Operação de seguimento ao submarino Krasnodar
A Marinha Real Britânica realizou uma operação de acompanhamento com a duração de três dias para monitorizar a deslocação do Krasnodar, um submarino de ataque da Marinha russa da classe Kilo II, durante a travessia do Mar do Norte, do Estreito de Dover e do Canal da Mancha. A manobra foi executada em coordenação com aliados da NATO e enquadra-se nas medidas do Reino Unido para manter a segurança marítima perante o aumento da actividade russa na região.
Meios britânicos envolvidos e coordenação com a NATO
Segundo a Marinha Real Britânica, a vigilância ao submarino foi assegurada por um helicóptero Merlin do 814.º Esquadrão Aéreo Naval e pelo navio logístico RFA Tidesurge, que também acompanhou o rebocador russo Altay. Ao longo de toda a missão, o helicóptero manteve-se embarcado no RFA Tidesurge, pronto para iniciar acções anti-submarino caso o Krasnodar mergulhasse. Ainda assim, o submarino navegou à superfície, apesar das condições meteorológicas desfavoráveis.
Declarações durante a missão
O comandante do RFA Tidesurge, capitão James Allen, afirmou: “Não há nada como um submarino russo para concentrar a mente de qualquer marinheiro. O nosso trabalho ao longo de três dias envolveu o espírito de equipa e o profissionalismo de toda a guarnição do RFA Tidesurge, do ‘Voo Atlântico’ do 814.º Esquadrão Aéreo Naval e a interoperabilidade com aliados regionais da NATO. Trabalhámos em conjunto como demonstração de presença e dissuasão enquanto transitávamos do Mar do Norte em direcção ao Canal da Mancha.”
Por seu lado, o capitão-tenente David Emery, responsável pelo Voo Atlântico do 814.º Esquadrão Aéreo Naval, declarou: “Manter uma presença visível e uma vigilância contínua de embarcações russas em águas do Reino Unido é vital para a segurança nacional. A flexibilidade e o profissionalismo da guarnição do RFA Tidesurge permitem-nos projectar o nosso helicóptero para qualquer local, de dia ou de noite, no ambiente marítimo.”
A Marinha Real Britânica manteve o seguimento até o submarino e o rebocador chegarem ao noroeste de França, nas proximidades da ilha de Ouessant, ponto em que a vigilância passou para uma unidade aliada.
Contexto recente da actividade russa monitorizada pelo Reino Unido
A operação com o Krasnodar soma-se a outras intervenções recentes da Marinha Real Britânica destinadas a acompanhar a passagem de meios russos por zonas próximas do Reino Unido e da NATO.
Em Setembro, a fragata HMS Iron Duke, com apoio de um helicóptero Wildcat do 815.º Esquadrão, seguiu a fragata russa Neustrashimy e o navio de carga Sparta IV durante o trânsito no Canal da Mancha. Nessa ocasião, o ministro britânico para a Preparação da Defesa e a Indústria de Defesa, Luke Pollard, afirmou: “Os navios de guerra russos estão a transitar cada vez mais pelo Canal da Mancha. A Marinha Real protege o Reino Unido 24 horas por dia, 7 dias por semana, para acompanhar os movimentos russos, garantindo a segurança das nossas águas e dos cabos submarinos (…).”
Em Outubro, o contratorpedeiro HMS Duncan, um navio Type 45, foi empenhado sob comando do Grupo Marítimo Permanente 1 da NATO (SNMG1) para seguir o contratorpedeiro russo Vice-Admiral Kulakov no Canal da Mancha. A missão prolongou-se por 48 horas e foi descrita como “histórica”, por ter sido a primeira do género executada por um Type 45 sob comando directo da NATO. O acompanhamento prosseguiu até o navio russo ser rendido por unidades francesas ao passar junto da ilha de Ouessant.
Em Novembro, a Marinha Real Britânica mobilizou a fragata HMS Somerset e o navio-patrulha HMS Severn para acompanhar o navio de espionagem Yantar, a corveta Stoikiy e o navio-tanque Yelnya durante o trânsito em águas próximas da Aliança. Nessa operação, o Yantar usou lasers contra uma aeronave RAF P-8A Poseidon e realizou interferências de GPS que afectaram a HMS Somerset e embarcações civis. De acordo com as autoridades britânicas, estes comportamentos integram tácticas associadas à chamada “guerra híbrida.”
Esta operação contou ainda com a participação de quatro países da NATO e estendeu-se por três dias, com rotação de meios à medida que as embarcações russas se aproximavam de diferentes áreas de responsabilidade.
Imagens obtidas junto da Marinha Real Britânica.
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