Ataque israelita em Zebdine faz seis mortos e eleva o total diário para 15
Um novo ataque israelita no sul do Líbano causou hoje seis mortos, segundo o Ministério da Saúde, fazendo subir para pelo menos 15 o número de vítimas mortais provocadas por ações israelitas ao longo do dia.
A Agência Nacional de Notícias (ANI) do Líbano indicou que um 'drone' israelita atingiu um grupo de pessoas "reunidas perto do cemitério" na localidade de Zebdine, no sul do país, apesar de estar em vigor um cessar-fogo desde 17 de abril.
Também o exército libanês comunicou que um dos seus militares, bem como "vários membros da sua família", morreram num ataque que teve como alvo a sua casa, na região de Nabatiyé, igualmente no sul.
Ainda de acordo com o Ministério da Saúde, entre os 15 mortos contam-se pelo menos cinco mulheres e duas crianças.
Cessar-fogo prolongado até meados de maio, mas ataques continuam
Mesmo com o período de tréguas em curso - prolongado até meados de maio - Israel mantém os ataques, sobretudo no sul do Líbano.
Segundo a ANI, ataques israelitas com vítimas mortais atingiram diversas localidades do sul durante a manhã de hoje, incluindo zonas que não constavam dos avisos de retirada dirigidos às populações.
Avisos de retirada, “linha amarela” e zona de 10 quilómetros
O porta-voz do exército israelita divulgou hoje avisos para a saída de habitantes de cerca de vinte localidades do sul e definiu uma área de 10 quilómetros, marcada por uma "linha amarela".
Essa zona foi declarada interditada à imprensa e aos residentes e é aí que as forças israelitas conduzem operações de demolição.
Joseph Aoun denuncia violações e pede pressão internacional
O Presidente do Líbano, Joseph Aoun, afirmou num comunicado que "as violações israelitas persistem no sul apesar do cessar-fogo, assim como a demolição e o destruição de casas e locais de culto, enquanto o número de vítimas está a subir dia após dia".
"Devemos pressionar Israel a respeitar as leis e acordos internacionais e a deixar de atacar civis, trabalhadores de resgate, proteção civil, entidades humanitárias (...)", acrescentou.
Hezbollah, “legítima defesa” no acordo e mortes em combate
Israel sustenta que pretende salvaguardar a sua região norte de ataques do Hezbollah, movimento armado pró-Irão que continua a reivindicar ações contra posições israelitas no Líbano e, por vezes, em Israel.
De acordo com o entendimento de cessar-fogo, Israel reserva-se o "direito de tomar, a qualquer momento, todas as medidas necessárias em legítima defesa contra ataques planeados, iminentes ou em curso".
Esta cláusula é rejeitada pelo Hezbollah, que, pela voz do deputado Ibrahim Moussawi, a classificou como "um precedente perigoso".
O movimento xiita anunciou hoje ter atingido tanques israelitas em território libanês.
Já o exército israelita informou igualmente hoje que um dos seus militares morreu em combate no sul do Líbano, sendo o quarto desde que o cessar-fogo entrou em vigor.
Trégua anunciada por Donald Trump e tensão política interna no Líbano
A trégua, bem como a sua extensão, foram anunciadas pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, após negociações em Washington entre os embaixadores de Israel e do Líbano, abrindo caminho a conversações diretas entre os dois países.
Enquanto Joseph Aoun se mostra determinado em avançar com essas negociações, o Hezbollah opõe-se e tem feito campanha contra o Presidente.
Joseph Aoun disse hoje ter articulado as diligências ligadas às negociações com o primeiro-ministro, Nawaf Salam, e com o presidente do parlamento, Nabih Berri, mas este - principal aliado do Hezbollah - apressou-se a desmentir.
Balanço desde 2 de março e protesto em Beirute
Segundo um balanço oficial, as operações israelitas no Líbano já causaram mais de 2500 mortos e mais de um milhão de deslocados desde 2 de março.
Entretanto, dezenas de habitantes e responsáveis de localidades do sul do Líbano ocupadas pelo exército israelita concentraram-se hoje no centro de Beirute para condenar as demolições em curso.
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