Missão humanitária da Argentina com Lockheed C-130 Hércules para a Bolívia
A Argentina enviou esta sexta-feira (15) um avião cargueiro Lockheed C-130 Hércules da Força Aérea Argentina para apoiar a Bolívia no transporte de alimentos e bens essenciais, numa altura em que o país vizinho enfrenta, há duas semanas, uma forte vaga de protestos e bloqueios.
A informação foi avançada pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros da Argentina, Pablo Quirno, que explicou que a operação foi desencadeada a pedido do governo boliviano, perante a crise de abastecimento registada em várias cidades do país.
Segundo Buenos Aires, trata-se de uma missão de natureza humanitária e com carácter temporário, coordenada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros em articulação com o Ministério da Defesa. A intenção é criar pontes aéreas que assegurem a distribuição de alimentos enquanto as principais vias continuam interrompidas por manifestantes.
Relações bilaterais Argentina–Bolívia em contexto favorável
O governo argentino sublinhou ainda que esta cooperação ocorre num momento considerado positivo nas relações bilaterais entre os dois países, desde a tomada de posse do presidente boliviano Rodrigo Paz Pereira.
Protestos e bloqueios na Bolívia: origem e escalada
A Bolívia vive uma intensificação de protestos desde o início de maio. As manifestações começaram após um cabildo convocado pela Central Obrera Boliviana (COB) no dia 1 de maio e, nos últimos dias, diferentes sectores foram aderindo às mobilizações.
Na última terça-feira, o país chegou a contabilizar mais de 60 pontos de bloqueio em estradas, em acções organizadas por sindicatos, professores, grupos indígenas, transportadores, comerciantes e sectores ligados ao ex-presidente Evo Morales.
Entre as exigências apresentadas contam-se pedidos de actualização salarial por parte de professores urbanos e rurais, compensações financeiras reclamadas pelos transportadores devido às perdas económicas e reivindicações políticas de movimentos sociais e camponeses.
O governo boliviano indicou que algumas das demandas já foram satisfeitas, incluindo a revogação da Lei 1.720, que estava a ser contestada por organizações indígenas. Ainda assim, grupos mais radicalizados alargaram as exigências e passaram a pedir a demissão do presidente Rodrigo Paz.
A Federação Única de Trabalhadores Camponeses de La Paz “Tupac Katari” está entre as organizações que defendem a saída do chefe de Estado, elevando a pressão política sobre o governo boliviano em plena crise social e logística no país.
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