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Homens amadurecem muito mais tarde: estudo revela diferença de idades surpreendente

Jovem homem a jogar videojogos e mulher a trabalhar num computador portátil sentados no sofá com pizza e bebida na mesa.

Crescer emocionalmente parece simples: tornar-se mais velho, acumular experiências, assumir responsabilidades. Na prática, porém, a imagem que cada um tem de si, o que o parceiro espera e o comportamento real afastam-se muitas vezes bastante. Um inquérito muito citado no Reino Unido chega mesmo a afirmar que, em média, as mulheres atingem a maturidade emocional mais de uma década antes dos homens - e muitos casais sentem precisamente essa diferença no dia a dia.

O que significa, afinal, ter maturidade emocional

Ser emocionalmente maduro não quer dizer nunca mais chorar nem manter sempre a calma. Trata-se de lidar com os sentimentos de forma consciente e de não ser conduzido por eles. Sinais típicos incluem:

  • conseguir reconhecer os próprios erros
  • não fugir aos conflitos, mas abordá-los
  • assumir a responsabilidade pelas decisões tomadas
  • ter em conta o impacto das próprias ações nos outros
  • conter reações impulsivas antes de dizer ou fazer algo

Foram precisamente estes pontos que estiveram no centro de um inquérito encomendado em 2013 por um conhecido canal infantil no Reino Unido. Não se tratava de rendimento, cargo profissional ou escolaridade, mas de forma explícita da maturidade emocional nas relações.

O estudo sobre maturidade emocional que agitou os casais

No questionário, mulheres e homens indicaram como avaliavam a própria maturidade e a do parceiro. Uma das mensagens centrais foi esta: muitas mulheres sentem-se emocionalmente em “nível de adulto” muito antes dos seus companheiros. A partir das respostas, os investigadores chegaram a dois valores etários concretos - e foi precisamente isso que fez manchetes na altura.

O inquérito conclui que as mulheres atingem a plena maturidade emocional, em média, aos 32 anos, enquanto os homens só aos 43.

Onze anos de diferença - um número que, ao mesmo tempo, provoca e confirma muitas observações do quotidiano. O mais interessante: uma parte dos homens encarou isto com a mesma autocrítica.

Quão grande é a diferença sentida na prática

Segundo o inquérito, nas relações heterossexuais repetem-se certos padrões. As mulheres descrevem que, muitas vezes, são as primeiras a falar seriamente sobre o futuro, as finanças, o planeamento de filhos ou a separação - enquanto o parceiro tende a desviar o assunto ou a distrair-se.

As respostas dos participantes revelaram, entre outros aspetos:

  • cerca de oito em cada dez mulheres consideram que os homens nunca se libertam totalmente de uma certa “vertente infantil”;
  • aproximadamente um em cada quatro homens descreve-se abertamente como emocionalmente imaturo.

Assim, não são apenas as mulheres que veem os parceiros como brincalhões ou pouco dados à responsabilidade; uma parte dos homens também sente essa distância e dá-lhe nome.

Quando a relação se transforma numa via de sentido único

O que significa, concretamente, a imaturidade emocional no dia a dia? Nas respostas, surgiram repetidamente cenários semelhantes. Muitas mulheres relataram que acabam, a longo prazo, por assumir o papel de “gestora interna” da relação - em casa, no plano emocional e na organização prática.

Entre os exemplos mais frequentes estavam:

  • decisões importantes são adiadas ou delegadas na parceira
  • conversas sérias são travadas com piadas, silêncio ou discussões
  • as tarefas do quotidiano ficam “invisíveis” e passam automaticamente para uma só pessoa
  • o planeamento a longo prazo (local de residência, mudança de emprego, constituição de família) tira o sono apenas a um dos lados

Muitas mulheres descreveram, por isso, a relação como “assimétrica”: elas planeiam, organizam e refletem - o parceiro fica para trás ou esquiva-se. Algumas sentiam-se mais figura materna do que companheira.

Cerca de uma em cada duas mulheres afirmou sentir-se, em certos momentos, mais como cuidadora do que como amante.

Cerca de um terço dos inquiridos disse já ter terminado uma relação porque o parceiro parecia emocionalmente demasiado imaturo. Não foi a falta de amor que esteve no centro, mas sim o esgotamento provocado pela responsabilidade unilateral.

Até que ponto estes números são realmente fiáveis?

Os autores do inquérito não pretendiam apresentar um estudo longitudinal rigorosamente científico. O painel era limitado, a abordagem tinha um tom mais lúdico e o contexto cultural era claramente britânico. Por isso, os resultados não devem ser tratados como factos inquestionáveis.

Mesmo assim, o inquérito toca num ponto essencial: a maturidade emocional contribui de forma decisiva para a estabilidade das relações. Os casais raramente se separam apenas por uma discussão isolada; o mais comum é acumular-se ao longo dos anos a sensação de que “sou eu que carrego tudo isto”.

O que a investigação cerebral diz sobre isto

Independentemente dos estereótipos de género, a neurociência aponta para um aspeto interessante. Investigadores da Universidade de Cambridge admitem que o cérebro humano atinge a plena maturidade por volta dos 32 anos. Em especial, as áreas responsáveis pelo planeamento, pelo controlo dos impulsos e pela regulação das emoções encontram-se então, em grande medida, desenvolvidas.

A partir do início dos 30, o nosso cérebro já não funciona como o de um adolescente, mas como o de um adulto plenamente desenvolvido.

Ou seja: do ponto de vista biológico, homens e mulheres partilham uma base de desenvolvimento semelhante. Se alguém aos 28, 35 ou 45 anos parece mais maduro emocionalmente, isso depende não só do género, mas também das experiências, da educação, do nível de stress, da saúde mental - e simplesmente da disponibilidade para trabalhar sobre si próprio.

O que define a maturidade emocional no quotidiano

Em vez de se fixar numa idade concreta, vale a pena olhar para capacidades específicas. A maturidade emocional manifesta-se, por exemplo, na forma como alguém reage em momentos críticos:

Situação Reação imatura Reação madura
Crítica do parceiro Contra-ataque, afastamento, amuo durante dias Ouvir, fazer perguntas, avaliar a parte de verdade
Conflito no dia a dia Bater com a porta, sair de casa, desligar o telemóvel acalmar-se por momentos e depois procurar a conversa
Erro no trabalho ou na relação Passar a culpa para os outros admitir o erro e procurar ativamente soluções
Decisão importante de vida Evitar, adiar, esperar que tudo se resolva sozinho recolher informação, ponderar e tomar uma decisão

Quanto mais vezes alguém se encontra do lado maduro desta tabela, menos importância a data de nascimento tem.

Porque é que tantas mulheres entram mais cedo na “vida adulta”

Uma parte da diferença observada tem explicações sociais. As raparigas e as mulheres jovens recebem tradicionalmente responsabilidades mais cedo: cuidam mais vezes de irmãos, assumem tarefas domésticas ou são vistas como as “responsáveis emocionais”. Este modelo de papel social treina a maturidade - mas também a sobrecarrega.

Já aos rapazes é, em geral, concedido mais tempo para um comportamento lúdico. “Ele ainda vai lá” é uma frase conhecida por muitos. Alguns homens prolongam inconscientemente este padrão na idade adulta e mantêm-se mais tempo no modo “mais cedo ou mais tarde, isto há de correr”.

Isto não significa que as mulheres sejam, por natureza, mais maduras. Quer antes dizer que a sociedade muitas vezes as obriga mais cedo a agir como adultas - com todas as vantagens e desvantagens que isso acarreta.

Como lidar com ritmos de maturidade diferentes num casal

Uma diferença percetível de maturidade não precisa de destruir uma relação, mas pode pesar muito. Aqui, a franqueza ajuda mais do que as acusações. Quem sente que está a suportar demasiado pode dizer de forma concreta:

  • Que decisões acabam sempre por ficar nas minhas mãos?
  • Em que situações é que te afastas regularmente?
  • O que me mostraria que assumias mais responsabilidade?

Para o parceiro do lado “menos maduro”, um olhar honesto pode ser doloroso, mas também libertador. Um primeiro passo simples: mudar conscientemente um comportamento por semana, por exemplo tratar sozinho de uma chamada difícil ou ser quem inicia uma conversa desagradável.

Exemplos práticos para ganhar mais maturidade emocional no quotidiano

Algumas medidas úteis para o dia a dia, com as quais ambos os lados podem treinar a sua maturidade emocional:

  • em caso de conflito, fazer uma pausa curta, mas retomar sempre a conversa numa hora claramente combinada
  • realizar uma vez por semana uma “reunião de estado” sobre a relação, com temas fixos (dinheiro, tarefas, futuro)
  • usar deliberadamente mensagens na primeira pessoa em vez de acusações genéricas
  • nomear as próprias inseguranças, em vez de as esconder atrás de piadas ou agressividade
  • não adiar decisões indefinidamente, mas estabelecer prazos e cumpri-los

A maturidade emocional não é um talento inato, mas sim um conjunto de competências que se podem treinar. Quem aceita isso também se liberta da ideia fixa de que, aos 32 ou 43 anos, tudo muda magicamente de repente.

O mais interessante continua a ser o seguinte: muitos conflitos atribuídos a “fraqueza de caráter” ou “falta de amor” têm, no fundo, muito a ver com uma maturidade emocional desequilibrada. Quem o reconhece pode avaliar as relações de forma mais realista - e decidir de forma mais consciente se quer trabalhar nelas ou pôr-lhes fim.

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