Um drone sul-coreano que terá entrado em território do Norte está a agravar um novo episódio de tensão entre as duas Coreias.
Buscas e suspeitas nos serviços de informações
As autoridades da Coreia do Sul anunciaram, num comunicado divulgado esta terça-feira, 10 de fevereiro, a realização de buscas no Comando de Informações de Defesa e no Serviço Nacional de Informações (NIS). A investigação surge na sequência do sobrevoo, em janeiro passado, de um drone proveniente do Sul sobre a Coreia do Norte.
Segundo os elementos divulgados, uma força de intervenção conjunta composta por militares e polícia realizou diligências em 18 locais. Três militares no activo e um funcionário do NIS são suspeitos de envolvimento na intrusão do aparelho em território norte-coreano no mês anterior.
Acusações de Pyongyang e queda do drone em Kaesong
Rapidamente, o país liderado por Kim Jong-un apontou o dedo a Seul, responsabilizando o rival pela entrada do drone. O aparelho acabou por ser abatido nas imediações da cidade de Kaesong, muito perto da fronteira intercoreana, como recorda o Le Monde.
Uma questão altamente política
Numa fase inicial, a Coreia do Sul rejeitou qualquer participação do Estado neste incidente. Entretanto, os investigadores dizem estar a avaliar se a operação com o drone contou com apoio dentro dos próprios serviços de informações. A força de intervenção afirmou, em comunicado: “A força de intervenção apurará a verdade sobre este incidente com drone através da análise dos materiais apreendidos e de uma investigação aprofundada aos suspeitos”.
Este tipo de ocorrência não é inédito. A Coreia do Norte também acusa o país vizinho de ter enviado um drone semelhante em setembro de 2025, novamente sobre Kaesong. Nesse caso, o aparelho ter-se-á despenhado após ter sido neutralizado através de interferência electrónica.
A TRT lembra ainda que, neste processo, três civis já foram acusados. Um deles assumiu publicamente o episódio, dizendo ter pilotado o drone para vigiar os níveis de radiação nas proximidades da unidade de tratamento de urânio de Pyongsan, na Coreia do Norte.
Estes actos suscitaram a indignação do presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, que criticou: “É inadmissível que um civil envie um drone para a Coreia do Norte com fins ilegais”. Na sua leitura, uma incursão não autorizada pode “desencadear uma guerra” e alimentar tensões desnecessárias com o país vizinho. Por isso, pediu uma investigação aprofundada e exige medidas para impedir a repetição do sucedido.
Entretanto, o seu antecessor, Yoon Suk Yeol - destituído na sequência da sua tentativa de golpe de Estado - teria organizado sobrevoos ilegais de drones sobre a Coreia do Norte e está actualmente a ser julgado por esse motivo. De acordo com a acusação, pretendia provocar uma reacção de Pyongyang e, depois, usar esse pretexto para impor a lei marcial no seu país.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário