O Volvo XC90 2025 encontrou um novo fôlego? Tudo indica que sim - e quer manter-se em cena.
Acontece muitas vezes: evoluir um produto não é a mesma coisa que desenhá-lo de raiz. No caso da Volvo, esta lógica aplica-se ao XC90, o SUV de topo que, à partida, não teria sucessor direto - o plano era passar o testemunho ao EX90, totalmente novo e 100% elétrico. Porém, com a desaceleração na procura por elétricos, a marca optou por prolongar a carreira deste modelo.
Ao mesmo tempo, o mercado continua “apaixonado” pelo XC90 - e os números de vendas confirmam-no -, pelo que bastava atualizá-lo nos pontos certos. É precisamente neste enquadramento que surge o Volvo XC90 2025.
Ao longo deste artigo, detalhamos o que foi revisto: visual modernizado, mais tecnologia a bordo, autonomia elétrica aumentada, mais conforto e uma condução que evoluiu na direção certa.
O que mudou aos nossos olhos?
O que temos aqui é uma atualização estética da segunda geração (apresentada originalmente em 2015), agora já sem qualquer motorização Diesel - tinham sido retiradas no início de 2024 - e com um estilo exterior alinhado com as propostas mais recentes da marca escandinava.
A plataforma mantém-se (SP1) e o Volvo XC90 continua com as mesmas medidas (4,95 m de comprimento, 1,92 m de largura e 1,77 m de altura). Na prática, isto traduz-se em habitabilidade e capacidade de bagageira praticamente inalteradas.
Espaço inalterado
Bem-vindos ao interior acolhedor do Volvo XC90 2025. Não há uma revolução no desenho do habitáculo, mas existem alterações relevantes, começando pelo sistema de infoentretenimento. Ainda assim, vale a pena começar por um dos pontos fortes do modelo: espaço e versatilidade.
À frente, os bancos incluem aquecimento e ventilação, podendo ainda somar funções de massagem e ajuste elétrico do apoio lateral. Já na segunda fila, os lugares laterais também podem ser aquecidos, e não faltam saídas de ventilação na zona central e nos pilares das portas.
Nesta área do habitáculo, existem três bancos individuais, com uma regulação longitudinal de 11 cm. Essa margem permite “oferecer” algum espaço a quem segue na terceira fila, cuja estatura recomendada não deve ultrapassar 1,70 m. Caso contrário, esta fila fica mais indicada para crianças, até porque a entrada e a saída são condicionadas pelo espaço justo atrás dos bancos da segunda fila, necessário para permitir a passagem para os lugares “do fundo”.
O lugar central desta fila não dispõe de fixações Isofix, pelo que não é adequado para uma cadeira de bebé. Por outro lado, quem viaja ao centro tem de lidar com um túnel volumoso para os pés, já que por baixo passam o veio de transmissão e o escape (nas versões de híbrido ligeiro, não vendidas em Portugal), além da bateria da versão T8 híbrida recarregável.
Com cinco lugares, a bagageira mantém 640 litros, mas com sete bancos em uso a capacidade desce para 262 litros.
Imagem retocada
Os bancos podem ser forrados com dois tipos de pele, ambos sintéticos, e oferecem um conforto convincente; na versão mais potente da gama, os dianteiros podem apresentar um apoio lateral mais marcado. Nota-se também um maior recurso a revestimentos texturados e a materiais reciclados nos painéis das portas e no tabliê.
No tabliê, o ecrã vertical do sistema de infoentretenimento deu lugar a um novo ecrã maior (11,2″ em vez de 9″), com melhor definição e resposta mais rápida. Ainda assim, causa alguma estranheza vê-lo montado por cima do tabliê, e não integrado como acontecia anteriormente.
Há tomadas USB-C nas duas primeiras filas, uma consola central redesenhada à frente com base de carregamento sem fios para o telemóvel, o já conhecido sistema Google integrado no infoentretenimento e ligação sem fios ao Apple CarPlay - como seria de esperar num SUV de luxo.
No pacote de melhorias, destaque ainda para a nova câmara de 360º, com imagem mais nítida e a opção de dividir a visualização para mostrar mais do que um ângulo em torno do veículo.
O painel de instrumentos também cresceu para 12,3” e recebeu grafismos revistos, embora as hipóteses de personalização da informação continuem bastante limitadas.
Híbrido recarregável é a única versão em Portugal
Para este primeiro contacto dinâmico com o Volvo XC90 renovado, escolhi a versão T8 - híbrida recarregável -, a única à venda em Portugal. Passou a contar com uma bateria de 18,8 kWh (14,7 kWh utilizáveis), substituindo a anterior de 9,2 kWh, o que elevou a autonomia elétrica de pouco mais de 40 km para cerca de 70 km.
É uma evolução relevante, mas, no panorama atual, fica claramente abaixo da barreira dos 100 km sem cheiros nem emissões que alguns rivais já conseguem atingir.
Também na recarga há um passo em frente, embora com limites: a potência em corrente alternada subiu de 3,7 kW para 6,4 kW (com carregador de bordo bifásico), abaixo do que já se encontra noutros modelos e sem opção de carregamento em corrente contínua. Mais uma vez, são compromissos ditados por uma base técnica que já não é recente.
O motor a gasolina mantém-se (quatro cilindros, 1969 cm³), mas agora debita 310 cv (mais 10 cv do que antes) e faz mover as rodas dianteiras. É apoiado por um motor elétrico - a atuar no eixo traseiro - significativamente mais potente (145 cv em vez de 88 cv), elevando a potência máxima do conjunto T8 de 408 cv para 455 cv.
De forma algo inesperada, não há qualquer animação a representar os fluxos de energia desta mecânica híbrida no ecrã central nem no painel de instrumentos.
O Volvo XC90 também não pode receber um eixo traseiro direcional - novamente por limitações da plataforma -, algo que seria particularmente útil em manobras e em cidade, tendo em conta que estamos a falar de um veículo com quase cinco metros de comprimento e dois metros de largura.
Suspensão atualizada
A suspensão preserva a configuração independente: triângulos sobrepostos à frente e, atrás, uma solução independente com ligação integral e mola transversal de lâminas nas versões com suspensão passiva, “para que roube menos espaço à bagageira do que com umas convencionais molas helicoidais verticais”, segundo os engenheiros suecos.
A novidade, nas versões de suspensão passiva, são os amortecedores de frequência seletiva (FSD) - com uma mola a controlar a compressão e outra a gerir o ressalto. Nos níveis superiores, podem existir amortecedores eletrónicos, e também é possível optar por suspensão pneumática.
Com a pneumática, torna-se possível ajustar a altura ao solo, baixando ou elevando o XC90 em quatro centímetros conforme a necessidade: facilitar a entrada e saída do SUV sueco, estabilizar em autoestrada ou aumentar a altura para utilização em todo-o-terreno.
Experiência de condução
Ao abandonar motores de seis e oito cilindros, a Volvo acabou por perder alguns clientes do segmento de luxo que valorizavam a sonoridade mais refinada e a resposta plena desde regimes baixos.
Ainda assim, o forte incremento de potência do motor elétrico no Volvo XC90 híbrido recarregável ajudou a melhorar as recuperações e a aliviar o esforço do quatro cilindros a gasolina. Com isso, o motor térmico não precisa de trabalhar tão “no limite” - o que poderia traduzir-se em desconforto acústico - para satisfazer o que o condutor pede.
O habitáculo pode - como no exemplar que conduzimos - contar com vidros duplos e, em conjunto com o reforço de materiais de insonorização nos pilares e na zona posterior do tabliê, isso resulta num isolamento acústico superior (os técnicos suecos falam numa redução de três decibéis).
Mantêm-se os cinco modos de condução, com impacto mais direto na gestão do motor - e, nos modos Potência e Todo-o-terreno, também na suspensão -: Híbrido (gasolina e elétrico), Potência (otimiza a entrega de potência, amplifica o som do motor e usa um programa mais desportivo da caixa), Puro (apenas elétrico), Todo-o-terreno e Tração integral (otimiza a distribuição de binário pelos dois eixos).
A potência máxima do sistema híbrido recarregável é sempre a mesma quando se acelera a fundo, mas o que muda é a calibração do acelerador (mais agressiva no modo Potência). Existem ainda três formas de gerir a bateria: Auto, Hold (mantém o nível de carga) e Charge (recupera carga em andamento, usando o motor a gasolina como gerador).
Há um nível base de recuperação por desaceleração, mas é possível selecionar um nível mais intenso através do seletor da transmissão, assinalado com a letra “B” no painel de instrumentos - embora essa posição não esteja identificada no seletor.
No ecrã central, também se pode ativar o modo de arrasto, para que o XC90 continue a avançar lentamente quando está perto de parar; ou, desligando esse modo, fazer com que o carro imobilize totalmente ao libertar o acelerador, num funcionamento semelhante à condução com um só pedal.
A Volvo também simplificou os ajustes da suspensão, reduzindo a variedade de afinações dinâmicas. Antes eram cinco e agora são duas: Firme e Suave. O mesmo acontece com a direção, sendo o primeiro mais adequado a estrada e vias rápidas e o segundo mais indicado para cidade ou estacionamento.
Na suspensão, sente-se o XC90 mais controlado em Firme e mais confortável em Suave, sem que a diferença seja exagerada. Um aspeto bem conseguido na dinâmica é a travagem: o pedal esquerdo apresenta resposta imediata e progressiva, além de potência suficiente.
Médias de consumo
No final de um percurso de 77 km nos arredores de Copenhaga, sempre a ritmos bastante moderados, o consumo do T8 fixou-se em 6,8 l/100 km - um valor aceitável para um SUV de 2,3 toneladas, embora muito acima do homologado de 1,2-1,6 l/100 km.
Importa acrescentar que, numa parte do trajeto, ativei o modo Charge para que o meu parceiro de teste também pudesse conduzir com a ajuda do motor elétrico (em contrapartida, no final dos 77 km ainda restavam 31 km de carga disponível na bateria).
Um motor, três patamares de equipamento
Como já foi referido, em Portugal o Volvo XC90 está disponível apenas com um sistema de propulsão: o híbrido recarregável, na versão T8 Recharge eAWD.
No nível de equipamento Core, o preço base é de 96 817 euros; no Plus, sobe para 99 892 euros; e, no Ultra - o mais completo -, o valor de entrada atinge 104 443 euros.
Nos dois níveis mais equipados, existem dois acabamentos, Escuro e Claro, que se distinguem sobretudo por vários detalhes decorativos na carroçaria do Volvo XC90. No primeiro, elementos como as molduras das janelas e outros frisos surgem em preto brilhante; no segundo, apresentam acabamento cromado ou em alumínio.
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