Em muitas empresas, surgem de repente quadros na casa dos vinte e poucos anos na sala da chefia - e ficam surpreendidos com a forma como os colegas da mesma idade se comportam. O que antes parecia uma rutura corajosa com velhos padrões de trabalho passa, aos olhos destes novos responsáveis, a parecer comodismo e falta de garra.
Quando os mais novos passam a ser os chefes da geração Z
Os primeiros elementos da geração Z estão agora a chegar a funções de liderança. Em start-ups, agências, empresas tecnológicas e, cada vez mais, também nas médias empresas, há hoje chefes de equipa com apenas 25 ou 27 anos. Gerem orçamentos, conduzem reuniões e elaboram objetivos - com pessoas que, muitas vezes, são apenas um ou dois anos mais novas.
É aí que começa a tensão. Muitos destes profissionais começaram com a ambição de “fazer tudo melhor” do que a geração anterior de gestores. Mais consideração, mais flexibilidade, mais sentido. Na prática, porém, apercebem-se agora de como é difícil conciliar produtividade, metas financeiras e um estilo de vida descontraído.
De repente, são eles que têm de exigir desempenho, precisamente quando nunca quiseram voltar a cair em rotinas de trabalho rígidas e enraizadas.
O resultado é claro: os defensores mais ruidosos de uma nova cultura de trabalho transformam-se em críticos do seu próprio grupo etário. Quem hoje lidera equipas irrita-se com comportamentos que ontem ainda considerava perfeitamente normais.
Novo estudo: a geração Z surge como a mais difícil - até para si própria
Um estudo do portal norte-americano Resume Genius ouviu 625 responsáveis de recursos humanos em várias empresas. Quase metade considera a geração mais jovem no mercado de trabalho como o grupo etário mais difícil de liderar.
- 45 por cento dos profissionais de RH inquiridos apontam a geração Z como a mais difícil de gerir.
- As gerações mais velhas continuam a ser vistas como exigentes, mas também mais previsíveis.
- Os principais focos de conflito são: motivação, fiabilidade e estilo de comunicação.
O dado mais curioso é que esta leitura é partilhada por muitos jovens líderes que também pertencem à geração Z. Ao assumirem o papel de chefes, deparam-se de repente com todos os pontos de fricção de que os gestores mais velhos se queixam há anos.
A crítica à força de trabalho mais jovem já não vem apenas de “chefes baby boomer”, mas também da própria geração.
Porque é que os jovens chefes se irritam com os colaboradores mais novos da geração Z
Em conversas com equipas de RH e responsáveis de liderança, surgem repetidamente as mesmas queixas. O retrato que resulta delas é o de expectativas elevadas e baixa tolerância à frustração.
Expectativas altas, pouca disponibilidade para cedências
Muitos recém-entrados no mercado de trabalho querem:
- horários flexíveis e possibilidade de teletrabalho
- feedback rápido e comunicação clara e respeitosa
- progressão acelerada, tarefas variadas e forte orientação para o propósito
Ao mesmo tempo, muitos jovens líderes relatam que alguns colaboradores ficam impacientes ao fim de pouco tempo, quando não há promoções nem aumentos salariais. O limiar de frustração e a lealdade parecem menores, e a disposição para mudar de emprego é muito elevada.
Choque com a realidade do dia a dia
Quem, até há pouco tempo, também exigia mais tempo livre, mais autonomia e reconhecimento direto, tem agora de organizar turnos, cumprir prazos e acalmar clientes difíceis. Nessa altura, os próprios ideais esbarram muitas vezes em limites concretos:
- os projetos precisam de disponibilidade fiável, e não apenas quando convém
- as reuniões com clientes raramente podem ser marcadas em função do ritmo biológico de cada um
- o feedback nem sempre é simpático ou particularmente acolhedor
Quando os jovens chefes ficam entalados entre os objetivos da empresa e as expetativas das equipas, o ambiente degrada-se. Quem passa o tempo inteiro a lutar por aceitação depressa começa a perceber melhor algumas posturas mais conservadoras de superiores mais velhos - e, por vezes, até as adota.
A divisão interna de uma geração
O ponto interessante é este: à primeira vista, a geração Z parece muito homogénea. Redes sociais, cultura partilhada de memes, linguagem parecida. No quotidiano profissional, porém, nota-se uma clivagem muito clara.
| Grupo | Comportamento típico no trabalho |
|---|---|
| Líderes da geração Z orientados para a carreira | grande disponibilidade para trabalhar, horas extra em períodos de maior pressão, forte foco na progressão e na responsabilidade |
| Colaboradores da geração Z orientados para o equilíbrio vida-trabalho | limites claros, horários fixos, prioridade à liberdade pessoal, elevada tendência para sair rapidamente quando surge frustração |
Os dois blocos estão separados por poucos anos, mas têm uma visão de trabalho claramente diferente. Enquanto uns usam a nova flexibilidade para conciliar carreira e vida privada da forma mais eficiente possível, outros entendem-na sobretudo como espaço de liberdade.
A linha de divisão já não passa entre velhos e novos, mas entre os que querem avançar e os que defendem de forma coerente o seu estilo de vida.
Como as empresas podem lidar com o conflito da geração Z e dos seus líderes
Para os empregadores, isto representa uma oportunidade, mas também um risco. Se aproveitarem bem os novos líderes jovens, estes podem funcionar como tradutores entre a lógica da empresa e as novas expectativas. Se forem deixados sozinhos, surgem tensões internas e uma elevada rotatividade.
Regras claras em vez de promessas vagas
Um erro frequente é as empresas divulgarem “novo modelo de trabalho”, hierarquias mais planas e flexibilidade máxima, mas depois só cumprirem parte disso no dia a dia. O resultado é desilusão - sobretudo entre os mais jovens.
Em vez disso, ajudam regras transparentes:
- percursos de carreira claros com prazos realistas
- modelos de teletrabalho e presença bem definidos
- comunicação aberta sobre picos de carga e mecanismos de compensação
- formação de liderança especialmente pensada para chefes de equipa jovens
Os jovens chefes precisam mesmo de ferramentas práticas: como liderar colegas da mesma idade sem parecerem colegas de café nem autoritários? Como impor limites sem trair os próprios valores?
Uma cultura de feedback que leve ambos os lados a sério
A geração Z pede muitas vezes feedback direto e honesto, mas nem sempre lida bem com isso quando a avaliação é crítica. As empresas podem criar formatos estruturados em que ambos os lados confrontem regularmente expectativas e realidade.
Isto alivia sobretudo os novos responsáveis, que de outro modo arriscam rapidamente ser vistos como “traidores da própria geração”. Quem explica de forma compreensível porque é que certas decisões são necessárias consegue gerar entendimento, em vez de apenas resistência.
O que realmente está por trás das palavras da moda
Expressões como “equilíbrio vida-trabalho” ou “demissão silenciosa” surgem com frequência, mas muitas vezes a discussão fica pela superfície. Na maioria das vezes, não se trata de pura preguiça, mas sim de uma relação diferente com o trabalho: ele deve ser uma parte importante da vida, mas não a dominante.
O conflito aparece quando esse ideal colide com pressões económicas concretas. É preciso gerar receitas, entregar produtos e prestar cuidados a doentes. Quem tem responsabilidades sente essa tensão de forma mais intensa - independentemente da geração a que pertence.
Os exemplos práticos mostram isso com clareza: no comércio ou na área da saúde, alterações inesperadas de horários são rotina. Em agências ou projetos de tecnologia, os prazos derrapam para a frente, o que implica mais trabalho. Os jovens chefes, que também gostariam de sair sempre às 17 horas em ponto, ficam então literalmente entre a empresa e a equipa.
A evolução atual mostra, acima de tudo, uma coisa: as grandes etiquetas geracionais servem de pouco se não olharmos para a realidade com mais atenção. Em todas as idades existem pessoas ambiciosas e orientadas para a carreira, pragmáticos serenos e quem encare o trabalho sobretudo como meio necessário para ganhar a vida. O facto de essa mistura estar agora particularmente visível dentro da geração mais jovem obriga as empresas a reorganizar as suas ideias sobre liderança, motivação e desempenho.
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