A Ucrânia estará a ponderar a aquisição de caças Mirage 2000-5 da Força Aérea do Qatar, no quadro de um eventual entendimento que combinaria a transferência de aeronaves com cooperação técnica para fazer face a drones iranianos. A iniciativa enquadra-se no esforço de Kiev para reforçar as suas capacidades aéreas e, em paralelo, capitalizar a experiência acumulada no combate a sistemas não tripulados.
Negociações entre Kiev e Doha pelos Mirage 2000-5 do Qatar
Segundo informação avançada pelo Intelligence Online, a Ucrânia terá apresentado a Doha um pedido de transferência de Mirage 2000-5 usados, oferecendo em contrapartida apoio no desenvolvimento e na operação de drones interceptores. Ainda assim, as conversações terão perdido ritmo devido a divergências relacionadas com a frota de aeronaves, o que acabou por travar o avanço da cooperação na vertente antidrone.
De acordo com fontes citadas no mesmo relatório, um pequeno destacamento de especialistas ucranianos em guerra contra drones terá sido enviado recentemente para o Qatar para apoiar a resposta a sistemas lançados pelo Irão, mas a continuidade do trabalho dependerá do desfecho das negociações. Nesse enquadramento, o meio sublinhou: “A Ucrânia tem demonstrado interesse nesses aviões há muito tempo, assim como outros países e intermediários. No entanto, Doha atualmente ignora o pedido de Kiev. Como resultado, as negociações para reforçar as capacidades antidrone do Qatar chegaram a um impasse”.
Frota Mirage 2000-5EDA/DDA e tentativas falhadas de venda
A frota do Qatar integra nove Mirage 2000-5EDA de um lugar e três Mirage 2000-5DDA de dois lugares, adquiridos na década de 1990. Estes aparelhos têm sido colocados no mercado há vários anos, sem que se tenham concretizado negócios. Trata-se de uma versão modernizada do Mirage 2000-5, equipada com radar RDY e mísseis ar-ar MICA, reforçando a capacidade de detecção e de intercepção de alvos aéreos.
Também não vingaram tentativas anteriores para transferir estes caças. Um dos exemplos referidos é o da empresa privada francesa ARES, que chegou a mostrar interesse, mas terminou actividade em 2023 devido a dificuldades financeiras. Mais tarde, a Indonésia analisou a compra de 12 unidades por aproximadamente 790 milhões de dólares como solução transitória enquanto avançava com a entrada ao serviço de aeronaves Dassault Rafale, porém a operação foi cancelada em fevereiro de 2024.
Integração com os Mirage 2000 franceses e cooperação antidrone
Em paralelo, a Ucrânia já utiliza caças Mirage 2000 fornecidos por França, o que, em teoria, reduziria obstáculos à integração de aeronaves adicionais provenientes do Qatar. No âmbito do apoio militar francês, está prevista a entrega de entre 12 e 20 aeronaves, embora, segundo informações disponíveis, uma delas tenha sido perdida durante o verão de 2025.
As autoridades ucranianas têm salientado a relevância desta plataforma para contrariar ataques aéreos russos, incluindo mísseis de cruzeiro e drones. Nesse contexto, Kiev referiu recentemente: “A parte francesa prepara a transferência de aviões Mirage 2000 para a Ucrânia (…) Agradecemos à França seu constante apoio político e militar”, numa alusão a conversas entre o ministro da Defesa ucraniano, Mykhailo Fedorov, e a ministra francesa Catherine Vautrin.
Nas missões em curso, os Mirage 2000 ao serviço da Ucrânia recorrem a mísseis ar-ar MICA e Magic 2, bem como a bombas guiadas AASM Hammer para ataques a alvos terrestres. Estas valências têm sido empregues no âmbito do conflito em curso, em que a ameaça de sistemas não tripulados se tornou central.
No mesmo domínio, a Ucrânia tem alargado a cooperação internacional em matéria antidrone, incluindo o envio de especialistas para o exterior. O Presidente Volodímir Zelenski confirmou recentemente a deslocação de mais de 200 especialistas para o Médio Oriente e para a região do Golfo, com o objectivo de colaborar na protecção contra drones iranianos Shahed, realçando a experiência que Kiev acumulou perante este tipo de ameaça.
Imagens meramente ilustrativas.
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