Os problemas do foguetão Vulcan da ULA reforçam a aposta na concorrência e na redistribuição de missões entre fornecedores
As dificuldades com o foguetão Vulcan da United Launch Alliance estão a começar a afectar não só o calendário de lançamentos, mas também a estratégia de aquisição de serviços espaciais para os militares norte-americanos. Na United States Space Force, a posição é clara: a experiência actual «vai certamente influenciar» as futuras decisões do Pentágono.
O Vulcan é um dos dois veículos de lançamento fundamentais utilizados pelas forças armadas, ao lado do Falcon 9 da SpaceX. No entanto, desde a estreia, em Janeiro de 2024, o foguetão realizou apenas quatro voos, apesar de ter um volume de trabalho de quase 70 lançamentos. Duas dessas missões foram acompanhadas por anomalias técnicas: em Outubro de 2024 e em Fevereiro de 2026, ocorreu uma falha do bocal num dos aceleradores de combustível sólido. Em ambos os casos, o foguete prosseguiu o voo e colocou com sucesso a carga útil em órbita, mas a repetição do problema aponta para riscos sistémicos - incluindo no fornecedor dos aceleradores, a Northrop Grumman.
Por causa da investigação, o Vulcan poderá não regressar aos lançamentos para o Pentágono antes do fim do ano. Isso tem consequências sérias: cerca de metade de todas as missões-chave da Space Force para os próximos quatro anos tinha sido inicialmente atribuída precisamente a este foguetão.
Neste contexto, os contratos militares estão a ser redistribuídos com maior intensidade. Nos últimos dois anos, já quatro missões com satélites de navegação GPS foram transferidas do Vulcan para o Falcon 9. O próximo lançamento, que antes estava previsto para o Vulcan, também será realizado pela SpaceX - apesar de o satélite já se encontrar na plataforma de lançamento na Flórida.
Os militares admitem que estão a avaliar substituições adicionais. A prioridade vai para missões em que a nave espacial já esteja pronta para lançar, bem como para tarefas consideradas críticas para o comando. Ao mesmo tempo, consolida-se uma conclusão estratégica: a dependência de um único fornecedor já não é vista como aceitável. Segundo representantes do Space Systems Command, «a situação com o Vulcan mostrou de forma evidente a importância de ter vários fornecedores».
Isto já se reflecte no mercado. No âmbito do programa National Security Space Launch, os contratos estão a ser distribuídos por várias empresas. Além da SpaceX, foi acrescentada à lista de fornecedores a Blue Origin, com o foguetão New Glenn, que ainda precisa de realizar mais dois lançamentos bem-sucedidos para obter a certificação completa.
Durante muito tempo, porém, a ULA foi o principal contratado do Pentágono, garantindo uma fiabilidade quase impecável com os foguetões Atlas V e Delta IV. O Vulcan foi desenvolvido como substituto destes modelos, mas as falhas actuais colocam em dúvida a sua preparação para missões críticas.
A situação complica-se ainda pelo tipo de cargas úteis em causa. Se os satélites GPS podem ser relativamente facilmente realocados entre foguetões, os aparelhos mais complexos - por exemplo, sistemas de alerta ou satélites de reconhecimento - exigem condições de lançamento específicas e, em alguns casos, só podem ser colocados em órbita por veículos pesados como o Falcon Heavy.
Em paralelo, estão a ser estudadas soluções técnicas de recurso. Um exemplo é a redução da massa da carga útil para permitir lançamentos no Vulcan sem aceleradores de combustível sólido - precisamente os componentes associados aos problemas actuais.
Enquanto isso, os engenheiros da ULA e da Northrop Grumman continuam a investigação. Entre os planos estão testes de ignição da nova concepção de bocal e a tentativa de recuperar os aceleradores do fundo do Oceano Atlântico para análise, tal como já foi feito depois do incidente de 2024.
O futuro do Vulcan será determinado, em grande medida, nos próximos anos. A Space Force prevê iniciar um novo ciclo de aquisição de serviços de lançamento em 2028, avaliando a fiabilidade dos foguetões em operação e a maturidade dos novos intervenientes. Nessa altura, poderão entrar no mercado veículos adicionais - da Rocket Lab, da Relativity Space e de outras empresas -, bem como soluções de superpesados como o Starship.
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