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XPeng na Europa em 2026: P7+ e G7 EREV em destaque

Dois carros elétricos modernos cinzentos num interior de exposição com carregadores ao lado.

Após um 2025 particularmente favorável, assinalado por um máximo histórico de vendas a nível mundial e por uma expansão internacional consistente, a XPeng entra em 2026 com a ambição reforçada e um foco ainda mais vincado na Europa. E não é apenas uma questão de produto: passa também pela forma como a marca o concebe, o fabrica e o ajusta às expectativas e exigências do cliente europeu.

Este novo ciclo não será apenas uma ofensiva de lançamentos. A XPeng concluiu que, para ganhar dimensão no espaço europeu, não basta ter automóveis competitivos: é necessário aumentar a presença local, responder com rapidez às obrigações regulamentares e adotar um pragmatismo tecnológico. É precisamente sobre estes pilares que assenta o plano para 2026.

Para continuar a ganhar tração no mercado europeu, a XPeng vai avançar em duas linhas de atuação diferentes, mas que se complementam. Por um lado, pretende intensificar o desenvolvimento e a produção em território europeu. Por outro, vai apostar numa solução tecnológica que aborda de frente as hesitações do consumidor europeu relativamente à eletrificação. Duas vias distintas, alinhadas no mesmo propósito: ganhar escala e relevância.

Duas frentes para conquistar a Europa

A primeira frente centra-se no reforço da capacidade de produção e de desenvolvimento na Europa. Depois de ter iniciado a montagem dos G6 e G9 - atualizados nos últimos meses de 2025 - em Graz, na Áustria, nas instalações da Magna Steyr, no final do ano passado, a XPeng prepara-se agora para acrescentar o novo P7+ em 2026, com a fase de produção-piloto já concluída.

A intenção é inequívoca: fabricar na Europa para o público europeu, reduzindo o efeito das tarifas e aumentando a agilidade num mercado com forte pressão regulamentar. Este investimento industrial é acompanhado por um centro de desenvolvimento em Munique, orientado para a adaptação do produto, dos programas informáticos e da calibração às exigências europeias.

A segunda frente é sobretudo tecnológica e encaixa no atual contexto do mercado. Com a adoção de veículos elétricos a crescer abaixo do que se previa inicialmente e com o debate europeu em torno de 2035 novamente em aberto, a XPeng passa a encarar os elétricos com extensor de autonomia (EREV) como um complemento ao elétrico puro. Não é uma inversão de rumo, mas sim uma leitura pragmática de um mercado que quer eletrificação, embora continue a valorizar flexibilidade em viagens longas e menor dependência da infraestrutura de carregamento.

P7+ lidera novidades da XPeng para 2026

O automóvel que melhor concentra esta estratégia é o novo XPeng P7+. Apresentado ao público europeu no Salão de Bruxelas, em janeiro, o P7+ é a evolução direta da berlina P7 original, mas cresce em tudo o que é essencial: dimensões, tecnologia e ambição.

Com mais de cinco metros de comprimento e três metros de distância entre eixos, o P7+ adota um perfil de dois volumes e meio e posiciona-se entre os modelos com menor coeficiente de resistência aerodinâmica no mercado: o Cx fica-se por 0,211.

Do ponto de vista técnico, o XPeng P7+ assenta na plataforma SEPA 2.0 e numa arquitetura elétrica de 800 V, comum a todas as variantes. Daqui resultam potências de carregamento entre as mais elevadas do mercado: 446 kW em corrente contínua (CC). São necessários 12 minutos para carregar a bateria LFP (fosfato de ferro-lítio) de 10% a 80%.

O foco tecnológico estende-se também à inteligência artificial, com novos circuitos integrados Turing desenvolvidos pela própria XPeng, que disponibilizam até 750 TOPS de capacidade computacional, para suportar sistemas avançados de condução autónoma sem necessidade de LiDAR. À semelhança da Tesla, a abordagem da XPeng assenta em visão computacional.

Na Europa, a gama arranca com três versões 100% elétricas: duas de tração traseira e uma de tração integral, associadas a baterias de 61,7 kWh ou 74,9 kWh. Numa fase posterior, será introduzida a variante EREV.

A chegada do XPeng P7+ a Portugal está apontada para o verão de 2026. Os valores finais ainda não foram comunicados, mas a marca já avançou com um preço indicativo de 43 990 euros para a versão de entrada em vários mercados europeus.

G7 EREV é resposta à hesitação elétrica

A segunda peça desta ofensiva deverá ser o XPeng G7 EREV. Já foi apresentado na China e tudo indica que deverá chegar à Europa ainda este ano. Este SUV coloca-se no mesmo segmento do G6, mas tem um porte semelhante ao do G9 e, em 2026, passa a oferecer duas opções de cadeia cinemática: 100% elétrica (a bateria) e elétrico com extensor de autonomia (EREV).

No mercado chinês, o G7 EREV conjuga um motor elétrico traseiro de 218 kW (296 cv) com uma bateria LFP de 55,8 kWh, complementados por um motor a gasolina turbo de 1,5 litros (150 cv), que funciona exclusivamente como gerador. A XPeng anuncia até 430 km de autonomia elétrica (ciclo chinês CLTC) e uma autonomia combinada de até 1704 km (CLTC).

Ambição para lá dos automóveis

Para lá das novidades direcionadas à Europa, a XPeng comunicou ainda vários lançamentos noutros mercados para 2026, o que ajuda a enquadrar a sua ambição de crescimento. A marca aponta para 550-600 mil veículos entregues em termos globais, mais 28-40% face a 2025. Deste total, quase 100 000 unidades deverão ser entregues fora da China, o dobro do registado em 2025, com a Europa e o Sudeste Asiático identificados como regiões prioritárias.

Ainda assim, a ambição da XPeng não se limita ao automóvel. A marca quer posicionar-se como uma empresa de tecnologia orientada pela inteligência artificial, usando a IA como elemento transversal entre veículos, programas informáticos e serviços. Este plano inclui o desenvolvimento de serviços de mobilidade autónoma, projetos de táxis robóticos, o licenciamento da sua tecnologia de condução autónoma a terceiros e até a entrada em novos domínios da mobilidade, como pode ler abaixo:


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