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Afinal, o melhor Dacia Duster que pode comprar é este mesmo

Carro branco SUV Best Duster estacionado num terraço com horizonte urbano ao pôr do sol.

Custos de utilização inferiores e uma autonomia de 1500 km são os argumentos imbatíveis do Dacia Duster Hybrid-G 4×4. Refletem-se na prática?


O Dacia Duster já não precisa de apresentações - mas há uma versão que merece uma segunda leitura. A receita de sempre continua lá (robustez e preço certo), só que agora aparece embrulhada numa solução técnica pouco comum, pensada para quem faz muitos quilómetros e quer gastar menos.

Nesta geração, o Duster cresceu em maturidade: visual renovado, habitáculo bem mais cuidado e uma nova plataforma que abriu a porta a motorizações eletrificadas. A novidade mais fora da caixa junta quatro ingredientes no mesmo pacote: híbrido, GPL, caixa automática e tração 4×4.

Eu sei, parece complexo. Mas não desista já. Porque em teoria este pode ser o Dacia mais versátil de sempre. Fui testá-lo e tirar a prova dos nove. Ora veja:

Imagem é argumento

Se nos Dacia de outros tempos a imagem exterior era sofrível e o interior apenas suficiente, agora é tudo muito diferente. Ao ponto do visual mais aventureiro do Duster ser agora um dos seus argumentos.

No interior, a história repete-se. Os plásticos mais duros continuam a marcar presença, mas a montagem é sólida e a disposição dos comandos é bastante mais agradável.

Depois, é impossível não sublinhar a nova oferta tecnológica, com uma instrumentação 100% digital de 7” e um ecrã multimédia de 10,1”, com integração sem fios com smartphone via Android Auto e Apple CarPlay.

Híbrido + GPL

Na base da gama do Duster encontramos a versão bi-fuel (gasolina + GPL). Tem sido uma aposta crescente dentro da Dacia e uma tecnologia que tem vindo a ganhar cada vez mais adeptos no mercado nacional.

Ciente dessa popularidade, a Dacia decidiu levar a ideia um passo mais longe, combinando-a com outras soluções para criar um sistema inédito no mercado.

Na dianteira encontramos um motor a gasolina 1,2 litros turbo, com 140 cv, enquanto no eixo traseiro surge um motor elétrico de 23 kW (31 cv). Em conjunto, o sistema oferece uma potência máxima combinada de 113 kW (154 cv).

O motor de combustão debita 230 Nm de binário e está associado a uma caixa automática de dupla embraiagem com seis velocidades, que pode ser comandada por patilhas no volante (outra estreia na marca romena).

Já o motor elétrico traseiro disponibiliza 87 Nm e está ligado a uma caixa de duas velocidades: a primeira relação garante binário elevado a baixas velocidades, importante em situações de condução fora de estrada ou em pisos com aderência precária; a segunda relação permite reduzir o regime do motor elétrico a velocidades mais elevadas, assegurando tração no eixo traseiro até aos 140 km/h.

Mas os «truques» da caixa de velocidades do motor elétrico traseiro não ficam por aqui: esta transmissão tem um modo Neutro onde pode ser completamente desacoplada do eixo traseiro, eliminando assim eventuais perdas por fricção. É mais uma solução inédita num motor elétrico de 48 V, alimentado por uma bateria de iões de lítio com 0,84 kWh de capacidade.

Autonomia recorde

Isto não chega para que tenha uma verdadeira autonomia 100% elétrica, mas uma vez que a bateria carrega constantemente durante a condução, o Duster Hybrid-G 150 4×4 pode circular até 60% do tempo em ciclo urbano sem gastar uma única gosta de combustível.

Mas a grande vantagem deste sistema está na utilização de GPL. Com este sistema o Duster dispõe de dois depósitos de combustível de 50 litros - um para gasolina e outro para GPL. A conjugação dos dois permite alcançar uma autonomia de até 1500 km em ciclo combinado WLTP sem necessidade de reabastecimento.

É um número com o qual nenhum elétrico pode sequer ousar competir. O que traz ainda mais versatilidade a este modelo, oferecendo custos de utilização mais reduzidos do que o Duster Hybrid, que também já testámos:

Ainda melhor fora de estrada

Se em estrada somos brindados com um sistema poupado, agradável de utilizar (a caixa de velocidades tem grande culpa nisso) e bastante disponível - 154 cv de potência máxima fazem-se notar -, nos maus caminhos este Duster continua a defender-se extremamente bem.

Com 21 cm de altura ao solo e bons ângulos de ataque/saída, nesta configuração com tração 4×4 pode sair de estrada com confiança redobrada: no vídeo em destaque neste artigo pode ver este Duster em ação no meio de lama e terra.

Foi uma experiência relativamente curta, mas serviu para reforçar uma ideia que já tinha: a menos que queira fazer trilhos mais exigentes - se assim for, estão a ver o carro errado -, o Duster é tudo o que precisa para entrar num estradão de terra ou areia.

Curiosamente, ao contrário do que a complexidade do sistema poderia fazer prever, tudo funciona de forma simples. Em estrada aberta, o modo “Auto” é quase sempre o mais indicado, onde o sistema faz uma gestão automática entre os modos 4×2 e 4×4 e dá-nos sempre a melhor tração possível em cada situação.

Já em condições mais precárias, sobretudo em lama, como eu andei, faz sentido ativar o modo “Mud/Sand”, para que o sistema seja mais rápido e assertivo a corrigir as perdas de tração.

Quanto custa?

A gama do Dacia Duster começa nos 19 900 euros para a versão Eco-G (bi-fuel) e vai até aos 29 300 euros da versão Hybrid 155, que continua a ser o topo de gama.

Logo abaixo, passamos agora a encontrar o enovo Hybrid-G 150 4×4, com preços desde os 27 850 euros, associado ao nível Expression.

Não há outra forma de o dizer: grande parte do sucesso do Duster sempre passou pelo preço e nesta versão, a relação preço/qualidade é francamente vantajosa. Porque este passa a ser, de caras, o Duster mais completo e versátil de todos.

Temos tração 4×4, caixa automática, 154 cv de potência máxima, uma autonomia de 1500 km e um sistema que nos permite, em ambientes urbanos, andar até 60% do tempo em modo elétrico. Tudo num único pacote. Além disso, também pode ser Classe 1 nas portagens, caso adira à Via Verde.

Veredito

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