente, fazemos scroll e seguimos em frente. Einstein parou nesse instante.

Pensa na última vez que estiveste num estádio, num concerto, ou até num simples jogo do bairro. Um golo, um refrão, uma nota final - e milhares de pessoas mexeram-se como se tivessem ensaiado. Ninguém distribuiu um guião.

Ou lembra-te daquele dia estranho no início da pandemia em que cidades inteiras foram para as varandas a bater palmas aos enfermeiros. Pessoas que nunca tinham falado entre si olharam para os vizinhos e acenaram, como quem diz: “Estamos juntos nisto, certo?”

Estas cenas não parecem vida normal. Parecem momentos em que o pano se levanta e, só por um instante, conseguimos ver o “todo” de que Einstein falava.

Einstein, que passava os dias a pensar no espaço-tempo e em forças invisíveis, sabia que a nossa sensação quotidiana de separação é uma espécie de ilusão útil. Precisamos de um sentido de “eu” para sobreviver, escolher e agir. Mas, se levamos essa ideia longe de mais, começamos a sentir-nos desligados do mundo que, na verdade, nos sustenta.

Quando ele diz que um ser humano é parte de um todo, está a lembrar-nos de que cada respiração, cada batimento cardíaco, cada pensamento acontece dentro de um sistema mais vasto. O teu corpo é feito de átomos forjados nas estrelas. As tuas ideias crescem a partir de línguas que não inventaste. Os teus estados de espírito são moldados por pessoas que talvez nunca venhas a conhecer, em lugares onde talvez nunca ponhas os pés.

Estamos menos isolados do que a nossa mente gosta de fingir.

Da citação abstrata à prática diária

As grandes ideias ficam bem num cartaz, mas só mudam a tua vida quando aparecem em pequenos gestos. Uma forma concreta de viver a frase de Einstein é treinares-te para procurar ligação nos momentos banais.

Da próxima vez que estiveres numa fila, deixa o olhar repousar nas pessoas sem as julgar. Nada de forma estranha, apenas como uma experiência silenciosa. Aquela barista? É filha de alguém. Aquele homem cansado com um casaco fluorescente? Provavelmente arranjou hoje qualquer coisa de que nunca te vais aperceber.

Se te sentires com coragem, diz uma frase a mais do que o habitual. “Como está a correr o dia?” “Boa playlist.” Frases minúsculas, mas que puxam fios invisíveis.

A maior parte de nós deseja isto em segredo, mas hesita. Temos medo de parecer estranhos, de ser rejeitados, ou simplesmente ignorados. Dizemos a nós próprios que estamos ocupados demais, ou que as pessoas não querem ser incomodadas.

E, no entanto, repara em ti num dia em que alguém te vê de verdade. O motorista do autocarro que espera aqueles três segundos extra. O colega que diz: “Ontem pareceste um pouco em baixo, estás melhor?” Todo o teu sistema nervoso muda. Por um breve instante, o teu “eu” relaxa dentro do “nós”.

Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias sem falhar. Ficamos cansados. Recolhemo-nos. Respondemos mal e depois arrependemo-nos. Isso também é humano. Mas, de cada vez que te lembras do “todo”, fazes uma reparação microscópica no tecido social à tua volta.

“Um ser humano é parte de um todo, a que chamamos Universo, uma parte limitada no tempo e no espaço. Ele experiencia-se a si mesmo, os seus pensamentos e sentimentos, como algo separado”

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