A Lockheed Martin revelou um drone subaquático de versatilidade impressionante, chamado Lamprey, concebido para se fixar a navios, permanecer oculto no fundo do mar e lançar tanto torpedos como drones aéreos, apontando para uma mudança marcante na forma como futuras batalhas navais poderão ser travadas.
Uma arma submarina que muda de função
A Lockheed descreve o Lamprey como um “veículo subaquático autónomo multi-missão” - em termos simples, um grande submarino não tripulado capaz de assumir diferentes funções conforme a necessidade.
O veículo foi desenvolvido em torno de um compartimento de carga útil com 24 pés, dando aos engenheiros espaço para trocar armamento, sensores e equipamento especializado consoante a missão.
O Lamprey pode operar desde o fundo do mar até à superfície, alternando entre vigilância, ataque e apoio a outras forças sem qualquer tripulação a bordo.
A empresa afirma que o Lamprey pode permanecer durante longos períodos no leito oceânico, tirando partido da profundidade para se manter discreto, e depois subir em direção à superfície quando chega o momento de empregar armas ou lançar drones para o ar.
Fixação a navios para energia e dissimulação
Uma das características mais marcantes do Lamprey está sugerida no próprio nome: tal como o peixe parasita, consegue prender-se a um hospedeiro.
A Lockheed diz que o drone pode ligar-se fisicamente a um navio para recarregar as baterias, transformando essa embarcação numa estação de carregamento móvel.
Ao prender-se a um navio hospedeiro, o Lamprey recarrega as baterias enquanto se mantém escondido à vista de todos, sob a linha de água.
Esta capacidade de fixação faz mais do que aumentar a autonomia. Também oferece camuflagem. Os sensores de um adversário podem detetar apenas um navio, e não o drone subaquático adicional que segue agarrado ao casco.
A partir daí, o Lamprey pode soltar-se discretamente, afastar-se para patrulhar uma área e, mais tarde, regressar ao mesmo navio ou a outro diferente para obter energia e transferir dados.
Armado para combate subaquático e à superfície
O Lamprey não foi pensado apenas como plataforma de reconhecimento. Foi projetado como um sistema de armas por direito próprio.
Torpedos e engodos sob as ondas
Debaixo de água, o drone pode lançar torpedos antissubmarino destinados a atingir submarinos inimigos ou, potencialmente, pequenas embarcações de superfície.
Também pode libertar engodos, dispositivos que imitam a assinatura sonora ou o perfil de radar de um navio ou submarino real, desviando armas inimigas em aproximação ou confundindo sensores.
- Torpedos antissubmarino: atacam submarinos inimigos a distância de segurança.
- Engodos: atraem ou iludem torpedos inimigos e sistemas de sonar.
- Equipamento de vigilância do fundo marinho: recolhe informações a partir do leito oceânico.
Estas opções transformam o Lamprey numa espécie de caixa de ferramentas subaquática: por vezes é atacante, por vezes guarda-costas, por vezes observador silencioso.
Drones aéreos lançados a partir do mar
À superfície ou perto dela, o Lamprey revela outra capacidade. Segundo a Lockheed, consegue lançar veículos aéreos não tripulados para o ar.
Esses drones aéreos poderão ser usados em reconhecimento, procurando navios, posições costeiras ou baterias de mísseis para lá do horizonte.
Poderão também executar “ataques cinéticos”, expressão que normalmente se refere ao lançamento de munições ou à orientação de armas de precisão sobre um alvo.
A partir de uma única plataforma subaquática, os comandantes poderão atribuir ao Lamprey a missão de atingir um submarino, vigiar uma costa e lançar um pacote de ataque aéreo.
Autonomia, enxames e guerra em rede
A Lockheed sublinha que o Lamprey opera de forma autónoma, tomando muitas decisões por si dentro dos parâmetros definidos por comandantes humanos.
A empresa afirma que o drone pode atuar em enxame, coordenando-se com outros sistemas não tripulados no mar, no ar ou até no espaço.
Na prática, um grupo de Lampreys poderia patrulhar um ponto de estrangulamento como um estreito, partilhando dados de sonar e radar, distribuindo alvos e alternando ciclos de recarga com navios próximos.
Os sensores avançados a bordo foram concebidos para vigilância tanto à superfície como no meio submerso, enviando informações através de ligações de dados seguras.
Financiado internamente e desenvolvido com rapidez
A Lockheed destaca que o Lamprey foi desenvolvido com fundos próprios da empresa, e não como um projeto tradicionalmente liderado pelo governo.
Isso permite prototipagem mais rápida e alterações frequentes, já que a empresa não precisa de passar pelo processo completo de aquisição militar sempre que introduz ajustes no design.
A Lockheed afirma que o autofinanciamento permitiu aos engenheiros iterar “à velocidade da luz” e apresentar à Marinha dos EUA um sistema multi-missão pronto a usar.
Para a Marinha, isso pode traduzir-se num intervalo mais curto entre o conceito e a entrada em serviço, embora o ramo ainda tenha de realizar os seus próprios testes antes de qualquer implementação em larga escala.
Porque é que o Lamprey importa para a guerra naval do futuro
A utilização crescente de sistemas não tripulados no mar reflete o que já aconteceu no ar e em terra.
À medida que o alcance dos mísseis aumenta e os satélites acompanham movimentos em tempo real, os navios de guerra tripulados que operam perto de costas hostis enfrentam riscos cada vez maiores.
Grandes veículos subaquáticos autónomos como o Lamprey oferecem uma abordagem diferente. Podem avançar à frente de uma frota, reconhecendo rotas, cartografando campos de minas ou preparando emboscadas contra submarinos inimigos sem colocar marinheiros diretamente em perigo.
Podem também complicar o planeamento do adversário. Uma marinha rival terá de assumir que qualquer navio importante pode ter Lampreys ou drones semelhantes presos ao casco ou a operar nas proximidades, transportando torpedos ou drones aéreos em espera.
| Característica | Função |
|---|---|
| Fixação a navios | Recarga, ocultação e transferência de dados |
| Compartimento de carga útil de 24 pés | Armas e sensores modulares para várias missões |
| Torpedos e engodos | Guerra antissubmarina e proteção de navios aliados |
| Drones lançados para o ar | Reconhecimento e ataques de precisão a partir do mar |
| Operações em enxame | Missões coordenadas com outros sistemas não tripulados |
Termos-chave e cenários reais
A expressão “veículo subaquático autónomo” levanta muitas vezes dúvidas sobre o controlo. Na prática, estes sistemas seguem regras definidas em software e comunicam regularmente com operadores humanos através de ligações acústicas ou por satélite.
Podem receber instruções para patrulhar uma área delimitada, evitar certas zonas ou só ativar armamento quando recebem um código específico de um navio ou de uma estação em terra.
Numa crise no Mar Báltico, por exemplo, uma marinha poderia enviar vários Lampreys à frente de um grupo naval. Um poderia manter-se junto ao fundo do mar, largando sensores acústicos para detetar submarinos. Outro poderia permanecer próximo de uma fragata aliada, pronto para servir como carregador adicional de torpedos. Um terceiro poderia deslocar-se perto da superfície, à espera do sinal para lançar pequenos drones de reconhecimento sobre costas disputadas.
Também existem riscos claros. As armas autónomas levantam debates legais e éticos sobre responsabilidade caso algo corra mal. A navegação em águas costeiras congestionadas já é difícil para navios tripulados, e a introdução de veículos não tripulados acrescenta ainda mais complexidade.
Por outro lado, sistemas não tripulados como o Lamprey reduzem a necessidade de enviar submarinos tripulados para zonas fortemente defendidas, podendo diminuir o número de baixas num conflito.
Para os estados costeiros, a disseminação desta tecnologia poderá levá-los a investir mais em sensores subaquáticos, campos de minas e aeronaves antissubmarino, à medida que a fronteira entre um fundo do mar aparentemente calmo e um campo de batalha ativo se torna muito mais ténue.
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