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Sandra Santos, CEO da Logoplaste: decidir sem rede e assumir riscos

Mulher de fato cinzento a escrever em papel num escritório com vista para ponte e cidade, laptop e microfone à frente.

Sandra Santos, hoje CEO (presidente executiva) da Logoplaste, nunca seguiu o caminho mais fácil. O seu percurso começou na banca, no antigo Banco Espírito Santo, onde aprendeu a decidir “em situações de risco sem ter certezas”. Mais tarde, trocou a previsibilidade por um desafio fora da sua área inicial: a indústria.

Da banca à indústria: o percurso de Sandra Santos

Ao longo dos anos, foi aceitando funções em que nem sempre se sentia totalmente pronta, somando responsabilidades em frentes muito diferentes - finanças, recursos humanos, cadeia de abastecimento e direção de fábricas. Dessa experiência ficou-lhe uma ideia que hoje enuncia sem rodeios: “Vale a pena assumir riscos e, se for preciso, voltar atrás.”

“Houve muitas pessoas que quis promover e não queriam ser promovidas”, diz Sandra Santos

Essa vontade de sair da zona de conforto levou-a à BA Glass, onde trabalhou durante 26 anos, incluindo dez anos a liderar a organização. Em conjunto com as equipas, conduziu uma transformação que permitiu à empresa triplicar o volume de negócios e consolidar a presença internacional.

Desde 2025, Sandra Santos está à frente da Logoplaste, multinacional portuguesa de embalagens com dezenas de fábricas espalhadas por vários continentes. A gestora sublinha que nunca se reviu em carreiras excessivamente desenhadas ao detalhe e que nunca sentiu “necessidade de provar nada”. O que a move, diz, é gostar do que faz.

Decidir sem rede de segurança

A CEO da Logoplaste foi construindo a liderança através de decisões exigentes, percebendo que o crescimento - tanto nas empresas como nas pessoas - muitas vezes passa por arriscar primeiro e afinar o rumo depois. E foi também no trabalho em equipa que consolidou a forma como lidera.

Assumindo que sempre foi “muito exigente” consigo própria e com as suas pessoas, conta que o tempo lhe trouxe uma aprendizagem que muitos líderes demoram a interiorizar: “Nem toda a gente quer progredir.” E admite a frustração que isso pode gerar. “Houve muitas pessoas que quis promover e não que­riam ser promovidas”, recorda a ­atual CEO da Logoplaste. Para si, uma equipa forte não se faz de réplicas do líder: faz-se de pessoas diferentes, com motivações distintas, perspetivas variadas e contributos diversos para sustentar a decisão.

Portugal, coragem e transformação nas empresas

Quando reflete sobre a competitividade do país e o futuro das organizações, Sandra Santos assume um olhar crítico sobre Portugal. Considera que “o problema das empresas nacionais é falta de coragem” para decidir, mas aponta também a dificuldade de muitos líderes em se rodearem das pessoas certas - e com capacidade para decidir quando surgem desafios concretos, como a transformação ou a internacionalização.

Sobre transformação empresarial, área onde diz sentir-se particularmente confortável, deixa uma condição essencial: “uma transformação que não melhore em nada a vida das pessoas nunca será bem entendida nem aceite por elas”.

“O CEO É o Limite” é o podcast de liderança e carreiras do Expresso onde semanalmente mostramos quem são e o que fizeram para chegar ao topo os gestores portugueses

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