Dados do veículo explorador Perseverance revelam uma estrutura complexa de rochas sedimentares e indícios de correntes de água no passado do planeta
Com a ajuda do radar RIMFAX, o veículo explorador Perseverance obteve, pela primeira vez, imagens pormenorizadas da estrutura subterrânea do delta de um rio na cratera de Jezero, em Marte. A análise dos dados mostrou que, sob a camada de solo marciano, se escondem depósitos sedimentares espessos, formados por antigas correntes de água. Esta descoberta confirma que, no passado, Marte teve rios estáveis, capazes de modelar deltas ramificados semelhantes aos da Terra.
As medições por radar permitiram reconstruir a sequência de camadas até uma profundidade de 20 metros. Os cientistas identificaram a alternância entre sedimentos densos e soltos, o que aponta para mudanças nas fases de atividade do rio e para possíveis períodos de seca. Chamaram especial atenção as camadas inclinadas, típicas de depósitos deltaicos, bem como os sinais de erosão e de redeposição do material.
O radar RIMFAX tornou-se a chave para compreender a estrutura interna do delta, uma vez que os métodos tradicionais de observação estão limitados à análise da superfície. Os dados obtidos permitem afinar os cenários de evolução do clima de Marte e avaliar a probabilidade de terem existido condições favoráveis à vida no passado.
Os autores do trabalho sublinham que as estruturas descobertas são análogas às deltas da Terra, onde muitas vezes se preservam vestígios de vida antiga. Isso reforça o interesse em prosseguir o estudo da cratera de Jezero e em procurar compostos orgânicos nas rochas sedimentares.
A descoberta alarga a visão sobre a história hidrológica de Marte e confirma que o planeta, no passado, possuía um sistema complexo de correntes de água. Num futuro próximo, está previsto realizar perfurações e analisar amostras em busca de possíveis biomarcadores.
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