O porta-aviões de propulsão nuclear USS Nimitz (CVN-68) regressou aos Estados Unidos depois de concluir o seu derradeiro destacamento operacional no Pacífico, encerrando uma fase determinante num percurso de mais de cinquenta anos de serviço e abrindo caminho para o seu próximo retiro. Navio-líder da classe homónima, chegou a Bremerton, no estado de Washington, após quase nove meses de operações contínuas e depois de escalas anteriores em Pearl Harbor e em San Diego.
Incorporado ao serviço em 1975 e actualmente o porta-aviões mais antigo da frota de superfície norte-americana, o USS Nimitz tinha saído de San Diego a 7 de dezembro, após desembarcar elementos do seu grupo de ataque e da Ala Aérea Embarcada 17. A chegada a Bremerton assinala o arranque formal da transição para a sua retirada definitiva do serviço activo.
USS Nimitz (CVN-68): fim de um ciclo na frota
O regresso a território norte-americano surge no final de uma longa carreira operacional e, agora, dá início ao processo que conduzirá à sua desactivação. O percurso final incluiu paragens em pontos-chave do Pacífico, antes da atracagem em Bremerton, onde começa a etapa administrativa e técnica que precede a saída de serviço.
Último ano de operações
O último destacamento do Nimitz teve início a 26 de março, quando largou da Baía de San Diego sem cerimónias, para cumprir missões sob a área de responsabilidade do Comando do Indo-Pacífico dos EUA (INDOPACOM). Em abril, o Grupo de Ataque do USS Nimitz efectuou uma escala em Guam, durante a qual foi dado como desaparecido um marinheiro afecto ao grupo. A Marinha suspendeu as buscas ao fim de cinco dias, sem resultados.
Depois disso, o porta-aviões operou no Mar das Filipinas, onde realizou exercícios em conjunto com um contratorpedeiro da Japan Maritime Self-Defense Force. A meio de maio, o grupo de ataque deslocou-se para as proximidades do estreito de Malaca, seguindo-se uma escala operacional na Malásia, antes de retomar as actividades no Mar do Sul da China.
Em junho, o USS Nimitz foi redireccionado para o Médio Oriente, actuando lado a lado com o Grupo de Ataque do porta-aviões USS Carl Vinson. O grupo do Nimitz entrou no Mar Arábico no mesmo dia em que os EUA lançaram ataques contra três instalações nucleares iranianas, no âmbito da Operation Midnight Hammer. O USS Carl Vinson saiu da região em julho, ao passo que o Nimitz continuou destacado sob o Comando Central dos EUA (CENTCOM).
Em agosto, o porta-aviões visitou Barém, numa deslocação que constituiu a primeira escala de um porta-aviões norte-americano naquele país em cinco anos. Depois de aproximadamente três meses no Médio Oriente, o grupo de ataque passou pelo estreito de Singapura e regressou ao Indo-Pacífico, onde se manteve até ao final do destacamento.
Incidentes durante o destacamento
A missão decorreu com incidentes relevantes. Enquanto operava no Mar do Sul da China, um caça F/A-18F Super Hornet e um helicóptero MH-60R Sea Hawk, ambos atribuídos ao Grupo de Ataque do USS Nimitz, despenharam-se no mar com apenas 30 minutos de intervalo, a 26 de outubro. Em ambas as ocorrências, as tripulações foram resgatadas com vida. As aeronaves foram recuperadas no início de dezembro.
Regresso aos EUA e processo de retiro
Na etapa final até à costa oeste, o USS Nimitz fez escala em Pearl Harbor, no Havai, seguindo depois para San Diego e, por fim, para Bremerton. De acordo com o planeamento da Marinha, o porta-aviões será, mais tarde, transferido para a costa leste dos EUA, onde se realizará o seu descomissionamento.
O regresso do Nimitz coincide com o destacamento do USS George Washington (CVN-73), que assumiu temporariamente a presença naval norte-americana no Mar do Sul da China, embora mais tarde se tenha deslocado para Guam, deixando a região sem um porta-aviões operacional dos EUA.
Com mais de cinco décadas de serviço, o USS Nimitz entra agora num processo de saída planeado desde 2024. A retirada deste navio, com 333 metros de comprimento e cerca de 100.000 toneladas de deslocamento, coloca à Marinha norte-americana um desafio técnico, industrial e orçamental, e assinala o fecho de um ciclo central na história dos porta-aviões nucleares dos EUA.
Imagem de capa obtida junto da Marinha dos EUA.
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