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Lara Croft regressa com dois novos jogos Tomb Raider, radicalmente diferente, surpreendendo os fãs.

Personagem feminina com machado numa selva, ruínas antigas e dinossauro ao fundo em ambiente de aventura.

A lendária arqueóloga está de volta - mas basta olhar com atenção para perceber de imediato: esta Lara Croft é diferente, mais madura e com traços inesperadamente mais vincados.

Lara Croft não regressa apenas com um único comeback, mas sim com dois grandes jogos. Com isso, a Crystal Dynamics prepara terreno para uma nova era de Tomb Raider - com um rosto renovado, uma nova voz e um plano bem definido para unificar a cronologia da série. Os fãs terão de se adaptar a mudanças, mas em troca recebem a promessa da maior aventura da história da marca.

Uma nova Lara: rosto diferente, nova voz, personalidade mais definida

Logo nas primeiras imagens, percebe-se que Lara Croft está diferente. Os traços são mais marcados, o rosto parece mais adulto e menos “modelado” do que em versões anteriores. O visual clássico mantém-se na essência, mas a personagem já não pretende ser apenas um ícone - quer afirmar-se mais como personalidade.

Um dos pilares centrais desta nova abordagem é a mudança de atriz vocal. Nos dois próximos jogos, Alix Wilton Regan dará voz à heroína. Os fãs de RPG poderão reconhecê-la de títulos como Dragon Age: Inquisition, Cyberpunk 2077 ou Mass Effect 3, onde se destacou por interpretar personagens mais densas e frequentemente moralmente ambíguas.

A nova Lara deverá ser mais confiante, complexa e emocionalmente próxima - menos figura simbólica, mais aventureira com os pés assentes na terra, marcada pelo passado e pelo peso das suas responsabilidades.

A Crystal Dynamics está a usar esta mudança de voz para estabelecer Lara como o elemento central de uma cronologia “unificada” de Tomb Raider. A trilogia moderna Survivor passa a funcionar como história de origem, servindo de base narrativa para os novos jogos. A ideia é reunir os fãs da era clássica e os novos jogadores num mesmo ponto de partida.

Tomb Raider: Catalyst – uma gigantesca aventura em mundo aberto na Índia

O primeiro passo será Tomb Raider: Catalyst, apresentado como o grande projeto que sucede diretamente à trilogia Survivor. Desde 2022, o jogo está em desenvolvimento em parceria com a Amazon Game Studios e é internamente visto como um dos projetos mais ambiciosos da história do estúdio.

Índia como cenário e um cataclismo iminente

A história leva Lara ao norte da Índia. Lá, ela encontra vestígios de um cataclismo ancestral, que faz emergir segredos há muito esquecidos e desperta forças misteriosas. Lara vê-se no meio de caçadores de tesouros rivais, ruínas instáveis e tecnologias envoltas em mitologia que podem influenciar o futuro da humanidade.

No centro da narrativa estará uma teia de confiança e traição. Aliados podem revelar-se inimigos, enquanto antigos adversários poderão surgir como parceiros improváveis. Os detalhes concretos do enredo continuam vagos, mas a Crystal Dynamics sublinha que esta Lara será claramente mais experiente do que na era Survivor, sem nunca parecer invulnerável.

Unreal Engine 5 e o maior Tomb Raider até hoje

A nível técnico, Catalyst recorre à Unreal Engine 5. O estúdio promete:

  • a maior área contínua alguma vez vista na história da série
  • paisagens vastas e exploráveis livremente, em vez de níveis fortemente lineares
  • túmulos massivos com puzzles mais complexos
  • maior ênfase na exploração, com zonas secretas opcionais
  • novas ferramentas e gadgets desenhados especificamente para as capacidades de Lara

A Crystal Dynamics descreve Catalyst como um ponto de entrada autónomo para novos jogadores. Mesmo quem nunca tocou num jogo da saga deverá conseguir acompanhar a história sem dificuldade. Já os fãs que seguem Lara desde os anos 90 encontrarão referências e elementos familiares integrados nesta nova cronologia.

Catalyst decorre vários anos depois de Tomb Raider: Underworld, funcionando assim como uma ponte entre a era clássica e a moderna história de origem.

Ainda assim, será preciso paciência: o lançamento está marcado para 2027, para PS5, Xbox Series X|S e PC via Steam.

Tomb Raider: Legacy of Atlantis – o clássico de 1996 reinventado

Em paralelo com Catalyst, a Crystal Dynamics está também a trabalhar num projeto que irá despertar imediatamente a nostalgia dos fãs mais antigos: Tomb Raider: Legacy of Atlantis. O jogo parte do primeiro Tomb Raider, lançado em 1996, mas não pretende ser uma recriação 1:1.

Não é uma cópia, mas sim uma reinterpretação moderna

Em conjunto com o estúdio polaco Flying Wild Hog, a Crystal Dynamics está a desenvolver uma nova leitura do original. O foco está num gameplay profundamente modernizado, níveis refeitos e uma apresentação audiovisual construída com a Unreal Engine 5.

A estrutura segue, de forma geral, o clássico, mas o ritmo, os puzzles e o comportamento dos inimigos estão a ser repensados. O objetivo é recuperar a sensação do primeiro Tomb Raider, sem ficar preso a controlos ou designs de níveis que hoje soariam ultrapassados.

Por ocasião do 30.º aniversário da série, em 2026, Legacy of Atlantis pretende concretizar a visão original que, em meados dos anos 90, era simplesmente impossível de alcançar a nível técnico.

Scion, T-Rex e velhos conhecidos - mas não como se espera

Ao nível do conteúdo, o jogo volta a centrar-se na caça aos fragmentos do Scion, um artefacto místico que leva Lara a vários pontos do globo. Os fãs podem contar com ingredientes clássicos como:

  • templos abandonados e túmulos escondidos
  • ruínas grandiosas, mas letais
  • cenários naturais ao mesmo tempo belíssimos e ameaçadores
  • secções focadas em puzzles com mecânicas reorganizadas
  • inimigos icónicos, incluindo o lendário T-Rex, agora apresentado de forma renovada

A Crystal Dynamics promete puzzles totalmente refeitos e áreas adicionais que nunca existiram no original. Cenas famosas serão alteradas, expandidas ou colocadas em contextos inesperados, de forma a surpreender os veteranos e oferecer aos novos jogadores um action-adventure moderno.

O lançamento de Legacy of Atlantis está previsto para 2026 - também para PS5, Xbox Series X|S e Steam.

Como os dois jogos se encaixam na série

Com Catalyst e Legacy of Atlantis, a Crystal Dynamics segue uma estratégia dupla. Um dos jogos aponta claramente para o futuro da série; o outro presta homenagem ao seu passado. Ainda assim, ambos deverão contribuir para uma cronologia comum.

Jogo Enquadramento na história Foco e lançamento
Tomb Raider: Catalyst Passa-se anos depois de Underworld, ancorado após a trilogia de origem Nova aventura, mundo aberto, mitologia na Índia - 2027
Tomb Raider: Legacy of Atlantis Reinterpretação moderna da estreia de 1996 Nostalgia, gameplay renovado, cenas icónicas - 2026

Os dois títulos contam com Alix Wilton Regan como voz e identidade de Lara. Com isso, o estúdio quer criar uma personagem consistente, capaz de atravessar diferentes épocas e tonalidades sem parecer duas versões distintas da mesma heroína.

O que estas mudanças significam, na prática, para os fãs

Muitos seguidores da série perguntam-se se esta “nova” Lara irá substituir a antiga. A abordagem da Crystal Dynamics parece apontar mais para uma modernização cuidadosa do que para uma rutura. A heroína não deverá tornar-se genérica, mas sim ganhar mais profundidade. Um rosto mais maduro, uma voz mais diferenciada e um passado coeso podem beneficiar bastante a série a nível narrativo.

O risco está em alguns fãs de longa data se sentirem afastados da imagem nostálgica que tinham da personagem. Quem vê Lara sobretudo como um ícone de ação estilizado poderá precisar de tempo para se habituar a esta versão mais terrena. Ao mesmo tempo, os action-adventures atuais mostram que protagonistas mais complexos tendem muitas vezes a resultar melhor a longo prazo - até porque se tornam mais credíveis nos seus conflitos internos, dúvidas e erros.

Para quem chega agora, o plano oferece um acesso bastante confortável: Legacy of Atlantis funciona como uma entrada moderna nas raízes da série, enquanto Catalyst surge depois como uma grande aventura independente. No fundo, os dois jogos parecem duas portas de entrada diferentes para a mesma história global.

A questão decisiva será o equilíbrio: até que ponto pode a série adaptar o seu legado sem perder a sua essência? É precisamente dessa resposta que dependerá se o regresso de Lara Croft será recordado como um relançamento ousado e bem-sucedido - ou como uma rutura com uma das marcas mais emblemáticas da história dos videojogos.

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