A Igreja Católica da Venezuela pediu que sejam esclarecidas e atribuídas responsabilidades criminais pela morte do preso político e opositor Víctor Hugo Quero Navas, em 2025, situação que o Governo de Caracas reconheceu esta semana.
Reacção da Conferência Episcopal Venezuelana
Num comunicado tornado público no domingo, Dia da Mãe, a Conferência Episcopal Venezuelana (CEV) afirmou sentir "profunda consternação e tristeza" pela morte de Quero Navas, admitida apenas após meses de procura por parte da sua mãe, Carmen Navas.
A CEV expressou solidariedade para com Carmen Navas, sublinhando que a mãe "personifica o sofrimento de tantas famílias venezuelanas".
“\"A sua busca incansável, marcada pelo assédio e pela incerteza, é um clamor aos céus. A Igreja solidariza-se com a dor daqueles que procuram a verdade no meio da opacidade institucional\"”, declarou a organização católica.
Ainda no mesmo texto, a conferência recordou que o Estado "tem o inegável dever moral e legal de garantir a vida e a integridade física daqueles que são privados da sua liberdade".
Apelos ao Ministério Público, à Provedoria e a peritos internacionais
A organização católica apelou ao Ministério Público - que já abriu diligências e determinou a exumação do corpo de Quero Navas - e à Provedoria do Povo para que passem a "agir com verdadeira autonomia e independência".
"É fundamental apurar as responsabilidades criminais e administrativas dos funcionários que, por ação ou omissão, permitiram que um jovem venezuelano morresse esquecido, sem acesso à sua família e privado do devido processo legal", refere o comunicado.
O corpo de Quero Navas foi exumado na sexta-feira pelas autoridades venezuelanas, depois de o Governo ter reconhecido na quinta-feira a sua morte, ocorrida há dez meses.
A CEV também pediu a especialistas internacionais que “validassem as conclusões [da exumação] para esclarecer a verdade, determinar a responsabilidade criminal pelo desaparecimento forçado e pôr fim à crueldade institucional que revitimiza” a mãe.
O comunicado assinala como "sinais de falta de transparência e probidade" o facto de o recluso político "ter falecido em julho de 2025, enquanto o Estado fornecia informações contraditórias à sua família".
"O facto de o seu paradeiro ter sido negado em instalações como El Rodeo I, mesmo após a sua morte, constitui uma grave violação da ética pública. Este ocultamento deliberado configura elementos de desaparecimento forçado, um crime que a justiça não pode nem deve ignorar", afirmou a CEV.
Versão oficial sobre a detenção e a morte de Víctor Hugo Quero Navas
Segundo o Ministério do Serviço Penitenciário venezuelano, Quero estava detido na prisão El Rodeo I, nos arredores de Caracas, desde 03 de janeiro de 2025. O organismo indicou ainda que, a 15 de julho, foi transferido para um hospital, depois de apresentar "hemorragia digestiva superior e síndrome febril aguda".
De acordo com a nota oficial, morreu quase dez dias mais tarde, devido a "insuficiência respiratória aguda secundária a tromboembolismo pulmonar".
O ministério sustentou igualmente que, durante o período em que esteve preso, Quero "não forneceu dados sobre laços familiares e nenhum familiar se apresentou para solicitar uma visita formal".
Reacção da oposição venezuelana
Na sexta-feira, a líder da oposição venezuelana e Prémio Nobel da Paz María Corina Machado exigiu a libertação de todos os presos políticos no país "antes que morram mais".
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário