Espalha-se pó, colocam-se armadilhas, deitam-se “receitas caseiras” nos canteiros - e, mesmo assim, as formigas voltam. Muitas vezes, a causa não está na terra, mas sim no desenho do canteiro: certas plantas ornamentais e de fruto funcionam para as formigas como um buffet com entrega gratuita.
Porque é que as formigas aparecem de repente em todo o lado
Para muita gente, as formigas são o primeiro grande incómodo no jardim. Montam ninhos entre as lajes do terraço, deixam montinhos de areia nos caminhos e, de um momento para o outro, surgem na cozinha. E isto raramente acontece por acaso.
O que pesa mesmo é o que está plantado no jardim e que outros insectos ali encontram condições para prosperar. Quando se percebe esta relação, torna-se claro como umas poucas formigas podem transformar-se rapidamente numa verdadeira “invasão”.
As formigas raramente aparecem “do nada” - seguem trilhos de alimento que certas plantas e pragas acabam por lhes criar.
A aliança secreta: formigas e pulgões
O grande impulso por trás das colónias de formigas nos canteiros não são as formigas em si, mas os pulgões. Estes insectos sugam a seiva das plantas e libertam uma substância açucarada, a chamada melada. Para as formigas, isso equivale a xarope.
Na prática, as formigas chegam a “ordenhar” os pulgões: protegem-nos de predadores, vigiam as colónias e até os transportam para outras plantas. Por isso, ter pulgões no jardim é, quase sempre, abrir a porta às formigas.
Estas plantas atraem pulgões - e, com isso, também formigas
Em especial, as plantas abaixo são conhecidas por serem verdadeiros ímanes de pulgões:
- Rosas - clássicas no canteiro, mas para os pulgões são quase tão irresistíveis como um buffet à descrição
- Árvores de fruto como macieiras e ameixeiras - os pulgões instalam-se com frequência em rebentos novos e na face inferior das folhas
- Arbustos de bagas como framboeseiras e groselheiras - tecido macio, muita seiva, condições ideais para pulgões
Onde houver muitas colónias de pulgões, é apenas uma questão de tempo até aparecerem formigas. Quem vigiar estas zonas no jardim consegue detectar cedo os sinais de que o problema pode estar a caminho.
Que plantas atraem especialmente as formigas
Além da melada produzida pelos pulgões, as formigas também se interessam por seiva vegetal e por restos de fruta doce que caem no chão. Há plantas que, por isso, voltam constantemente a estar no centro das atenções.
“Ímanes de formigas” mais comuns no jardim
| Planta | Porque é que as formigas as adoram |
|---|---|
| Rosas | Muitas vezes com forte infestação de pulgões, muita melada |
| Macieiras | Seiva doce, fruta caída, pulgões nos rebentos jovens |
| Ameixeiras | Frutos rachados com seiva a escorrer, frequentemente colonizados por pulgões |
| Framboeseiras | Fruta macia, bagas que amadurecem demais e caem, pulgões nos ramos |
| Groselheiras | Restos de fruta e seiva, mais pulgões em folhas e caules |
Sob árvores de fruto e arbustos de bagas é comum encontrarem-se ninhos de formigas bem densos. Aí, elas ganham em dobro: restos de fruta doce e pulgões como “gado” a fornecer melada.
Quem tem árvores de fruto e arbustos de bagas no jardim cria condições ideais para as formigas - se a fruta caída e os pulgões ficarem sem controlo.
Formigas no jardim: só praga - ou também ajudam?
Por mais irritantes que sejam, as formigas não são totalmente “vilãs”. No solo, ajudam a soltar a terra, transportam sementes e removem insectos mortos. Num jardim mais natural, têm, de facto, utilidade.
Os problemas aparecem sobretudo quando:
- as formigas constroem ninhos junto a terraços, caminhos ou fundações da casa,
- protegem pulgões em grande número, agravando os danos nas plantas,
- formam “auto-estradas” e avançam até à cozinha.
Por isso, o objectivo muitas vezes não é eliminar todas as formigas, mas sim reduzir a população e proteger as zonas mais sensíveis.
Estas plantas afastam as formigas de forma eficaz
Quem não quer recorrer logo a químicos pode conseguir muito com uma plantação bem pensada. Algumas ervas aromáticas e plantas silvestres são particularmente desagradáveis para as formigas - sobretudo por causa dos óleos essenciais.
Ervas aromáticas de que as formigas não gostam
- Absinto - aroma muito intenso, frequentemente referido como repelente natural de formigas
- Tomilho - contém substâncias que as formigas evitam; em pleno sol, o cheiro torna-se mais marcado
- Hortelã - odor fresco e pungente que “apaga” cheiros atractivos; tende a alastrar com força
- Lavanda - planta perfumada popular, cujo aroma desorienta as formigas
Estas plantas podem ser usadas de forma estratégica onde as formigas não são bem-vindas: ao longo de bordos de terraços, à entrada de casa, nas extremidades dos canteiros e à volta de roseiras muito afectadas.
Um bordo de ervas com tomilho, hortelã e lavanda pode alterar visivelmente os trilhos de formigas e aliviar as entradas do assédio.
Estratégias práticas contra formigas à volta de casa
Quando se conhece o papel das plantas, é mais fácil agir com precisão. Algumas medidas simples ajudam a baixar bastante o número de formigas, sem virar o jardim do avesso.
Passo a passo para travar a praga de formigas
Combater os pulgões
Verifique com regularidade os rebentos de roseiras, árvores de fruto e arbustos de bagas. Se a infestação for forte, pode ajudar:- lavar com um jacto de água forte
- pulverizar uma solução de sabão (por exemplo, sabão macio) sobre as colónias
- favorecer auxiliares como joaninhas, mantendo zonas mais “selvagens” no jardim
Remover fruta caída e restos de fruta
Apanhe rapidamente maçãs, ameixas ou bagas que caiam ao chão. E não deixe fruta demasiado madura pendurada nos arbustos.Criar barreiras para formigas em pontos sensíveis
Plante ervas muito aromáticas junto à parede da casa, no terraço e na entrada da cozinha, ou faça barreiras de cheiro com restos dessas ervas.Fazer o ninho mudar de lugar
Se houver ninhos no relvado ou no canteiro, coloque um vaso com terra virado ao contrário, espere alguns dias e leve a colónia que se instalou para um canto menos problemático.
Quando a escolha das plantas se torna um risco
Um jardim cheio de roseiras, árvores de fruto e arbustos de bagas acaba, por si só, por criar um “paraíso” para pulgões - e, por consequência, um problema recorrente com formigas. Em espaços pequenos, poucas plantas mal colocadas podem bastar para trazer as formigas directamente para junto da casa.
Imagine, por exemplo, uma roseira muito perfumada mesmo ao lado da porta do terraço e, ao lado, um vaso grande com framboeseiras. Ambas estão atacadas por pulgões, a melada pinga para o chão e as formigas fazem a ligação. Pouco depois, entram na cozinha, onde também encontram fontes de açúcar.
Quem identifica estas combinações consegue corrigir o rumo: escolher variedades de rosas mais robustas, plantar bagas um pouco mais longe da casa e acompanhar a pressão de pulgões logo no início do ano.
Como os jardineiros amadores podem planear com mais inteligência
Um jardim “consciente das formigas” não é um espaço estéril - é um equilíbrio bem pensado. Muitos problemas podem ser evitados ainda na fase de planeamento:
- não plantar árvores de fruto encostadas ao terraço ou à parede da casa
- combinar roseiras que costumam ter muitos pulgões com ervas aromáticas intensas
- aplicar mulch de forma regular sob árvores de fruto e retirar a fruta caída
- criar faixas floridas para auxiliares, para que joaninhas e outros insectos mantenham os pulgões sob controlo
Assim, torna-se muito menos necessário recorrer a iscos ou venenos. As formigas continuam a existir como parte do ecossistema do jardim, mas deixam de acompanhar cada passo.
Há ainda um ponto frequentemente subestimado: muitos trilhos de formigas vão dar a açúcar dentro de casa ou na garagem. Garrafas de sumo abertas, restos de comida de gato, molhos pegajosos do churrasco na mesa - tudo isso aumenta o poder de atracção. Por isso, limpeza dentro e fora é sempre parte da gestão das formigas.
Quando se escolhem as plantas com intenção, se vigiam os pulgões cedo e se colocam ervas aromáticas nos sítios certos, as formigas perdem grande parte do incentivo. E as rosas, as árvores de fruto e as bagas continuam a ser um prazer - sem uma colónia inteira a querer sentar-se à mesa.
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