Durante anos, as túlipas foram vistas como estrelas intocáveis da primavera - mas agora uma flor antiga, quase esquecida, com flores densas em forma de pompom, começa a ganhar destaque.
Em muitos jardins da frente, hortas urbanas e floreiras de varanda, esta primavera está a ser diferente: os jardineiros amadores recorrem menos às túlipas e escolhem antes uma planta ornamental histórica, que floresce durante mais tempo, parece mais resistente e, em ramos, tem um aspeto quase luxuoso. Quem passa atualmente por centros de jardinagem percebe rapidamente: outra diva da primavera está a tomar conta da cena.
Porque é que muitos jardineiros estão a deixar as túlipas de lado
As túlipas continuam a ter admiradores - sem dúvida. As cores são intensas e a variedade é enorme. O problema surge todos os anos na mesma altura: a floração dura apenas uma ou duas semanas. Basta uma chuvada mais forte ou um dia repentino de calor, e os cálices vistosos acabam desfeitos no canteiro.
Além disso, muitas variedades não se mantêm bem no solo durante muito tempo. Os bolbos vão-se esgotando, rebentam cada vez com menos força, e quem quiser todos os anos um mar de cor com túlipas tem de voltar a comprar. Isso pesa na carteira e incomoda especialmente quem quer um jardim mais sustentável e fácil de manter.
É precisamente aqui que a ranúnculo se destaca: floração mais longa, pompons densos, versatilidade no canteiro e excelente desempenho em jarra.
Por isso, a ranúnculo asiática (Ranunculus asiaticus) está a atrair cada vez mais atenção. As suas flores densamente dobradas lembram mini peónias, suspensas em caules delicados acima da folhagem. Plantada em grupos, cria um efeito quase opulento - mas sem as exigências de uma verdadeira diva.
A “flor-pompom”: o que torna a ranúnculo asiática tão especial
A ranúnculo é originária da região oriental do Mediterrâneo, mas já era cultivada em jardins palacianos europeus nos séculos XVI e XVII. Hoje está a viver uma espécie de regresso, sobretudo em França - e começa agora a conquistar também os jardins alemães.
Floração, cores e efeito no canteiro
Quem conhece túlipas costuma ficar surpreendido com a flor da ranúnculo: cada flor é composta por inúmeras pétalas muito juntas. Conforme a variedade, a cabeça floral parece um pompom redondo ou uma pequena peónia perfeitamente construída.
- Floração: normalmente de maio até junho
- Cores: do branco puro ao alperce, rosa, amarelo, laranja e vermelho-escuro
- Formas: simples, semidobradas ou muito dobradas
- Utilização: no canteiro, em vaso, na varanda, como flor de corte
Enquanto muitas túlipas desaparecem já a meio de abril, as ranúnculos continuam muitas vezes a florir quando o início do verão já se faz sentir. Em canteiros mistos, funcionam assim como uma ponte importante entre os clássicos bolbosos de primavera e as rosas, herbáceas perenes ou flores de verão.
Os tons pastel são especialmente apreciados, porque combinam bem com jardins naturais mais modernos. Em conjunto com violetas-cornudas, miosótis ou gramíneas baixas, criam um conjunto de aspeto espontâneo e ligeiramente romântico - embora, na verdade, seja tudo bastante bem pensado.
Época de plantação: quando colocar a ranúnculo na terra
A ranúnculo asiática cresce a partir de pequenas estruturas chamadas “garras” - tubérculos secos, castanhos, com vários “dedos”, frequentemente vendidos em saquinhos nas lojas. Quem os vê pela primeira vez muitas vezes duvida: será mesmo daqui que vai nascer uma floração exuberante?
O segredo está no momento certo e numa boa preparação.
Melhor janela no início da primavera
Na maioria das regiões, o ideal é entre março e meados de abril. Nessa altura, o solo já aqueceu ligeiramente, mas continua fresco o suficiente para que os tubérculos não sequem.
- Deixar as garras de molho em água morna durante 12 horas.
- Abrir covas com cerca de 5 centímetros de profundidade.
- Colocar as garras com os “dedos” virados para baixo.
- Cobrir com terra solta e pressionar ligeiramente.
- Deixar cerca de 15 centímetros de distância entre as plantas.
Este processo de hidratação ajuda a planta a arrancar mais depressa. Muitos jardineiros dizem que os rebentos aparecem de forma mais rápida e uniforme quando este passo não é ignorado.
Quem vive numa zona de clima ameno pode plantar as ranúnculos também no outono, tal como se faz com as túlipas. Nesse caso, a floração tende a surgir mais cedo. O problema aparece em períodos de geada prolongada ou muito intensa, já que os tubérculos não toleram bem a humidade acumulada em solo gelado. Um terreno bem drenado e uma proteção leve de inverno, por exemplo com folhas secas, reduzem bastante o risco.
Como cuidar das ranúnculos para obter almofadas de flores durante meses
As ranúnculos não são consideradas especialmente difíceis, mas são sensíveis a dois extremos: excesso de água e terra completamente seca. Quem consegue o equilíbrio certo desfruta delas durante muito tempo.
O local certo e o solo adequado
O ideal é um local com sol ou meia-sombra, onde as plantas apanhem sol de manhã ou ao fim da tarde, sem sofrerem demasiado com o calor do meio-dia. Em sombra total até podem formar folhas, mas produzem claramente menos flores.
No que diz respeito ao substrato, vale a pena prestar atenção à composição:
- terra de jardim solta e rica em húmus
- um pouco de areia ou gravilha fina para melhorar a drenagem
- composto como fonte de nutrientes, em vez de adubo mineral
Em vasos e floreiras, uma camada de drenagem com cacos de barro ou argila expandida ajuda bastante. Assim evita-se que a água fique acumulada no fundo e faça apodrecer os tubérculos.
Regar, cobrir, cortar: a prática no dia a dia
As ranúnculos gostam de humidade ligeira e regular. Um erro comum é regar em excesso por receio de que as plantas sequem. O mais sensato é fazer o simples teste do dedo: se a camada superior da terra estiver seca, é altura de regar. Se ainda estiver ligeiramente húmida, pode esperar-se mais um pouco.
Uma camada fina de cobertura morta com relva cortada e seca, casca triturada ou palha reduz a evaporação. Isto é especialmente útil em varandas ventosas - a terra seca mais devagar e as plantas sofrem menos stress.
Quem retira regularmente os caules já murchos estimula a formação de novos botões e prolonga bastante a floração.
Para a jarra, os caules devem ser cortados quando as flores ainda estão ligeiramente fechadas, mas já bem coloridas. Num ambiente fresco, abrem-se aos poucos, duram frequentemente uma semana ou mais e, graças à forma cheia, têm um aspeto muito elegante - uma das razões pelas quais os floristas trabalham com ranúnculos há anos.
O que acontece depois da floração - e como aproveitar as ranúnculos durante vários anos
Depois da época principal, a folhagem começa a amarelecer gradualmente. Não é bonito de ver, mas é uma fase importante para a planta: é neste momento que ela recolhe nutrientes de volta para os tubérculos e prepara a base para o ano seguinte.
Em regiões amenas e com solo bem drenado, muitos jardineiros deixam simplesmente os tubérculos no chão. Já em locais com solos pesados ou invernos rigorosos, compensa seguir outra estratégia: desenterram-se os tubérculos, guardam-se num local seco, fresco e arejado - por exemplo numa caixa com areia ou papel de jornal - e voltam a plantar-se na primavera seguinte.
Combinar ranúnculos com inteligência
Quem não quiser abdicar totalmente das túlipas pode juntar as duas plantas de forma inteligente. As túlipas garantem apontamentos fortes de cor no início da primavera, e as ranúnculos entram depois em cena para preencher os espaços que vão surgindo.
Parceiros populares no canteiro incluem, por exemplo:
- violetas-cornudas e amores-perfeitos para tapetes coloridos
- miosótis como fundo azul delicado
- pequenas gramíneas ornamentais para dar leve movimento ao vento
- cravos perfumados ou ervas aromáticas de porte baixo nas bordaduras
Assim nasce um jardim de primavera em várias camadas, que de março a junho não “acaba” de repente, mas vai mostrando sempre algo novo.
O que os iniciantes ainda devem saber sobre as ranúnculos
A ranúnculo asiática, tal como muitas plantas da família dos ranúnculos, não é comestível. As crianças e os animais de estimação não devem mexer nos tubérculos, porque a seiva pode ser irritante. No canteiro isso raramente é um problema, mas num jardim em vasos ao nível do chão convém estar atento.
Para quem tem pouco espaço, as ranúnculos em vaso são uma ótima opção. Um único vaso grande de terracota com dez a doze garras pode dar à varanda o aspeto de um ramo inteiro plantado diretamente no recipiente. Quem plantar por fases - por exemplo, com intervalos de duas semanas - consegue ainda prolongar a floração e evitar que todas as plantas murchem ao mesmo tempo.
É precisamente isso que muitos jardineiros amadores apreciam nesta “nova velha” flor: tem um ar sofisticado, quase luxuoso, mas cuida-se com meios simples. Quem até agora associava a primavera apenas a túlipas, narcisos e jacintos, encontrará na ranúnculo asiática uma surpresa extremamente generosa - e percebe rapidamente porque é que tantos canteiros este ano parecem mais um mar de pompons do que o clássico campo de túlipas.
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