Centro Interpretativo do 25 de Abril: Carlos Moedas quer o projecto em Lisboa
O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, assegurou que fará tudo o que estiver ao seu alcance para que o Centro Interpretativo do 25 de Abril fique na cidade, na sequência de uma proposta do PS para que o município se oponha à instalação do equipamento fora da capital.
Na reunião pública da Câmara de Lisboa de quarta-feira, dia 29, Carlos Moedas afirmou: "Nós, lisboetas, obviamente temos o maior gosto, vou propor todos os locais possíveis que eu tiver [...] para o senhor coronel Vasco Lourenço [presidente da Associação 25 de Abril] poder escolher, da nossa parte faremos o possível e o impossível. [...] Farei tudo para que ele seja no município de Lisboa".
Moção do PS e votação na Câmara Municipal de Lisboa
As palavras do presidente surgiram em resposta a uma moção apresentada pelo PS para que a autarquia manifestasse "firme oposição à intenção anunciada pelo ministro da Presidência de abandonar este projeto na cidade de Lisboa ou reconfigurá-lo".
O texto acabou por ser rejeitado, com votos contra da maioria PSD/CDS-PP/IL e do Chega.
Ainda assim, Carlos Moedas considerou "ofensivo" afirmar que, se o Centro Interpretativo fosse instalado noutro concelho da Área Metropolitana de Lisboa, "ele teria menos dignidade".
Terreiro do Paço, Pontinha e Odivelas no centro do debate
O museu chegou a estar previsto para o Terreiro do Paço, em Lisboa, mas essa hipótese foi afastada pelo Governo. A opção do Executivo liderado por Luís Montenegro está agora centrada na Pontinha, no concelho de Odivelas, onde se localiza o edifício do posto de comando do Movimento das Forças Armadas (MFA).
A intenção do Governo foi igualmente criticada pelo Livre durante a sessão solene do 25 de Abril, ocasião em que o partido aproveitou para lançar uma petição para que este centro seja construído no Terreiro do Paço. Ainda assim, o primeiro-ministro excluiu essa possibilidade ao declarar que "haverá aquilo que está em discussão e em articulação".
Junta de Freguesia de Belém chama Polícia Municipal a arraial do 25 de Abril
No período antes da ordem do dia, o PCP apresentou um voto de repúdio relativo à "à atuação do presidente da Junta de Freguesia de Belém".
O vereador João Ferreira afirmou que o autarca "procurou de forma extremamente gravosa, instrumentalizando a Polícia Municipal, condicionar a realização de uma iniciativa de celebração do 25 de Abril, procurando intimidar os organizadores" e, desse modo, tentar "limitar a realização" do evento numa freguesia "onde, por iniciativa da junta de freguesia, nada aconteceu".
O voto de repúdio contou também com a subscrição de PS, Livre e BE, mas foi chumbado com os votos da maioria PSD/CDS-PP/IL e do Chega.
A vereadora socialista Alexandra Leitão referiu ter estado presente no "pequeno arraial comemorativo" que, todos os anos, se realiza no Largo da Princesa, e disse saber "de fonte segura, com provas, que foi a Junta de Freguesia que enviou lá a Polícia Municipal".
Já o vice-presidente da câmara, Gonçalo Reis (PSD), defendeu que a ida da Polícia Municipal ao evento de Belém, dias antes, ocorreu "com toda a normalidade", rejeitando que a Junta de Freguesia "instrumentaliza a polícia municipal". Acrescentou ainda que os agentes municipais articularam com a PSP e sublinhou que, quando a polícia se desloca a determinados locais, "é o Estado de direito a funcionar".
Em protesto, João Ferreira contrapôs que "a Polícia Municipal não foi antes", mas sim no próprio dia do evento - quando, segundo disse, já se encontrava no local a PSP - e que a deslocação teve como objectivo "identificar os promotores da iniciativa". O autarca comunista acrescentou que o presidente da Junta de Freguesia enviou um 'e-mail' a vários participantes a questionar se "o evento foi organizado pelo PCP", entre outras perguntas, classificando a atitude como uma "atitude persecutória de outros tempos".
Carlos Moedas disse ter conhecimento de que a Junta de Freguesia se limitou a comunicar a realização do evento à Polícia Municipal. Porém, Alexandra Leitão, com base em 'e-mails', garantiu que a autarquia de Belém pediu à polícia municipal que "fosse identificar as pessoas".
Para a vereadora socialista, o que aconteceu em Belém - numa referência ao recente discurso de António José Seguro - mostra que "é assim que a liberdade se vai perdendo aos poucos, como alertou o senhor Presidente da República".
Entretanto, a Comissão de Cidadãos para as Celebrações do 25 de Abril em Belém divulgou hoje um comunicado em que repudia "firmemente a denúncia praticada pela Junta de Freguesia", considerando tratar-se de um "ato bizarro no que tem de pretender bloquear, na freguesia, a celebração do processo histórico que produziu o regime democrático do qual esta autarquia local é fruto".
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