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Europa, Nasa e ESA: Thomas Pesquet pode ser o primeiro europeu na Lua com o programa Artemis

Astronautas em fatos espaciais na superfície da Lua com módulo lunar e Terra ao fundo.

A próxima ida do ser humano à Lua não vai ser um espectáculo exclusivamente norte-americano. Nos bastidores, a Europa fechou com a agência espacial norte-americana, a Nasa, um entendimento que prevê vários voos de astronautas da ESA em missões lunares. E há fortes indícios de que poderá ser um francês a tornar-se o primeiro europeu de sempre a sentir o pó cinzento da superfície lunar debaixo das botas.

Europa entra na lista da Lua com alta tecnologia

Ao contrário do que aconteceu na era Apollo, o programa Artemis foi desenhado, desde o início, com um perfil assumidamente internacional. A ESA não está apenas a fornecer “peças pequenas”: está a entregar hardware sem o qual o projecto simplesmente não funciona. Esse peso técnico transformou-se agora em influência política - e, sobretudo, em lugares a bordo.

O elemento central é o European Service Module (ESM). Este módulo de serviço europeu está acoplado à cápsula norte-americana Orion como se fosse uma mochila.

"Sem o módulo de serviço europeu, a Orion nem sequer chega à órbita lunar - tal é a alavanca técnica da ESA."

Na prática, o ESM fornece propulsão, energia e controlo térmico. Em poucas palavras: é o que mantém a nave operacional. Em troca, a Nasa não paga em dinheiro, mas em oportunidades de voo - um tipo de permuta comum no sector, conhecido como "barter".

E a contribuição europeia não se fica por aqui. A ESA também vai entregar dois componentes-chave da futura estação lunar Gateway:

  • I-Hab - um módulo habitacional e de trabalho para os astronautas
  • Esprit - um módulo para propelente, comunicações e pontos de acoplamento

Esta combinação de tecnologia e investimento de milhares de milhões faz com que a Europa deixe de ser mera figurante. Já existem três lugares para astronautas da ESA, politicamente assumidos, em missões associadas à estação Gateway. E, nos corredores, há agora uma expectativa nítida em cima da mesa: um europeu deverá também pôr os pés na superfície da Lua.

Porque é que um francês parece estar em vantagem

Quem deverá representar essa estreia europeia? Nas declarações oficiais, tudo continua a soar em aberto, mas os critérios são exigentes. Os primeiros voos lunares sob a bandeira Artemis estão entre as missões mais arriscadas e complexas das últimas décadas. Não há margem para escolhas leves.

Procura-se um perfil que reúna vários requisitos ao mesmo tempo:

  • Experiência de longa duração no espaço
  • Rotina na gestão de cenários de emergência
  • Experiência de liderança numa tripulação internacional
  • Saúde e forma física de topo, mesmo depois dos 40

A nova geração de astronautas da ESA - incluindo a francesa Sophie Adenot - encaixa mais naturalmente nas missões da década de 2030. Para os primeiros voos, ESA e Nasa tenderão, quase de certeza, a privilegiar rostos já testados.

Dentro desse grupo mais experiente, há um nome que se destaca claramente: Thomas Pesquet.

O astronauta mais experiente da ESA em serviço activo

Pesquet já passou por duas missões de vários meses na Estação Espacial Internacional (ISS). Durante a missão "Alpha", chegou mesmo a assumir, por um período, o comando de toda a estação - um sinal de confiança raro para astronautas que não são norte-americanos.

Essas missões dão-lhe várias vantagens concretas:

  • Experiência sólida em caminhadas espaciais exigentes
  • Preparação para lidar com sistemas críticos e situações de emergência
  • Prova dada como comandante de uma equipa internacional
  • Elevada notoriedade na Europa e forte presença mediática

É precisamente esta mistura que o torna atractivo para a Nasa e para a ESA. A competência técnica pesa sempre, mas o impacto público há muito que também conta. O Artemis precisa de justificar investimentos de milhares de milhões e, ao mesmo tempo, inspirar jovens para a tecnologia, as ciências naturais e a exploração espacial. Um astronauta capaz de falar tanto para especialistas como para o grande público é um activo de enorme valor.

"Nos meios da exploração espacial, Pesquet é há muito visto como o candidato 'lógico' para abrir simbolicamente o caminho da Europa até à Lua."

Ainda assim, nada foi confirmado. Nem a ESA nem a agência espacial francesa CNES avançam nomes neste momento. Mas, ao falar com responsáveis, repete-se o mesmo subtexto: se um francês for o primeiro europeu a aterrar na Lua, isso já não surpreenderá ninguém nos centros de controlo.

A missão-chave: Artemis IV em 2028

Em que voo poderá acontecer? Olhar para o calendário actual do Artemis ajuda a perceber onde é que a Europa entra, de forma estratégica, na linha da frente.

Artemis II Artemis III Artemis IV Artemis V
Objectivo principal Voo tripulado à volta da Lua Primeiro voo tripulado de aterragem lunar no pólo sul Instalação do módulo I-Hab na Gateway Actividade intensiva na superfície lunar com rover
Tripulação 4 astronautas (EUA/Canadá) 4 astronautas (provavelmente só Nasa) 4 astronautas (mista Nasa/ESA) 4 astronautas (mista Nasa/ESA)
Papel da Europa Módulo de serviço ESM Apoio técnico a partir de órbita Entrega e colocação em serviço do módulo habitacional I-Hab Operações perto da superfície; possível estadia lunar com participação da ESA
Data prevista Final de 2025 / 2026 2026 / 2027 2028 2030

A missão decisiva chama-se Artemis IV. É aqui que o módulo I-Hab, construído na Europa, deverá ser transportado para a Gateway e instalado de forma permanente. Para a ESA, é um momento político e simbólico: a “casa” dos astronautas nas imediações da Lua tem, no essencial, ADN europeu.

Faz sentido que, nessa fase, um astronauta da ESA siga a bordo - idealmente um europeu sentado no cockpit e no painel de controlo no instante em que o módulo se acopla à estação. É precisamente aqui que Pesquet volta a entrar na equação. A experiência dele com manobras de acoplagem e com robótica encaixa num voo em que um novo módulo habitacional tem de ser ligado, com segurança, a uma estação ainda em fase inicial.

O treino para a Lua já está em marcha

No Centro Europeu de Astronautas, em Colónia, os formadores estão a ajustar o programa passo a passo. Até agora, grande parte dos exercícios estava centrada em cenários da ISS, mas cada vez mais módulos de treino se orientam para missões lunares:

  • Navegação nas proximidades da Lua
  • Procedimentos de trabalho com ligações de comunicação limitadas com a Terra
  • Actividades extraveiculares em módulos da Gateway
  • Preparação para módulos de alunagem e operação de rovers

Estas alterações são um sinal claro: a ESA conta, de forma realista, que os seus astronautas não ficarão a ver de longe - irão participar activamente na nova fase lunar.

O que significam, afinal, Gateway e Artemis

A estação Gateway pode ser descrita, de forma simples, como uma “mini-ISS em órbita lunar”. Não ficará numa órbita baixa constante: vai operar numa trajectória especial, energeticamente mais eficiente. A partir daí, os astronautas poderão descer à Lua em módulos de alunagem e regressar à Gateway.

O programa Artemis reúne vários elementos em simultâneo:

  • o foguetão pesado SLS como lançador para a Lua
  • a nave Orion para a tripulação
  • a estação Gateway como escala e plataforma de investigação
  • novos módulos de alunagem e rovers para permanências mais longas

Para a Europa, o ganho vai muito além do prestígio. Com o ESM, o I-Hab e o Esprit, a ESA garante encomendas de longo prazo para a indústria europeia - desde motores e geradores solares até sistemas de suporte de vida. Em paralelo, universidades e centros de investigação preparam projectos que dependem directamente de dados da Gateway e das missões lunares, por exemplo sobre exposição à radiação, utilização de recursos locais ou efeitos médicos de longo prazo.

Porque um passeio lunar europeu teria um impacto tão grande

Se um francês como Thomas Pesquet vier um dia a estar no pó lunar ao lado de uma astronauta norte-americana, não será apenas uma fotografia histórica. Um momento assim pode influenciar a política espacial europeia durante anos.

Consequências possíveis:

  • Mais financiamento para orçamentos espaciais nacionais em Paris, Berlim e Roma
  • Reforço do apoio a start-ups nas áreas de satélites, lançadores e tecnologias lunares
  • Novo impulso para cursos de STEM, por haver um exemplo concreto e próximo
  • Pressão política para garantir um papel também em futuros projectos de Marte

Ao mesmo tempo, as expectativas aumentam. Quem entra no jogo com a Gateway e o Artemis dificilmente aceitará, a longo prazo, uma posição secundária. Dentro da ESA, já cresce o debate sobre se a Europa deverá desenvolver, no futuro, módulos de alunagem próprios, rovers próprios e, talvez um dia, sistemas tripulados próprios.

Para muitos alunos em França, Alemanha ou Itália, o primeiro europeu na Lua poderá ser o instante em que a exploração espacial deixa de ser um tema técnico e abstracto e se transforma numa oportunidade de futuro palpável. É por isso que a Nasa e a ESA olham com tanto cuidado para os nomes que colocam nessa lista histórica. Se, no fim, for mesmo um francês a dar o primeiro passo europeu na Lua, isso não será apenas um triunfo nacional - será um marco que redefine o lugar de todo o continente no espaço.

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