A BMW está a entrar numa nova fase: a marca de Munique quer chegar ao fim de 2027 com 40 modelos lançados. Muitos vão estrear soluções tecnológicas vistas no novo iX3 ou, em vários casos, nascer diretamente da mesma base.
Mas o ponto de viragem está já ao virar da esquina - e é difícil imaginar um lançamento com mais peso para a identidade da marca. Ainda este ano chega a oitava geração do BMW Série 3, pela primeira vez com uma versão elétrica. É o modelo que melhor resume o ADN bávaro, numa história com 50 anos e sete gerações.
E, claro, falar de Série 3 é falar do mais especial de todos: o M3. O M3 atual, a gasolina, vai manter-se em produção até 2027 e terá um sucessor direto, também a combustão. Depois, em 2028, chega ao mercado um inédito M3 100% elétrico.
BMW M eDrive
Para cumprir esta promessa, a divisão M não se limitou a pegar na tecnologia que servirá de base ao futuro BMW i3 - o Série 3 elétrico, e não o pequeno urbano elétrico produzido até 2022.
Em vez disso, o novo M3 elétrico vai assentar na arquitetura BMW M eDrive, baseada na sexta geração da tecnologia Neue Klasse (iX3), com uma solução mecânica típica de hipercarros: um motor elétrico por roda.
Isto permite a vetorização de binário no seu máximo, com cada roda a ser gerida de forma independente, sempre sob controlo do sistema M Dynamic Performance Control. A BMW M promete níveis de agilidade e estabilidade nunca vistos, mas, tal como acontece nos modelos M xDrive a combustão, o M3 elétrico também vai permitir «desacoplar o eixo dianteiro» - ou seja, desligar os motores da frente - para quem quiser a experiência mais pura de um tração traseira muito potente.
Quanto à potência, a BMW continua sem revelar números, mas deverá ficar seguramente (muito) acima dos 500 cv das propostas atuais - os rumores apontam para valores tão distintos como 700 cv a 1300 cv.
A alimentar este conjunto estará uma bateria com capacidade útil superior a 100 kWh, que recebeu alterações específicas para aguentar as exigências de um desportivo. As novas células cilíndricas foram desenvolvidas para privilegiar a entrega imediata de potência e a resistência térmica em utilização intensiva, sobretudo em pista.
Tal como vimos no iX3, a arquitetura elétrica será de 800 V, mas a BMW M promete potências de carregamento acima dos 400 kW do SUV, para cortar drasticamente os tempos de carregamento.
Um M3 elétrico com alma de um seis em linha
A BMW sabe que um M3 não se explica apenas por números, mas pela emoção ao volante. E aqui a mecânica sempre teve um papel determinante: som, passagens de caixa, subidas e descidas de rotação são ingredientes essenciais dessa receita.
Elementos com que o BMW M3 elétrico não poderá contar na forma tradicional, mas que poderá recriar. À semelhança do que já vemos em propostas como o Hyundai IONIQ 5 N, com passagens de caixa simuladas e uma banda sonora própria, o M3 elétrico também quer aproximar-se o máximo possível da sensação de um M3 a gasolina com seis cilindros em linha.
A isto soma-se outro ponto-chave: o peso, que num desportivo se quer, de preferência, baixo. Uma tarefa complicada nos elétricos, por causa de uma bateria que tende a ser sempre grande e pesada.
Para contornar este obstáculo, pela primeira vez num modelo de produção, a BMW M vai introduzir elementos em fibra natural, com rigidez comparável à fibra de carbono, mas com uma pegada de carbono 40% inferior durante o processo de fabrico.
Chega em 2028
A BMW está determinada a provar que a eletrificação não é o fim da linhagem M3, mas o arranque de uma nova etapa. Como já referimos, chega em 2028, e será vendido em paralelo com o sucessor do atual M3 com motor de combustão, que deverá aparecer um pouco antes, em 2027. Este continuará a assentar na plataforma CLAR do atual, mas o design será semelhante ao do futuro Série 3 elétrico e M3 elétrico.
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