Câmaras caras, aumento do preço da memória e procura fraca tornam os smartphones Ultra pouco rentáveis
No mercado dos smartphones, a pressão sobre os modelos Ultra de topo está a aumentar - várias marcas chinesas estão a ponderar suspender o desenvolvimento da próxima geração. A razão é simples: estes aparelhos nunca foram pensados para vender em grandes volumes e funcionam mais como uma montra tecnológica do que como uma fonte estável de receitas.
Ao contrário dos topos de gama equilibrados das séries Pro e dos modelos numerados convencionais, os smartphones Ultra apostam praticamente tudo na câmara. As fabricantes concentram o máximo de recursos nos sensores, na ótica e nos algoritmos de processamento, sacrificando a autonomia, a refrigeração e o peso. Esta estratégia resulta bem como demonstração de capacidades, mas adapta-se mal a um mercado em larga escala.
A situação agrava-se com o aumento dos preços da memória e dos componentes. Tornar o Ultra mais barato sem lhe retirar a sua ideia central não é possível, e subir o preço para valores próximos dos topos de gama como o Samsung Galaxy S Ultra apenas limita a procura. Num cenário de concorrência com o Apple iPhone na China, isso aumenta o risco de vendas fracas e de lucro mínimo ou até negativo (ou seja, prejuízo).
Por isso, as marcas estão cada vez mais a apostar em modelos mais massificados, que garantem receitas mais estáveis. Uma pausa temporária no desenvolvimento do Ultra é vista como uma decisão sensata, porque ajuda a preservar a margem e evita o lançamento de dispositivos caros, mas pouco rentáveis.
Isto permite evitar a produção de um «dispositivo demonstrativo» dispendioso, de pequena escala e deficitário, e proteger o valor da marca e a rentabilidade. Também ajuda a explicar porque é que algumas marcas já suspenderam ou adiaram projetos Ultra. Não é que o Ultra seja indesejável; é que o custo, o preço e a pressão do mercado, em conjunto, tornam-no temporariamente inviável.
Ice Universe
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário