Quem ri, chora e vai tropeçando pela vida com as mesmas pessoas desde a escola é muitas vezes visto como uma exceção. No entanto, a investigação psicológica mostra que, por trás destes círculos de amizade pequenos e estáveis, existem traços de personalidade e padrões de comportamento que se repetem - nada de magia, antes características bastante concretas.
Porque é que algumas amizades duram décadas entre pessoas com um círculo de amigos pequeno
As amizades de longa duração raramente nascem de grandes gestos. Crescem nos recreios, em casas partilhadas, nos primeiros empregos - e depois mantêm-se discretamente em segundo plano, enquanto a vida muda de forma radical. Mudanças de casa, separações, filhos, novas carreiras: quem atravessa tudo isto em conjunto tende, segundo os psicólogos, a ter alguns pontos em comum.
As pessoas que mantêm durante décadas o seu pequeno e próximo círculo de amigos costumam assemelhar-se em nove características decisivas - independentemente da origem, do trabalho ou do local onde vivem.
A boa notícia é que muita coisa nisto pode ser reconhecida e, em parte, também treinada. Quem quiser fortalecer as amizades que já tem pode orientar-se por estes traços - não como uma receita rígida, mas antes como uma caixa de ferramentas.
1. Valores partilhados, e não apenas passatempos em comum
Um gosto musical semelhante aproxima. Mas aquilo que sustenta uma relação durante décadas está mais fundo. O psicólogo evolutivo Robin Dunbar descreve sete áreas em que a semelhança torna as amizades particularmente estáveis: humor, visão da vida, forma de lidar com as emoções, sentido político básico, preferências culturais, estilo de vida quotidiano e valores morais.
As pessoas que mantêm as suas amizades ao longo de décadas costumam partilhar:
- humor semelhante (riem-se das mesmas situações absurdas)
- uma atitude de base parecida perante a vida (mais otimista ou mais céptica)
- uma intuição semelhante em relação às pessoas e às decisões
Não têm de ser idênticas, mas a base encaixa. Isso torna os encontros mais fáceis, as conversas fluem e os mal-entendidos ficam menos tempo a pesar.
2. Muitas horas em comum em idade jovem
O investigador norte-americano da comunicação Jeffrey Hall descobriu que, para existir uma amizade verdadeira e profunda, são precisas cerca de 300 horas em conjunto. Esse tempo costuma surgir em fases da vida em que o quotidiano é menos apertado: escola, universidade, formação profissional, primeiros empregos.
Quem mantém o seu círculo íntimo ao longo de décadas teve, normalmente, com essas pessoas:
- tardes intermináveis sem planos
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário