Uma sondagem britânica muito citada apresenta números muito claros e alimenta a discussão há vários anos.
Maturidade emocional soa a um termo tirado de livros de autoajuda, mas, nas relações, muitas vezes é isso que determina se uma ligação se mantém ou acaba por ruir. Um estudo antigo, embora ainda intensamente debatido, analisou precisamente em que momento mulheres e homens passam a ser vistos como “verdadeiramente adultos” - e aponta uma diferença superior a uma década.
O que, afinal, significa maturidade emocional
Antes de falar em números, surge uma pergunta essencial: como se reconhece a maturidade emocional no dia a dia? Não se trata de saber se alguém trabalha, paga uma casa ou cria filhos. O que importa é a forma como a pessoa se relaciona consigo própria e com os outros.
- consegue assumir responsabilidades sem fugir
- toma decisões com ponderação, e não apenas por impulso
- consegue falar sobre sentimentos, em vez de os reprimir ou desvalorizar
- está disposta a enfrentar conflitos, em vez de os varrer para debaixo do tapete
- tem atenção ao modo como o próprio comportamento pesa nos outros, ou lhes alivia o peso
Nas relações amorosas, isso revela-se muitas vezes em situações muito concretas: quem trata da rotina comum? Quem planeia, organiza, se lembra de contas, consultas médicas ou encontros de família - e quem simplesmente “vai no embalo”?
Maturidade emocional não significa deixar de se divertir; significa assumir, com seriedade, a própria vida e as próprias relações.
A polémica investigação da Nickelodeon: números com impacto
A investigação tão citada é de 2013. O canal Nickelodeon pediu a homens e mulheres no Reino Unido que avaliassem a sua própria maturidade e a do respetivo parceiro. Não foi uma experiência científica rigorosa, mas antes uma sondagem alargada - ainda assim, os resultados fizeram muito barulho.
Aos 32 anos, muitas mulheres sentem-se emocionalmente adultas
Depois de analisarem as respostas, os investigadores chegaram a um valor bastante definido: as mulheres atingem, em média, a maturidade emocional por volta dos 32 anos. Muitas participantes disseram sentir-se, nessa fase, mais estáveis, mais reflexivas e mais disponíveis para assumir responsabilidades do que aos vinte e poucos anos.
Entre as descrições mais comuns surgiram, por exemplo: menos confusão nas relações, menos vontade de jogos psicológicos, maior foco na estabilidade, em objetivos profissionais e no equilíbrio interior.
Segundo a sondagem, os homens só lá chegam no início dos quarenta
Nos homens, a fasquia surge bastante mais tarde: o estudo aponta para uma média de 43 anos até serem considerados verdadeiramente maduros a nível emocional.
Isso não quer dizer que todos os homens sejam imaturos antes dessa idade. O número descreve uma tendência que apareceu nas respostas: muitos participantes masculinos admitiram preferir evitar conversas sérias, pensar apenas no curto prazo e esquivar-se de temas desconfortáveis, como crises conjugais, tarefas domésticas ou planos para o futuro.
| Sexo | Idade da maturidade emocional (média) |
|---|---|
| Mulheres | 32 anos |
| Homens | 43 anos |
Essa diferença de onze anos é enorme - e foi precisamente isso que tornou a sondagem viral. Muitos casais reconheceram, ali, padrões muito parecidos com os que vivem no seu próprio quotidiano.
O que as mulheres consideram imaturo nas relações
Nas respostas das participantes, repetiam-se vários pontos semelhantes. Elas descreviam um desequilíbrio entre a carga emocional e a carga organizacional dentro da relação.
- Uma parte visível das mulheres referiu que, nas decisões importantes, se sentia frequentemente sozinha.
- Três em cada dez disseram ter terminado uma relação por falta de maturidade do parceiro.
- Quase metade afirmou sentir-se mais como mãe do que como namorada ou companheira.
Entre os exemplos mais mencionados estavam estes: ele evita conversas sérias, empurra tudo “para mais tarde”, não encara com seriedade as responsabilidades em casa ou reage com má cara quando é confrontado com problemas. Com o tempo, isso gera frustração e desgaste emocional.
Muitas mulheres não vivem a relação como uma parceria entre iguais, mas como uma supervisão permanente de alguém interiormente mais novo.
Como os homens se veem a si próprios
O mais interessante: a sondagem não mostra apenas críticas vindas das mulheres. Também os homens revelaram bastante autoironia - e franqueza.
Cerca de um em cada quatro homens inquiridos classificou-se como emocionalmente imaturo. Muitos reconheceram que preferem fugir aos conflitos, adiar responsabilidades ou esconder-se atrás do humor quando a situação se torna séria.
Ou seja, o conhecido “rapaz interior” que não quer crescer não surge, para muitos, como um rótulo imposto por terceiros, mas como uma perceção própria. O facto de os homens assumirem isso abertamente também sugere que muitos sabem bem onde estão - e que a mudança seria possível.
Até que ponto estes números são fiáveis?
A investigação da Nickelodeon não é um padrão de ouro da ciência. O canal queria um retrato leve e divertido, não uma obra académica de referência. O grupo inquirido era limitado, as perguntas centravam-se em situações do quotidiano e o contexto cultural é claramente britânico.
Ainda assim, não se pode despachar o assunto como mera “sondagem de entretenimento”. Muitas relações relatam padrões muito semelhantes - seja em Londres, Berlim ou Viena. É precisamente aqui que entram os dados da neurociência.
O que diz a investigação sobre o cérebro
Neurocientistas da Universidade de Cambridge defendem que o cérebro humano atinge o seu auge funcional por volta do início dos trinta anos. Em torno dos 32 anos, as áreas ligadas ao planeamento, ao controlo dos impulsos e à regulação emocional são consideradas, em grande medida, amadurecidas.
Isto significa que, a partir dessa idade, a maioria das pessoas já dispõe, do ponto de vista biológico, da capacidade para pensar a longo prazo, controlar emoções e avaliar consequências. Se usa ou não essas capacidades, isso já é outra história.
O cérebro disponibiliza as ferramentas - se alguém as utiliza depende do carácter, da educação, da experiência e da motivação pessoal.
Porque é que a maturidade emocional torna as relações mais estáveis
Quem amadurece interiormente comporta-se de forma diferente no quotidiano - e o parceiro sente isso de imediato. As discussões escalam menos, porque ambos conseguem ouvir. Os planos de futuro deixam de ser apenas sonhos, porque alguém assume responsabilidades. E as crises não são ignoradas, mas enfrentadas em conjunto.
Vantagens típicas de parceiros maduros numa relação:
- conseguem admitir erros sem se sentirem totalmente atacados
- permanecem disponíveis, mesmo quando as emoções estão ao rubro
- compreendem que o amor, por si só, não basta se não houver entrega
- estão dispostos a partilhar tarefas desagradáveis - da casa à terapia
Com isso, reduz-se a “carga mental” que, de outra forma, costuma ficar concentrada numa só pessoa. Muitas mulheres falam precisamente dessa tensão permanente: pensam em tudo, seguram tudo e, a longo prazo, acabam esgotadas.
Como se pode treinar a maturidade emocional
Ninguém fica maduro automaticamente no dia do aniversário. Muitos comportamentos podem ser alterados de forma ativa. Destacam-se três áreas:
- Autorreflexão: avaliar com honestidade, com regularidade: como reajo em conflitos? O que me provoca a crítica? Em que situações fujo à responsabilidade?
- Comunicação: dar nome às emoções, em vez de apenas as sentir. Ouvir sem cair logo na defesa ou no ataque.
- Compromisso: tomar decisões e sustentá-las - em questões financeiras, na família, no trabalho ou no local de residência.
A terapia, o acompanhamento psicológico, o aconselhamento de casal ou até conversas sinceras com amigos podem ajudar a identificar pontos cegos. Quem percebe que se comporta muitas vezes de forma infantil pode encarar isso como um sinal de partida para mudar - e não como uma etiqueta para a vida.
O que os casais podem retirar deste estudo
Para os casais, vale a pena não usar o tema como pretexto para troça, mas sim como ponto de partida para uma conversa aberta. Em vez de “és como uma criança”, é mais útil uma formulação concreta: “Sinto-me deixada sozinha quando tenho de planear tudo”.
Também pode ser útil desenhar uma espécie de “mapa de tarefas” da relação: quem assume que tipo de responsabilidade - emocional, organizativa, financeira? Quem inicia as conversas sobre o futuro, e quem se desvia dessas conversas? Estas listas costumam ser pouco reconfortantes, mas tornam os desequilíbrios visíveis e, por isso, possíveis de alterar.
No fim de contas, a data de nascimento não determina a maturidade interior de ninguém. O estudo sugere que, em média, as mulheres assumem mais cedo a responsabilidade pelos sentimentos e pelo quotidiano. Os homens, na sua própria perceção, só recuperam mais tarde - quando aceitam o desafio. É precisamente aí que se decide o grau de solidez que uma relação pode ter ao longo do tempo.
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