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Polaris MRZR: contratos, ULTV do USMC e o futuro da autonomia

Veículo utilitário off-road cinzento com quatro rodas grandes e assentos em exposição interior.

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Conhecida por desenvolver uma família de veículos tácticos MRZR fiáveis, com várias variantes, a Polaris falou recentemente com a Zona Militar. O executivo John LaFata abordou os contratos em curso, projectos em desenvolvimento e os objectivos de longo prazo da empresa.

Segundo LaFata, há “muitos contratos internacionais” em que a Polaris está a trabalhar, “mas vamos abordá-los na SOF Week”. (A Special Operations Forces Week é uma grande exposição de defesa em Tampa, Florida, a decorrer de 18 a 21 de maio). Até ao momento, não há notícias de novas encomendas, por parte de forças militares da América Latina, dos veículos tácticos produzidos pela Polaris. Ainda assim, importa referir que os exércitos da Argentina e de El Salvador já operam o veículo táctico MRZR.

A Polaris explicou à ZM que, na SOF Week, vai apresentar diversos veículos e outras iniciativas. Entre os destaques estarão: o Forterra MESA, um veículo terrestre autónomo baseado no Polaris RANGER XD 1500; um MRZR Alpha equipado com o Freedom Atlantic Communications System; e um MRZR Alpha 6×6 com um Marine Corps Vehicle Common Launcher (VCL) actualizado e o Jackal da Northrop Grumman.

O USMC e o ULTV

O programa de Ultra-Light Tactival Vehicle do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA (US Marine Corps) continua a avançar, tendo a Polaris como fornecedor único de ULTV. O modelo de contratação do governo dos EUA conhecido como IDIQ (Indefinite Delivery, Indefinite Quantity) foi anunciado no portal do governo norte-americano, SAM.gov, a 31 de março de 2026. No anúncio, é indicado que a adjudicação deverá ocorrer “no terceiro trimestre do Ano Fiscal de 2026 com um período de encomendas aproximado de 60 meses”.

Este contrato IDIQ, tal como previsto, destina-se a fornecer ULTV aos Fuzileiros Navais dos EUA, viaturas que podem ser transportadas a bordo do Bell Boeing V-22 Osprey (transporte e carga) e do helicóptero Sikorsky CH-53 Sea Stallion para “operações litorais”. O governo dos EUA refere que esta aquisição “irá satisfazer a integração e colocação no terreno, prioritárias no âmbito do Force Design 2030, de sistemas de acordo com os calendários de entrada ao serviço da III Marine Expeditionary Force (MEF), II MEF, estruturas de apoio e programas integrados”.

Um aspecto particularmente relevante do ULTV é a capacidade de disponibilizar cinco quilowatts de potência exportável a 24 volts, permitindo alimentar sistemas como o Light Marine Air Defense Integrated Systems (L-MADIS), o Common Aviation Command & Control System (CAC2S) e o Networking On-the-Move (NOTM), um sistema móvel de comunicações por satélite.

LaFata esclareceu que a existência de potência exportável integrada liberta espaço na plataforma de carga para instalar outros sistemas ou cumprir outras missões, como a evacuação de feridos. (A Zona Militar já tinha abordado a energia exportável em veículos tácticos ligeiros, em novembro de 2025, no artigo “Energia exportável: a próxima fronteira para veículos tácticos ligeiros”, que incluía uma referência à Polaris).

O MRZR Alpha não é novidade para as Forças Armadas dos EUA: em 2020, a empresa recebeu uma encomenda inicial de USD109 milhões para os produzir para o US Special Operations Command - nessa altura, o veículo foi designado Light Tactical All Terrain Vehicle (LTATV), enquanto os Fuzileiros Navais o denominam ULTV. A Força Aérea dos EUA também encomendou o MRZR Alpha. (O contrato original de LTATV para o USSOCOM foi igualmente utilizado pelo Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA para adquirir os seus ULTV.

O MRZR

LaFata conversou ainda com a Zona Militar sobre outros projectos actualmente em desenvolvimento. Em concreto, afirmou que a empresa “continua a produzir a versão versátil 6×6 do veículo táctico ligeiro MRZR Alpha”. Segundo o executivo, o 6×6 tem maior capacidade de carga útil e consegue transportar o Jackal, a munição vagante da Northrop Grumman.

De acordo com LaFata, o MRZR Alpha 6×6 “preenche a lacuna entre o ULTV e o Joint Light Tactical Vehicle (JLTV)”, graças a uma capacidade de carga útil de 1,360 kg (3,000 libras).

O futuro da autonomia

Por fim, a ZM questionou LaFata sobre autonomia, numa altura em que uma tendência transversal à indústria de defesa dos EUA e mundial passa por desenvolver veículos autónomos capazes de transportar cargas e configurações distintas, incluindo outros sistemas autónomos como munições vagantes ou lançadores de drones, sistemas de guerra electrónica e soluções de combate a aeronaves não tripuladas.

O executivo afirmou: “vemos-nos como a oportunidade adequada, pronta para a autonomia. Continuamos a trabalhar com clientes e parceiros para iterar a capacidade de forma a responder às suas necessidades”, acrescentando que o objectivo da Polaris é “entregar um veículo que possa ser facilmente integrado com um sistema autónomo”.

Quando a tecnologia de defesa estiver pronta para o próximo salto rumo à autonomia, a Polaris diz estar pronta.

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