Diferentes tipos de partículas de matéria escura podem gerar combinações únicas, o que ajuda a explicar a sua «invisibilidade» nas galáxias anãs
Uma nova investigação sugere que a matéria escura poderá ser composta por dois tipos distintos de partículas. Esta hipótese ajuda a enquadrar os dados contraditórios obtidos no seu estudo e torna ainda mais difícil a procura desta substância enigmática, que se crê representar mais de metade de toda a matéria do Universo.
A equipa de cientistas, que inclui investigadores do Fermilab, mostrou que diferentes proporções destes tipos de matéria escura podem produzir conjuntos de dados únicos. Isso pode explicar porque é que a matéria escura continua a ser tão difícil de detetar. Por exemplo, a radiação gama associada à aniquilação de partículas de matéria escura é observada no centro da Via Láctea, mas não é registada noutras galáxias.
O físico teórico Gordan Krnjaic, do Fermilab, afirmou: «Se certas teorias sobre a matéria escura estiverem corretas, então deveríamos vê-la em todas as galáxias, por exemplo, em cada galáxia anã». No entanto, a ausência de sinais nas galáxias anãs pode apontar para a existência de dois tipos de partículas de matéria escura, com comportamentos diferentes.
A matéria escura é muitas vezes modelizada como partículas que se aniquilam quando entram em contacto, produzindo raios gama de elevada energia. O estudo propõe dois cenários de aniquilação: um com probabilidade constante e outro com uma probabilidade dependente da velocidade das partículas. Os dados do centro da Via Láctea ajustam-se melhor ao primeiro cenário, enquanto o «silêncio das galáxias anãs» aponta para o segundo.
Krnjaic explicou: «Partimos da hipótese de que a matéria escura pode ser constituída por duas partículas diferentes, e que, para se aniquilarem, têm de se encontrar». A proporção destas partículas em diferentes regiões determina a intensidade da aniquilação.
Sublinha-se que os dados sobre as galáxias anãs continuam, por enquanto, limitados. Observações adicionais com o telescópio Fermi Gamma-Ray Telescope poderão ajudar a esclarecer se estas galáxias produzem ou não radiação gama.
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