Durante muitos anos, falar em Salvador Caetano era praticamente falar de Toyota e, em paralelo, da maior fábrica de autocarros do país (CaetanoBus). Esse retrato já ficou para trás. Desde que Sérgio Ribeiro, atual diretor-executivo do Grupo, assumiu a liderança, o ritmo de expansão acelerou, o negócio ganhou escala e a histórica empresa nacional alargou claramente o seu campo de ação. Em menos de 10 anos, o Grupo Salvador Caetano cresceu de forma notória.
Esse percurso começou, segundo o diretor-executivo, com o relançamento da Hyundai e continuou com novos investimentos e operações em vários mercados europeus e africanos. Nos últimos tempos, o foco passou muito pelas marcas chinesas, como a BYD, Xpeng e Dongfeng. Agora, a aposta chega a uma área totalmente nova: as duas rodas.
A Salvador Caetano anunciou a aquisição da maioria do capital do Grupo Multimoto, distribuidor líder em Portugal de várias marcas de motas e de veículos de mobilidade. No portfólio estão nomes bem conhecidos como Kawasaki, Benelli, Keeway, Segway, UM, Linhai, Kymco, CF Moto, Morbideli, Cyclone, TM e até a exclusiva Bimota. Marcas de várias origens: japonesas, italianas mas sobretudo chinesas, que refletem a diversidade e a transformação em curso no setor.
O Grupo Multimoto, com forte presença em Portugal e uma atividade a crescer em Espanha, passa agora a integrar a estratégia de diversificação da Salvador Caetano. Sérgio Ribeiro, diretor-executivo do grupo, sublinhou que “este é um importante passo para o investimento estratégico nesta área de negócio, promovendo a sua expansão nacional e internacional”.
Mais do que um negócio, é um sinal claro de reposicionamento. A Salvador Caetano deixou de ser apenas a empresa que importa automóveis ou que fabrica autocarros em Vila Nova de Gaia, no Porto. Tornou-se uma plataforma industrial e comercial mais ampla, atenta às novas dinâmicas da mobilidade, que hoje podem ir de uma scooter para a cidade a uma moto de alta cilindrada, ou até a um ATV.
A compra da Multimoto representa também a primeira grande entrada de um dos gigantes nacionais da distribuição automóvel no universo das duas rodas.
Não deixa de ser simbólico que esta consolidação seja feita através de marcas que cruzam três geografias: Japão, Itália e, sobretudo, a China - país que se tornou protagonista mundial na produção de motas e que, tal como acontece na indústria automóvel, começa a ganhar cada vez mais espaço na Europa.
Vale a pena lembrar que foi precisamente com uma marca japonesa, a Toyota, que o grupo começou a crescer em Portugal. A empresa portuguesa volta, assim, a reinventar-se. Depois dos automóveis, autocarros e soluções de mobilidade, chegou a vez das duas rodas.
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