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Este comportamento diário no trabalho trava silenciosamente a tua carreira.

Jovem sentado numa mesa de escritório, usando telemóvel, com computador portátil e caderno aberto à sua frente.

Por detrás pode estar um erro discreto.

Muitos trabalhadores acreditam que, para mostrar desempenho, têm de fazer o máximo de coisas ao mesmo tempo. Na entrevista de emprego, é frequente sublinhar como se é “flexível” e “resistente”. Mas é precisamente esse malabarismo permanente com tarefas que pode fazer com que as promoções passem ao lado.

Porque a multitarefa trava a tua progressão na carreira

Nos escritórios modernos, tudo acontece em simultâneo: chegam e-mails, o telemóvel vibra, colegas aparecem “só com uma pergunta”, e, ao fundo, a ferramenta de chat não para de piscar. Quem quer subir na carreira tenta muitas vezes estar em todo o lado ao mesmo tempo - e entra assim num padrão que enfraquece o próprio desempenho.

Quem quer fazer tudo ao mesmo tempo transmite empenho para o exterior - mas apresenta resultados mensuravelmente piores.

Há anos que psicólogos e psicólogas alertam para isto: o cérebro humano não foi feito para se concentrar, em simultâneo, em duas tarefas exigentes. O que chamamos multitarefa é, na verdade, uma mudança rápida de uma tarefa para outra. Estes saltos constantes consomem energia e concentração - e é exatamente isso que os responsáveis acabam por ver na qualidade do trabalho.

Estudos mostram que a multitarefa contínua pode, entre outros efeitos, levar a:

  • Menor capacidade de concentração
  • Mais falhas por distração e detalhes esquecidos
  • Nível de stress mais elevado no dia a dia
  • Pior desempenho da memória de trabalho e da memória de longo prazo
  • Maior vulnerabilidade a distrações (e-mails, conversas, redes sociais)

Quem trabalha assim parece muitas vezes “ocupado” por fora, mas não necessariamente seguro de si. Os decisores acabam então por ver alguém que faz muito ao mesmo tempo, mas que raramente conclui verdadeiramente o que começa - um perfil pouco atraente para o próximo patamar de liderança.

Como a multitarefa te guia discretamente no dia a dia

Muitas pessoas convencem-se de que são muito boas a fazer multitarefa. Já nem se apercebem de como saltam automaticamente de uma tarefa para outra. Situações típicas em que essa postura aparece:

  • Começas dois projetos em paralelo, em vez de levares um até ao próximo marco de forma consistente.
  • No carro, deixas a rádio ou um podcast a tocar enquanto já estás a responder mentalmente aos e-mails do dia.
  • Falaste ao telefone e, ao mesmo tempo, escreves num documento ou numa conversa escrita.
  • À noite, dás uma olhadela rápida aos e-mails enquanto a televisão está ligada.
  • Passas o dedo no telemóvel ou nas redes sociais durante reuniões.
  • Escutas uma pessoa apenas pela metade, porque internamente já estás a organizar a tua lista de tarefas.

Tudo isto parece inofensivo, mas cria um hábito: o cérebro passa a habituar-se a nunca estar totalmente focado numa única coisa. No trabalho, isso faz com que entres menos vezes no famoso “estado de fluxo” - isto é, aquele estado em que mergulhas profundamente numa tarefa e consegues um desempenho de topo.

O erro de raciocínio por trás do mito da multitarefa

Pessoas orientadas para a carreira querem mostrar que conseguem fazer muito. A lógica parece convincente: se eu começar várias tarefas ao mesmo tempo, acabo mais depressa. Na prática, muitas vezes acontece precisamente o contrário.

A multitarefa só dá a sensação de velocidade - na verdade, perdes tempo em cada salto mental.

Em cada passagem da tarefa A para a tarefa B, o cérebro precisa de alguns segundos para voltar a entrar no assunto: onde estava? Qual era o último pensamento? Que informação preciso agora? Estas pequenas perdas acumulam-se ao longo do dia. O resultado é simples: no fim, realizaste menos do que realizarias se te tivesses concentrado, uma de cada vez, nos passos individuais.

Além disso, quem diz sempre “sim” parece prestável, mas demonstra pouca capacidade de estabelecer prioridades. E é precisamente isso que muitos chefes procuram nas pessoas a quem querem confiar responsabilidades: a capacidade de decidir com clareza o que é realmente importante agora - e o que pode esperar.

Como os responsáveis notam o problema

Mesmo que tenhas orgulho na tua versatilidade, as pessoas à tua volta e as tuas chefias reparam noutras coisas. Sinais típicos que podem travar sonhos de carreira:

  • As entregas chegam muitas vezes em cima do prazo ou um pouco depois.
  • Nas apresentações faltam pormenores ou números que, “em teoria”, sabias.
  • Em reuniões tens de perguntar mais vezes, porque estiveste mentalmente ausente por instantes.
  • Passas uma imagem de stress e pressa, em vez de serenidade e foco na solução.
  • Acabam por ficar contigo muitas “tarefas intermédias”, enquanto as estratégicas vão parar a outras pessoas.

É muitas vezes nestas situações que as chefias optam por não promover alguém: não porque a pessoa não seja empenhada, mas porque o seu estilo de trabalho não parece de “próximo nível de carreira”.

Como sair da armadilha da multitarefa

A boa notícia é que este travão na carreira pode ser mudado. Não se trata de produzir menos, mas de trabalhar de outra forma. Eis algumas abordagens concretas:

1. Definir prioridades de forma radical em vez de aceitar tudo por reflexo

Quando surgirem novas tarefas, não concordes automaticamente. Faz uma pausa curta e responde a três perguntas:

  • Que objetivo da minha equipa ou da minha área esta tarefa apoia diretamente?
  • Quais dos meus compromissos atuais são mais importantes - e porquê?
  • Quando consigo entregar de forma realista, sem baixar a qualidade?

Quem comunica desta maneira não parece indisponível, mas sim profissional. As chefias percebem que esta pessoa pensa em prioridades e planeia de forma consciente - um claro ponto a favor para a evolução na carreira.

2. Agendar blocos de monotarefa

Em vez de passares o dia todo a meio gás, vale a pena seguir outra lógica: blocos de 45 a 90 minutos em que te dedicas apenas a uma coisa. Nesse período:

  • Fecha os e-mails ou, pelo menos, desativa as notificações
  • Afasta o telemóvel ou coloca-o em modo de voo
  • Informa as colegas: “Durante a próxima hora estou em modo de concentração”

Nem todas as tarefas precisam deste nível de foco, mas sobretudo temas estratégicos, conceitos, análises ou apresentações importantes beneficiam imenso com esta abordagem.

3. Usar a tecnologia como aliada - e não como fonte de ruído

O telemóvel, o portátil, as aplicações de mensagens e o calendário podem ser configurados para te protegerem, em vez de te distraírem. Medidas úteis:

  • Desativar as notificações de redes sociais e de aplicações pouco importantes
  • Ler os e-mails apenas em horários fixos, por exemplo três a quatro vezes por dia
  • Usar ativamente o estado de “não incomodar” nas aplicações de chat
  • Recorrer a ferramentas de notas rápidas para registar ideias e regressar de imediato à tarefa principal

Deste modo, também projetas para o exterior a ideia de que o teu tempo está estruturado e que trabalhas de forma intencional - uma impressão que conta muito em avaliações de desempenho.

Que papel desempenham o stress e a saúde

A multitarefa contínua não é apenas uma questão de produtividade, mas também de saúde. O corpo entra mais facilmente em estado de alerta quando há interrupções constantes. A frequência cardíaca sobe, a respiração e o sono ressentem-se, e a recuperação depois do trabalho demora mais tempo.

Quem passa o dia com a mente fragmentada leva essa inquietação para a noite - e chega à manhã seguinte ao escritório com menos reservas.

A longo prazo, isto pode conduzir a exaustão, irritabilidade e maior propensão para erros. As chefias sabem que estes padrões são arriscados quando estão em causa funções com responsabilidade. Já quem se protege de forma consciente transmite a mensagem: “Comigo dá para planear a longo prazo.”

Como mudar de forma intencional a tua imagem no trabalho

A carreira não depende apenas do que sabes, mas muito de como trabalhas e de como és percecionado. Se tens a sensação de estar parado, apesar do esforço, vale a pena olhar com honestidade para o teu estilo de trabalho.

Um exercício simples: durante dois ou três dias, reserva uma hora por dia e anota de forma muito geral o que fazes nesse período - incluindo cada interrupção. Muitas pessoas ficam surpreendidas com a frequência com que saltam entre tarefas ou se deixam distrair sem se aperceberem.

A partir destas observações, podes definir mudanças concretas: menos uma reunião, mais um bloco de foco, acordos claros com colegas, uma utilização mais consciente do telemóvel. Cada pequeno ajuste torna-te um pouco mais concentrado - e, por isso, mais visível para quem decide os teus próximos passos na carreira.

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