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25 de Abril: 52 anos da Revolução dos Cravos e 50 anos da CRP da liberdade

Mulher entrega cravo a soldado com criança portuguesa segurando bandeira num cenário urbano antigo.

25 de Abril e a Revolução dos Cravos

No dia 25 de Abril, milhares de pessoas encheram as ruas para assinalar os 52 anos da Revolução dos Cravos e os 50 anos da CRP da liberdade. E, sim, a Revolução dos Cravos teve um gesto simples e popular na sua origem simbólica: uma cidadã, Celeste Caeiro, florista, tomada por alegria e confiança naqueles militares do povo, ofereceu-lhes cravos vermelhos. Os soldados colocaram-nos nos canos das armas - cravos no lugar de balas.

Lisboa cobriu-se do vermelho desses cravos, num movimento que outras floristas e a restante população reproduziram, entregando-os com um sorriso e com a felicidade ao peito aos soldados da paz. Foi uma revolução pacífica que pôs termo a 48 anos de poder autoritário, opressor, colonizador e pidesco. Os cravos vermelhos transformaram-se em símbolo e passaram a fazer parte da essência da própria Revolução que, com alguns percalços pelo caminho, culminou na elaboração de uma Constituição humanista, garante dos direitos fundamentais dos cidadãos e base de uma verdadeira democracia.

Memória, demografia e o dever de conhecer o antes e o depois

Portugal tem cerca de 10,4 milhões de habitantes. Segundo as estatísticas, 24% têm 65 anos ou mais. Dentro desta faixa etária, muitos teriam por volta de 15 anos na altura da Liberdade - idade suficiente para perceber e interiorizar o que ela representou para o renascimento e para o progresso do país.

Já os mais novos, e todos os que nasceram em democracia, precisam de conhecer o que existia antes e o que mudou depois desta conquista, para poderem escolher e decidir, com consciência e conhecimento de causa, o que desejam para o futuro.

O Estado Novo, a PIDE e o país isolado do mundo

Não há decisão sensata sem memória do passado. É necessário compreender que o Estado Novo foi um regime autoritário, conservador e antiliberal que governou o país, impondo - sem oposição - regras na política, na cultura, na educação, na economia, nas finanças e até no quotidiano dos portugueses.

Os partidos políticos eram proibidos. A polícia política vigiava e farejava a vida dos cidadãos, numa caça constante a quem se opunha ao regime, prendendo e torturando aqueles que ousavam afirmar um pensamento diferente do que o poder determinava. Estudantes, sindicalistas, intelectuais, artistas ou simples cidadãos eram detidos pela PIDE, sem mandados de detenção ou captura, sem prazos de prisão, e julgados em tribunais especiais, os plenários.

Além disso, Portugal vivia isolado do Mundo, o que resultou numa economia de sobrevivência, salários baixíssimos e fraco desenvolvimento cultural e educativo. Era um país pobre, desolado e só. A mulher era um alvo particular: reservava-se-lhe um lugar secundário na família, no trabalho e na política, incentivando-a a aprender os ofícios domésticos e a cuidar dos filhos.

Basta confrontar esse retrato sombrio com os benefícios sociais, políticos, económicos e educativos, culturais e de saúde de que hoje usufruímos - muitas vezes sem darmos conta de que os temos por vivermos em democracia. Recuar no nosso modo de vida seria um "suicídio colectivo" de um povo que ama o seu país, que vibra com a liberdade e que usa todos os dias os direitos que a democracia lhe concede. "Fascismo, nunca mais!"

O autor escreve segundo a antiga ortografia

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