Há um tripulante português a bordo do navio de cruzeiro Hondius, onde foram assinalados dois casos suspeitos de hantavírus - um vírus raro associado a uma síndrome respiratória aguda que já terá causado a morte a três passageiros. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a situação está "sob controlo".
Navio de cruzeiro Hondius: situação a bordo
Um surto de síndrome respiratória aguda, atribuído a um hantavírus, foi detetado a bordo do cruzeiro, que se encontra desde domingo ao largo de Cabo Verde. Além das três mortes registadas, existem vários casos suspeitos identificados, sendo que um dos passageiros afetados está internado numa unidade de cuidados intensivos num hospital na África do Sul.
Entre os membros da tripulação segue um cidadão português, confirmou ao JN uma fonte do gabinete do secretário de Estado das Comunidades Portuguesas. "Não recebemos, até ao momento, qualquer pedido de apoio e, pelo que foi possível apurar, este cidadão encontra-se bem", adiantou.
O Hondius fazia a ligação entre a Argentina e Cabo Verde, mas as autoridades cabo-verdianas impediram a atracagem no domingo, invocando a proteção da saúde pública e o cumprimento de normas internacionais. Segundo a OMS, pelo menos um caso de hantavírus foi confirmado por laboratório, embora existam pelo menos mais três casos sintomáticos.
A embarcação transporta 147 pessoas, entre passageiros e tripulantes, de 23 nacionalidades. Num comunicado sobre a situação no navio, o Ministério da Saúde de Cabo Verde precisou: "Deste total, três pessoas apresentam sintomas e foram devidamente avaliadas e assistidas por uma equipa de saúde, encontrando-se atualmente clinicamente estáveis".
Avaliação do risco pela OMS em Cabo Verde
A representante da OMS em Cabo Verde, Ann Lindstrand, explicou que estão a ser avaliados dois tripulantes com sintomas e que uma terceira pessoa, que partilhava cabina com uma das vítimas mortais, poderá também vir a ser transportada para o hospital. "A situação está sob controlo e as equipas médicas estão agora no barco", esclareceu a responsável à agência Lusa, elogiando a "resposta rápida e profissional" das autoridades cabo-verdianas, que mobilizaram profissionais de saúde para o navio com fatos de proteção integral, "prontas para fazer uma transferência do barco para a ambulância e aeroporto".
"O risco em Cabo Verde é muito baixo, o risco regional é baixo e, a nível global, ainda estamos a ver, porque o barco desembarcou em diferentes ilhas", indicou a responsável.
Resultados até terça-feira
As amostras de sangue e urina recolhidas aos casos sintomáticos a bordo seguem para o Instituto Pasteur, no Senegal, a cerca de 600 quilómetros, "para serem analisadas com a ajuda da OMS", sendo esperados resultados até hoje. "É uma situação muito difícil, esta espera, do ponto de vista da saúde mental, sabendo o que aconteceu com os casos graves. Mas o capitão e as autoridades de saúde estão a informar continuamente os passageiros".
À Associated Press (AP), a Oceanwide Expeditions - empresa responsável pelo cruzeiro - afirmou que o corpo de uma terceira vítima permanecia ainda no navio, em Cabo Verde, e que a prioridade era assegurar cuidados médicos a dois tripulantes doentes.
Vírus
Transmissão e risco
A transmissão acontece através do contacto com roedores, como ratos, sobretudo por exposição à urina, fezes e saliva destes animais. Ainda que o risco de transmissão entre pessoas seja "muito baixo", "a doença é grave e a taxa de mortalidade é de 35%", afirmou Ann Linstrand à Lusa.
Origem
A OMS está a avaliar o risco para a saúde pública e "a fazer um rastreio para investigar de onde vem o vírus".
Sintomas
A síndrome pulmonar por hantavírus pode apresentar sintomas semelhantes aos de uma gripe: febre, dores musculares, dores de cabeça fortes, náuseas, dores no estômago e tosse seca. As dificuldades respiratórias podem evoluir rapidamente.
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