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O CEO da Nvidia diz que a China vai liderar a corrida pela IA.

Homem a apresentar com mapa-múndi digital azul e vermelho ao fundo, num evento com público.

Jensen Huang, CEO da Nvidia, afirmou que a China vai vencer a corrida da IA. Uma declaração impactante numa altura em que as relações entre o gigante asiático e os Estados Unidos estão particularmente tensas neste tema.

Devemos temer uma vitória total da China no campo da inteligência artificial? Para o carismático líder da Nvidia, sim. Jensen Huang, presente no Future of AI Summit, em Londres, partilhou a sua visão sobre o assunto. Na sua perspetiva, esta corrida poderá acabar por prejudicar o Ocidente:

«A China vai ganhar a corrida da IA», declarou durante o evento.

Depois, num comunicado publicado na NewsRoom da Nvidia, acrescentou:

«Como sempre disse, a China está apenas alguns nanossegundos atrás dos Estados Unidos em matéria de IA. É vital que os Estados Unidos ganhem esta corrida, atraindo programadores de todo o mundo».

Jensen Huang defende o regresso da Nvidia à China

Será esta declaração surpreendente um sinal de resignação por parte do patrão da Nvidia? Nada disso. Na verdade, surge num contexto muito específico de tensão entre os Estados Unidos e a China sobre esta questão. O problema é que a administração norte-americana bloqueou a venda de chips Blackwell (a geração mais recente) à China. O objetivo da Casa Branca é atrasar o seu rival no desenvolvimento da inteligência artificial generativa. Convém recordar que este tipo de processador é essencial para o setor.

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O problema, segundo Jensen Huang, é que este embargo incentiva a China a desenvolver os seus próprios chips. É precisamente aí que está o centro da questão. Faz realmente sentido deixar um concorrente tornar-se totalmente autónomo quando se poderia equipá-lo e, dessa forma, “controlá-lo”? Numa conferência em Washington, no mês passado, Huang já tinha defendido o levantamento das restrições, argumentando que isso seria benéfico para os próprios Estados Unidos.

«Queremos que a América ganhe a corrida da IA. Queremos que o mundo assente em tecnologias americanas. Mas também queremos atrair os programadores chineses. Esta política leva à perda de metade dos programadores de IA do mundo e isso não é benéfico a longo prazo, prejudica-nos.»

Um discurso de abertura, ou até de apaziguamento, que naturalmente serve os interesses da Nvidia. Ainda assim, não é certo que Donald Trump esteja muito recetivo. No passado dia 2 de novembro, o presidente norte-americano deu uma entrevista ao muito popular programa 60 Minutes, da CBS. Nela, afirmou que os chips Blackwell não deveriam apenas ser proibidos na China, mas também no resto do mundo:

«Esses são (os chips Blackwell) os mais avançados, e não vamos deixar ninguém tê-los fora dos Estados Unidos. Não os vamos dar aos outros.»

Não é a primeira vez que Jensen Huang entra em choque com o presidente norte-americano. Embora lhe tenha manifestado apoio no passado, não hesita em criticar as suas decisões. Recentemente, afirmou que continuava a suportar os custos dos seus trabalhadores imigrantes, apesar das taxas impostas pela Casa Branca.

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